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Entrevista #31: Sara Félix


Nossa entrevistada de fevereiro é a bailarina Sara Félix, de Curitiba-PR. Sara conta-nos sobre sua trajetória no tribal fusion, sobre o convite para o The Massive Spectacular, sobre profissionalismo , projetos futuros e muito mais! 
Boa leitura!

BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal; como tudo começou para você.
Minha trajetória teve início desde o meu primeiro contato cênico, aos 12 anos, quando iniciei com jazz. Comecei a dançar porque procurava algo para ocupar o tempo. Em 2006, ingressei no mundo oriental influenciada por minha querida mãe Marlen Mirta a fazer dança do ventre no estúdio Flor de Lótus, onde conheci Lua Arasaki, esta pela qual dividi muitas informações sobre dança tribal. Eu e Lua iniciamos um estudo árduo em vídeos e obras sobre a dança tribal e criamos o primeiro grupo de estudo no ano de 2008. 


Da direita para esquerda: Sara Félix, Sil Neves e  Lua Arasaki (2009) 
- Teatro Fernanda Montenegro

Um ano depois recebi o convite para participar de uma coreografia de Ana Fávaro, somando então mais uma experiência na minha carreira. Mais tarde me propuseram algumas aulas para eu aplicar, mas a experiência foi negativa, porque não haviam alunas e ainda não havia procura por este tipo de dança. O motivo lógico era o conhecimento restrito da cena tribal na cidade. Percebi, por um instante, que ingressar como professora não teria lógica sem uma disseminação desta linguagem. A partir deste momento passei a buscar meus próprios conceitos e minha maneira de estudar, incluindo métodologias e processos técnicos através de minhas viagens. Procurei me aprofundar e, de alguma forma, me envolver na linguagem alternativa, criando experimentos cênicos. Neste caminho até esqueci que queria ministrar aulas... Relacionei-me tanto com meu próprio corpo que eu apenas queria dançar, estudar e dançar, estudar apenas para mim. Idealizei obras e estabeleci laços com grandes artistas e foi assim que tudo começou...

Sara e Samantha Emanuel
BLOG: Quais foram as professoras que mais marcaram no seu aprendizado e por quê?
Bella Pedroso e Suzi Ribeiro foram minhas primeiras professoras de dança do ventre. Meu impulso para este mundo dançante. Mesmo longe, Suzi sempre me apoiou e me incentivou dando coragem para saltar. Porém, não poderia deixar de ressaltar duas dançarinas internacionais pelas quais sou apaixonada: Samantha Emanuel -  considero uma professora de grande porte, sua leveza e agilidade me inspiram muito e tive o privilégio de estudar com ela em um workshop extenso em Natal-RN, no ano de 2012; Heather Stants  - pela sua didática de aula, esta aproveitei cada minuto em Buenos Aires-ARG, em 2013. 

BLOG: Além da dança tribal você já fez ou faz mais algum tipo de dança? Há quanto tempo?
Tribal fusion já estudo a 7 anos, dança do ventre estudei por 3 anos, jazz por 1 ano e atualmente estou iniciando o ballet. Creio que um bom dançarino não deve ser julgado pelo seu tempo de dança, mas pela sua experiência com dança. Dizer que fiz 10 anos de dança não me vale nada se eu não mantiver meus estudos atualizados.

BLOG: Quais foram suas primeiras inspirações? Quais suas atuais inspirações?
Sinceramente, a arte ampla me inspira. Tudo que está ligado à música me inspira; produtores e platéia me inspiram. Um simples dia de sol me inspira. Zoe Jakes continua sendo minha maior influência. Ela é a razão pela qual eu ingressei nesta viagem, porém, tenho me espelhado em artistas fora desta área, procuro não bitolar em um padrão ou gênero... Mas estar de bem com a vida é minha atual inspiração. Isso me refresca, me estimula e me concentra. 

BLOG: O quê a dança acrescentou em sua vida?
Nossa! Tantas coisas boas... Amizade é uma delas; poucas, mas boas. Pessoas e artistas passaram na minha vida de uma forma marcante. Amo tudo e todos que agregam e acrescentam de alguma forma as minhas obras. Mas acrescentou mesmo um aprendizado sem tamanho, aprendi que o mundo é para todos, aprendi a buscar meus sonhos.

BLOG: O quê você mais aprecia nesta arte?
A adrenalina enquanto nosso corpo se move sem dúvidas me excita... A diversidade e a amplitude, a liberdade de criação e expansão. Aprecio artistas livres de paradigmas com processos artísticos redobrados.

BLOG:O quê prejudica a dança do ventre e como melhorar essa situação? Você acha que o tribal está livre disso?
Competitividade fragiliza qualquer rotina de arte. “Quanto mais o artista se preocupa com a arte alheia, menor será seu processo criativo, menos produção e mais tempo perdido.” Creio que explorar estudos e sair da zona de conforto leva o artista a imersão de seus próprios conceitos, tornando a construção de suas próprias condições. A questão é ramificar a arte em conjunto de maneira que estimule aberturas para dialogar com outros corpos e relacionar a linguagem.

BLOG: Você já sofreu preconceitos na dança do ventre ou no tribal? Como foi isso?
Me lembro de um episódio quando um garoto me abordou minutos depois de eu descer do palco me perguntando se eu fazia uso de entorpecentes para dançar. Então eu me pergunto será que é porque a dança tribal coleciona tatuagens e movimentos hipnóticos ou porque talvez a dança tribal quebrou os padrões? (Risos!!!)

BLOG: Houve alguma indignação ou frustração durante seu percurso na dança?
Uma grande decepção aconteceu no ano de 2013 quando tive meu visto americano negado. Um sonho palpitou meu coração quando recebi o convite de Tori Halfon para participar do The Tribal Massive Spectacular em Las Vegas. Um evento emblemático pelo qual dividiria palco com grandes estrelas do Tribal e ainda participaria das duas semanas intensivas de curso. Infelizmente aconteceu! Estou na terceira tentativa, no entanto, nada mudou. Vejo muitas pessoas torcendo por mim, estou correndo com os papéis, porém sabemos que isso só depende da boa vontade de quem te entrevista. Agradeço a compreensão de Tori Halfon, por esperar o tempo que me for necessário, o convite já está feito e minha vaga está garantida.

BLOG: E conquistas? Fale um pouco sobre elas.
Ter recebido o convite para participar do Gala The Tribal Massive Spectacular por Tori Halfon, já é uma conquista, me sinto vitoriosa por isso. Participar de um evento de grande porte é mais que uma conquista. Receber um convite como este não tem preço!!!

BLOG: Como é ter um estilo alternativo dentro da dança? Conte-nos um pouco sobre isso.
Um estilo, democrático digamos... kkk, um estilo que quer ser tudo ao mesmo tempo! Gosto disso, porque me faz criar, combinar, fazer e desfazer. Gosto do diferente e da imponência que o figurino trás; gosto de confundir os olhos de quem vê. O estilo alternativo trás a possibilidade de mesclar várias culturas, formando, assim, sua referência. O conjunto de tatuagens combinados com figurinos arrojados e modernos criam uma característica estilizada.

BLOG: Como você encara  a cena alternativa inserida no tribal e suas fusões? Na sua opinião, por quê pessoas com um estilo de vida alternativo têm optado mais pela dança tribal, desde a sua criação nos EUA, do que a dança do ventre?
Enquanto dançarina, penso que é um tanto subjetivo. A dança tribal se associa com gêneros subculturais que misturam peças de infinitos conceitos. O visual é irreverente e peculiar, traduzindo aos gostos de quem pesquisa este estilo, tanto estético quanto artístico.

BLOG: Como é o cenário da dança tribal no Paraná? Pontos positivos, negativos, apoio da cidade/estado, repercussão por parte do público bem como pela comunidade de dança do ventre/tribal?


Vejo um cenário pouco ramificado, mas vejo muita sede da arte daqueles que a apreciam. A cidade reverbera com o incentivo da Secretaria do Esporte e Lazer em parceria com a Fundação Cultural de Curitiba. Um programa com o intuito de fornecer a arte da dança para a comunidade, bem como difundir a dança com o meio sócio-cultural. Eu particularmente atingi um público um pouco diferenciado dos demais estilos de dança aqui em Curitiba, este pelo qual capturei dentro das festas de música eletrônica. O retorno foi absurdo... Acertei na mosca! (Risos!!!)

BLOG: Conte-nos como surgiu o Tribal Art Company, a etimologia da palavra, seus integrantes, qual estilo marcante do mesmo e como é o processo de introdução de novos integrantes.

Helinson Palmonari
Tribal= Tribo / Art= Arte. Tribal Art surgiu de um pequeno projeto criado juntamente com meu marido Helinson Palmonari. Este projeto foi testado uma única vez e ,por azar, estamos sem registro! Um projeto com o intuito de improvisação dentro das produções artísticas de Helinson. 


Tribal Art Co.
Anos depois tive a oportunidade de abrir as portas de uma grande realização: o Tribal Art Company, em março de 2014. Ainda ressente e em processo de construção. Busco fortalecer Curitiba espalhando e refinando a arte da minha maneira e no meu estilo.

BLOG: Como surgiu a oportunidade de dançar na Zoominimal e como foi a experiência? Além desse evento marcante, você também participou, em 2011, do Wood Castle. Conte-nos um pouco sobre esse evento também. A proposta deles é semelhante ou diferente? Como um público grande encara o tribal fusion e qual a sensação de saber que você pode ser a primeira vez que aquelas pessoas teríam conhecimento da existência e contato com a dança tribal?


 Zoominimal 2012
Ahhh, gosto muito de falar sobre esta passagem na minha carreira! “Com certeza foi um tiro ao alvo.” Helton Barbarini e Johnnie Barbarini, produtores da Zoominimal, ainda no início de suas carreiras apostaram em uma experimentação de uma das minhas obras favoritas “Subversos”. Não imaginávamos que seria tão enriquecedor. O retorno foi tão positivo e excitante que logo em seguida produtores de outras festas já me contrataram. Com certeza foi um impulso considerável para meu reconhecimento.


Subversos
Posted by Sara Félix on Sábado, 15 de dezembro de 2012


Tive a oportunidade, ainda no mesmo ano, de me apresentar na Wood Castle, em Marilândia do Sul.Neste dia me lembro da pista vazia minutos antes de eu subir no palco...  Cada balanço de meus movimentos eu observava centenas de pessoas curiosas se aproximando, isso me inspira até hoje. Amo tudo isso!!! A proposta da maioria dos festivais são as mesmas. 


Wood Castle (2011)
Neste meio artístico pude estabelecer laços e experiências distintas com grandes artístas. Any Mello é uma vj que levou loops e gráficos de minhas imagens em grandes festivais do Brasil. Muitas pessoas conheceram esta arte através de minhas composições apresentadas neste meio artístico de raves. Por um instante eu me pergunto como eu encaro um público tão grande?! Ambos os lados são emocionantes e dosados com muita adrenalina. Sempre tive um retorno positivo do público e hoje ganhei muitos fãs deste meio.


Se for contar a história de cada edição da Zoominimal, talvez então eu não finalize a história, pois cada uma teve sabores e sensações indescritíveis... Não me recordo de qual foi a mais especial, porque todas foram especiais. Hoje como bailarina residente da Zoominimal, recebo e divido carinhos de fãs e amigos na pista de várias festas.
  
BLOG: A partir de 2012, você vem registrando suas coreografias através de vídeos profissionais, os quais fizeram muito sucesso no Youtube, tanto pelo talento da bailarina quanto pelos recursos de imagem. Nos conte como surgiu essa idéia. Na sua opinião, os vídeos com alta qualidade podem ajudar ou favorecer a dança?  
Hummm... Não digo uma idéia, mas uma necessidade! O capricho de um bom material indica o quão profissional você é. Vejo muitas bailarinas querendo reconhecimento sem se quer investir. Para tudo exige esforço ou investimento, mas quando usados juntos o resultado é melhor ainda. Infelizmente estamos plantados em uma sociedade exigente.

BLOG: Conte-nos um pouco sobre suas principais coreografias. O quê a inspirou para a formulação da parte conceitual e técnica das mesmas, assim como seus processos de elaboração dos figurinos e maquiagens. Como essas coreografias repercutiram na cena tribal? 



Não tenho uma coreografia principal, todas têm suas relevâncias específicas, talvez possa citar a predileta: Collision, produzida em 2013 baseada em cinematografias artísticas de Theda Bara “Cleópatra”, uma épica atriz dos anos 20. Para a formulação de qualquer obra, preciso sentir-me honesta em minha dança, gosto de criar pequenos trechos improvisados e gravando. Meu processo criativo se inicia a partir da música, sem uma ordem eu idealizo através de novos desafios para amadurecer meus conhecimentos. Nesta etapa alinho meus pensamentos e busco apenas o que me pondera. Meus figurinos posso dizer que são retratos das minhas coreografias, todos foram idealizados por mim. Já usei peças de cozinha, de material de construção e até adereços achados em lojas de antiguidade. Já os tecidos, algumas vezes picoto roupas velhas, dou a elas uma segunda vida. Divirto-me muito customizando algumas peças, porém, o que precisa ser feito na máquina Janil Luz faz muito bem por mim. Amo colecionar figurinos e posso dizer que existe um carinho considerável por cada peça.




BLOG: Em 2013, você participou ministrando workshop e dançando no evento internacional Opa Fest, na Argentina. Como foi sua participação e que repercussão você teve pelo público argentino? Quais aprendizados e/ou vivências você adquiriu dançando e estudando nesse evento?
Buenos Aires tem pessoas muito alegres e fui muito bem recebida naquela cidade. Tudo se encaminhou de maneira muito simples, exatamente como deveria ser. Gostei muito da organização do evento, desde o espaço para o work como a recepção de todos na porta do evento. O show em um local muito agradável e mágico, sinceramente gostaria de achar algo parecido aqui no Brasil. Sim cada viagem é um grande aprendizado, muitos a gente anota no caderno e outros apenas na memória... Esses são os melhores.

BLOG: Você é formada em educação física, certo? Como a consciência e conhecimento corporal podem influenciar na dança? Quais são os benefícios da sua formação acadêmica para o tribal fusion e vice-versa?
O curso de Educação Física contempla uma formação humana, científica, técnica, filosófica, anatômica e ética. Sou grata por ter buscado esta área. Muitos conceitos trago até hoje comigo. Tive a oportunidade de instruir-me sobre o corpo humano que através de contato direto e indireto preparei-me para certos cuidados. O que beneficia é estar segura em relação a consciência corporal.

BLOG: Como você define seu estilo?
Prefiro não rotular um estilo, já que a dança está em constante transformação. Eu particularmente prefiro passear nos estilos experimentando distintas linguagens.

BLOG: O quê você acha que falta à comunidade tribal?
Esforço.

BLOG: Como você se expressa na dança?
Expressar apenas na dança me restrita, expresso a dança fora e dentro da dança! Simplesmente respiro dança em tudo que vejo e faço. Até para subir a escada de casa subo dançando... (Risos). Mas enquanto bailarina gosto de manter conexão com o público revelando brincadeiras.

Expresso o resultado de meus sentimentos. Dançar é conexão de sintonias e melodias, é pulsação de dentro para fora, explosão sem limite. É a minha máxima expressão... Inspiro música e expiro movimentos. 

BLOG: Quais seus projetos para 2015? E mais futuramente?
Primeiramente tentar o novo visto americano para conseguir estar presente no The Tribal Massive Spectacular em 2016. São tantas as idéias, porém fica difícil dizer quais eu cumprirei exatamente em 2015. Produzir espetáculo está nos meus planos para este próximo ano.

BLOG: Improvisar ou coreografar? E por quê?
Gosto do processo construtivo, pois força-me a estender minhas habilidades. Viver a liberdade do improviso me deixa acomodada, prefiro a sensação de um trabalho completo.

BLOG: Deixe um recado para os leitores do blog.
Aproveite a arte, ela te concede possibilidades...
Bitolar em um único estilo é simplesmente limitar o seu acervo. Passear por eles faz você ampliar conceitos e descobrir um mundo jamais vivido.



Contato
Tel/cel: (41) 9990-9172
E-mail: s.sarafélix@gmail.com




Comentários
1 Comentários

Um comentário:

  1. Adoro o trabalho da Sara!
    E depois dessa entrevista, passei a admirá-la ainda mais!
    Amei essa postagem!
    bjin

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