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Entrevista # 12: Karina Leiro


Karina Leiro, bailarina de dança flamenca e tribal fusion do Recife-PE fecha nossa seção de entrevista de 2013 com chave-de-ouro! Ela nos conta com muita simpatia sobre sua trajetória e experiências na dança,sua fusão entre tribal e flameco, sua participação como integrante da Cia Lunay de Kilma Farias e também como diretora da Lunay PE . Vamos conferir?=D


BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal;como tudo começou para você? 
Já respondido mais adiante. =)

BLOG: Quais foram as professoras que mais marcaram no seu aprendizado e por quê?
Muita gente me ensinou muitas coisas; corro até o risco de ser injusta. Bem, Tina Leiro, minha irmã, Ana Emeralda, Irene, Madureira, Yara Castro, Fabio Rodriguez, Raul Morales, Deborah Nefussi, Isabel Bayón e Ángel Atienza, com quem fiz aula em Sevilla. Muitos outros com quem fiz cursos workshops, como Manuel Liñán, Carmen Talegona, Stefano Domit, isso no flamenco.

No tribal: Bela Saffe, Kilma Farias, Alê Carvalho e Jill Parker com quem fiz uma imersão e também tive oportunidade de fazer aulas particulares de tribal e dar aulas particulares de flamenco no período do MEM 2011 na Argentina. Os workshops que fiz com a Sharon Kihara, Ariellah e Morgana também me marcaram muito. E mais recentemente o curso com a Carolena Nericcio e a Megan Gavin no MEM deste ano.

BLOG: Quais foram suas primeiras inspirações? Quais suas atuais inspirações?
São muitas e mais uma vez corro o risco de omitir alguém.
Bom no flamenco: Carmen Amaya, Antonio Gades e Cristina Hoyos foram os primeiros, hoje tem muitos Eva Yerbabuena, Farruquito, Juan Andrés Maya, Antonio Canales, Domingo e Inmaculada Ortega, Isabel Bayón, Belén Maya, Rafaela Carrasco, Carmen Talegona. Têm também os nossos brasileiros que vivem e brilham na Espanha: Yara Castro, Fabio Rodriguez, Stefano Domit; e os que brilham por aqui, como Deborah Nefussi e Andréa Guelpa, com quem também fiz aulas e que possibilitou muitos acessos, inclusive, do nordeste aos workshops internacionais.

No tribal: Fat Chance Belly Dance, Jill Parker, Rachel Brice, Zoe Jakes, Ariellah, Ashara, Kami Liddle e as minhas professoras Bela Saffe e Kilma Farias. Bem, aqui no Brasil tem muita gente que me inspira.

BLOG: O quê a dança acrescentou em sua vida?
Disciplina e coragem.Também me ajudou muito com a minha auto estima, eu me sentia muito feia na adolescência; muito magra, muito branca, estranha, pescoçuda rsrs.Mas dançando eu me sentia bela.

BLOG: O quê você mais aprecia nesta arte?
Difícil dizer, tanta coisa...Talvez a possibilidade de expressar coisas indizíveis.É uma paixão imensa, intensa que tenho pela dança, difícil dizer o que mais aprecio.

BLOG:O quê prejudica a dança do ventre e como melhorar essa situação?Você acha que o tribal está livre disso?
Acho que o que prejudica a dança em geral é o preconceito. Eu sempre transitei no meio e gosto de dança do ventre, inclusive faço aulas pra pegar base pra o tribal, mas não sou bailarina de dança do ventre, portanto não me sinto com propriedade para falar disso, pelo menos por enquanto.

BLOG: Você já sofreu preconceitos na dança do ventre ou no tribal? Como foi isso?
Rsrs eu já sofri preconceitos na dança. Tipo aquelas coisas: “O que você faz? Dança. Sim, mas você trabalha em quê?” rsrsrs

BLOG: Houve alguma indignação ou frustração durante seu percurso na dança?
Sempre há. Acho que todos passamos por isso e em qualquer área de trabalho. Mas até mesmo isso pode ser usado a nosso favor. Se soubermos lidar com as dificuldades e as frustrações, nos tornaríamos mais fortes. Eu sou perfeccionista, portanto, eu mesma acabo sendo meu carrasco rsrsrs e quem é assim nunca está satisfeito com aquilo que produz. Isso gera frustrações, mas também tem um lado bom, pois estamos sempre buscando mais, e isso gera crescimento.

Eu me indigno sempre com falta de ética. Já tive gente tentando me puxar o tapete mesmo de forma absurda e violenta até, mas, mesmo com essas pessoas, eu sempre procurei agir com ética e respeito. Hoje acho que essas pessoas que me fizeram mal acabaram me ajudando mais do que atrapalhando. Uma vez eu fiz um agradecimento a todos os que acreditaram em mim e também aos que não acreditaram, porque esses, sem saber, fizeram despertar em mim uma força que eu nem sabia que tinha.

BLOG: E conquistas? Fale um pouco sobre elas.
Nossa muita coisa...Sou muito grata, muito mesmo, a Deus e a todos, todos os meus professores ao longo da vida por tudo que aprendi e pelo resultado disso. Eu fui caminhando, galgando, e foram muitas conquistas, como ser uma das pessoas que iniciaram o trabalho da EDACE (Escola de Dança Arte e Cultura Espanhola) em Salvador, na Bahia. Essa escola é dirigida pela minha irmã Tina Leiro e lá aprendi muito com ela, com minhas colegas e com os profissionais de fora que foram dar cursos lá.

Ter tido a oportunidade de dançar fora do Brasil, tanto na Espanha com a Edace, como em Portugal, para onde fui em 2006.Tive a oportunidade de dar aulas em Lisboa e de integrar o grupo Hijas Del Flamenco, um trabalho lindo e super sério dirigido pela bailarina Marta Chasqueira. Também integrei o grupo El Camino, do guitarrista Xavier Llonch, uma pessoa que também me ensinou muito.

Tive oportunidade de estudar com profissionais maravilhosos do Brasil e de fora, tanto de tribal quanto flamenco.

Foi maravilhoso ser convidada pela Kilma para ir com a Lunay para Buenos Aires ano passado e ser chamada para integrar a Cia e dirigir o braço pernambucano. Os convites para dançar e ministrar workshops nos eventos do DSA, no Campo das Tribos, no Gothla e em Buenos Aires de novo. Por mais que eu fale aqui, vou esquecer alguma coisa. Acho que tudo isso tem a ver com seriedade e muito trabalho mas também com as pessoas que me cercam. Me sinto privilegiada de verdade.

BLOG: Em 2009, você começou seus estudos de tribal fusion através do grupo Kairós, dirigida por Bela Saffe e, posteriormente, integrou a Cia Aquarius Tribal Fusion(ATF). Como foi participar de ambos grupos e o que os dois acrescentaram a você de experiência e em sua dança?
Bom, Bela foi a minha primeira professora de tribal, ela me ensinou muito, desde a base e foi ela que me incentivou a desenvolver a fusão flamenca. A Kilma Farias (que conheci pessoalmente através da Bela e hoje é minha diretora) também me incentivou a estudar tribal e a trazer a minha experiência com o flamenco para agregar a esse estudo. A essas duas mulheres, a minha gratidão, meu respeito, minha admiração. Me sinto muito honrada por tê-las no meu curriculum. Eu sempre digo que “a culpa”é delas por eu dançar tribal rsrs. Eu não cheguei a integrar o Kairós, não deu tempo, porque logo me mudei e eu era aluna iniciante de Bela mesmo; ela me pegou sem dançar nadinha de tribal ou ventre e ainda não era assídua como eu gostaria. Eu estava numa fase de fundação de um grupo de flamenco em Salvador, o Aires (mais uma conquista), que está lá funcionando com gente linda bailando, tocando e cantando. Mas ainda assim, tive momentos ótimos de aulas e experimentações com pessoas do grupo que fizeram toda a diferença pra mim.

Quando me mudei para Recife há quase 3 anos, procurei a Alê Carvalho, do Aquarius Tribal Fusion, para fazer aula e um dia fazendo aula ela me convidou para integrar o grupo. Foi com o Aquarius que subi no palco pela primeira vez dançando tribal (isso foi em 2010). Aproveito também para agradecer a Alê e às meninas do Aquarius por tudo que me ensinaram e pelo muito que contribuíram para meu crescimento.

BLOG: Em 2011 você integrou a Cia Lunay, dirigida por Kilma Farias(PB). Como é fazer parte de um dos mais conceituados grupos de tribal do Brasil? Como você trabalha a Fusão Brasil dentro da sua dança e em conjunto com o grupo?
Nossa...é muito emocionante MESMO! rsrsrs Sabe você super admirar um trabalho, ver vídeos, acompanhar de longe antes mesmo de conhecer as pessoas e pouco tempo depois se ver dentro do grupo? Pois é. É uma honra ser Lunay.

Bom, o grupo aqui de Pernambuco começou com a ideia de puxar mais para a fusão flamenca, mas, como temos pessoas com vivênciam de popular no grupo, acabamos conseguindo trabalhar em cima do tribal Brasil também, fora, lógico, as coisas que sempre aprendemos com Kilma e a Lunay, da Paraíba. O nosso grupo tem muita gente talentosa, o que acabou fazendo com que tivéssemos um certo ecletismo:  já criamos coreografia Burlesca, Flamenco Fusion, Tribal Brasil, Tribal Fusion com inspiração Vintage.Enfim,tenho imenso orgulho da equipe que tenho:Tamyris Farias, Danilo Dannti, Daniela Albuquerque e Harumi Fukahori.

BLOG: No mesmo ano você participou do MEM e o Tribalópolis, em 2012, em Buenos Aires(ARG). Como foi ministrar um workshop internacional? Qual é a repercussão de levar conhecimento brasileiro para outro país?Qual importância disso para seu trabalho?  Então, é muito bom ter essa oportunidade e esse reconhecimento, mas também é uma imensa responsabilidade. Deu um frio na barriga, mas daí fui estudar, me preparar para fazer o melhor possível. Eu contei e sempre conto muito com a orientação e a experiência da Kilma e isso dá muita segurança. Além disso, ela faz algo que admiro muito: ela acompanha todos os workshops das integrantes da Lunay,seja fazendo a aula, ajudando com os alunos, ajudando no som ou fotografando. Com uma força dessas, fica mais tranquilo encarar o desafio.

BLOG: Em 2012 formou-se a Cia Lunay de Pernambuco, sob sua coordenação. Como são os trabalhos desenvolvidos em conjunto com a Cia Lunay da Paraíba e como é essa extensão do trabalho realizado pelo grupo original e com a segunda formação? Há alguma peculiaridade ou característica marcante do grupo de PE com relação ao da PB? Onde os grupos convergem entre si e em quê quesito eles têm autonomia) ?
Acho que já respondi na outra. Bom, a Kilma confia muito na gente e nos dá total autonomia para trabalhar. Até agora funcionou mais ou menos assim: a gente se juntou para dançar no Gothla, por exemplo, éramos duas de Pernambuco e quatro da Paraíba; e eu e Tamyris íamos para João Pessoa ensaiar. No espetáculo Axial deste ano, tivemos que ensaiar mais separados, mas dançamos duas coreografias nossas e uma da Kilma e fomos pra lá fazer o ensaio geral antes do show. Para 2013 estamos querendo viabilizar para que os grupos trabalhem mais juntos e sob a orientação também do Guilherme Schulze (professor doutor da Universidade Federal da Paraíba), que tem desenvolvido um trabalho lindo com o grupo.


BLOG: Em 2012 você participou da Cia Dancers South America(DSA), dirigida por Adriana Bele Fusco. Como surgiu a oportunidade de fazer parte do DSA ? Comente como foi a experiência de dançar em grupo tão diversificado em modalidades de dança e em proporção de projeto? Como foi sua contribuição para o espetáculo de 2012?
Bem, eu era do Aquarius quando a Kilma indicou o grupo para o DSA, daí a Adriana conheceu meu trabalho com flamenco e acabou me chamando para fazer coisas de flamenco, além do tribal, de forma que minha participação se estendeu para dançarina de tribal e flamenco; além de eu ter coreografado a parte flamenca de uma coreografia onde ela mesclava flamenco e dança do ventre. Então, por causa do flamenco, acabei virando coreógrafa do DSA também e também ministrei uma aula de flamenco voltada para dançarinos de tribal e ventre no Encontro Internacional de Tribal e Fusão, em 2011.

BLOG: Além de bailarina de tribal fusion, você também é professora e bailarina reconhecida de dança Flamenca. Conte-nos como essa experiência somou-se à dança tribal.
As duas coisas se somaram. O tribal me deu outra consciência corporal e me fez crescer como dançarina de flamenco, por outro lado levei para o tribal a influência do flamenco que perpassa o meu corpo já a uns bons anos, o que acabou se tornando o meu diferencial.
BLOG: Qual a semelhança entre ambas danças ,tanto na dança quanto na expressão ou figurino? Qual a importância do flamenco para o tribal fusion? Você acha que foi mera coincidência terem criado o ATS tendo o flamenco como uma das bases? Você acha que essa “mistura” foi interessante, alcançando identidade própria?
A semelhança é que são danças muito “terra”, mais densas. Há muita semelhança na postura do tronco e nos braços também. Não sei se foi coincidência ou se teve a ver com o gosto estético das precursoras, mas, na minha opinião (e não me acho ainda apta a opinar muito sobre o tribal, preciso ler, estudar mais e mais), as coisas se cruzam desde lá de trás com os ciganos que tanto influenciaram o flamenco, e que vieram provavelmente da Índia; e os árabes ficaram 800 anos na Espanha. Portanto, há uma rede aí, muitos cruzamentos e pontos de contato.

BLOG: Como  e quando você descobriu o tribal fusion e porquê se identificou com esse estilo?Quando começou a praticar o tribal fusion? 
Quando eu estava morando em Lisboa em 2006/2007 tinha uma aluna de flamenco que também fazia tribal e me falou sobre o estilo e me passou uns vídeos para eu conhecer. Achei lindo, interessantíssimo, mas eu só fui começar a estudar em 2010, aqui no Brasil, com Bela Saffe.

BLOG: O quê você mais gosta no tribal fusion?
A liberdade. Acho que o tribal fusion está para as danças ditas “étnicas” (entre muitas aspas porque não concordo com essa designação) como a dança contemporânea está para o ballet clássico, o moderno, etc. É possível utilizarmos essas danças (flamenco, dança indiana, hip hop, dança do ventre) e desconstruir, reconfigurar, transformar...isso não significa que qualquer coisa seja tribal fusion, é importante que exista embasamento técnico e critério para que o trabalho seja bem feito, existem recorrências que permitem identificar algo como tribal fusion, assim como há recorrências que permitem identificar algo como dança contemporânea; o fato dessas danças estarem em processo (e espero que nunca se fechem) não significa que qualquer coisa seja tribal ou contemporâneo. Essa tem sido a minha busca, mas faz muito pouco tempo que comecei no tribal, espero aprender cada vez mais, inclusive com os erros.

BLOG: O quê você acha que falta à comunidade tribal?
Esta eu vou responder mais pra a frente rsrs. Eu praticamente acabei de entrar.

BLOG: Como você descreveria seu estilo?
Bom, se eu fosse dar nome ao que faço no meu trabalho como solista, chamaria de fusão flamenca.

BLOG: Como você se expressa na dança?
Quando estou dançando me sinto livre e feliz...me sinto plena, embora fique sempre muito nervosa antes de entrar em cena rsrs

BLOG: Quais seus projetos para 2012? E mais futuramente?
Para 2013 pretendo aprender muito, estudar muito tribal e flamenco, continuar nesse rumo que venho tomando desde 2011 participando dos eventos, aprendendo e contribuindo com o que aprendi. Pretendo investir no meu estúdio em Recife. E além disso vamos comemorar dez anos de Cia Lunay, então, vem coisa boa por aí!!!

BLOG: Improvisar ou coreografar?E por quê?
Os dois. Confesso que tenho dificuldade para improvisar, tenho medo de ficar repetindo movimentos, de não estar inspirada na hora, de cair no que é mais cômodo pra mim, de dar branco rsrsr, enfim. Eu sempre prefiro coreografar porque acho que fico mais segura, procuro deixar uns espaços para improviso dentro da própria coreografia, mas realmente costumo coreografar. No entanto, estou buscando melhorar no improviso, porque considero isso uma lacuna minha. Sempre procuro ir preenchendo as minhas lacunas para me tornar uma profissional mais completa.

BLOG:  Você trabalha somente com dança?
Sim, trabalho dando aulas, workshops e fazendo shows.

BLOG: Deixe um recado para os leitores do blog.
Gente, vamos canalizar as nossas energias para estudar, produzir, para fazer acontecer, para as discussões saudáveis e para nos mobilizarmos para que a dança tenha cada vez mais espaço, respeito e reconhecimento no nosso país. Deixemos de lado as picuinhas e os egos inflados, pois a arte é muito maior do que isso e nós somos instrumentos dela. 
 Contato
Tel/cel
(81) 9815-5892/9392-5252
E-mail:
 karinaleiro@gmail.com






Comentários
3 Comentários

3 comentários:

  1. Karina Leiro é incrível!! Acompanho o trabalho dela especialmente no flamenco, mas ver essa nova roupagem tribal tão forte e inovadora, de fato é muito enriquecedor... Não só em aspectos de dança, mas de estudo e conhecimento o tribal vem crescendo em um ritmo cada vez mais explosivo, para ela dançarina, e também para nós também como espectadores e dançarinos... Parabéns Káá!!

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  2. Sou suspeita prá falar,mas ela é DEMAIS!!!

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