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Entrevista #23: Mariana Quadros


Nossa primeira entrevistada de 2014 é a bailarina Mariana Quadros, de Santos-SP. Mariana foi a primeira Sister Studio do Brasil e também a frequentar e se profissionalizar no exterior no evento  Tribal Fest. Ela nos conta sobre sua trajetória, projetos futuros e algumas opiniões a respeito do Tribal Fusion.

*** Entrevista atualizada com novas perguntas! (05/05/2015)***


BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal. Como tudo começou para você?
Entrei na dança do ventre meio à toa; não tinha nenhum interesse especial por ela até começar. Comecei a fazer aulas com a Jannah El Havanery. Acabei gostando das aulas e comecei a procurar mais informações e vídeos de dança na internet. Nessas pesquisas, encontrei um vídeo de tribal e foi amor à primeira vista. Fiquei absolutamente fascinada pelo  estilo, a postura, a roupa, os movimentos, as tatuagens (eu também já tinha tattoos na época), e descobri depois de algum tempo de pesquisa que aquilo era Tribal Bellydance. Não existia Youtube na época e não era fácil encontrar vídeos de tribal. Continuei fazendo aulas regulares de Dança do Ventre e comecei a estudar tribal sozinha em casa. Não havia aulas na minha cidade, então tudo que eu aprendia na dança do ventre eu tentava dar uma cara tribal. Ainda não tinha noção das diferenças técnicas entre os estilos, então ia no feeling mesmo.

BLOG: Quais foram as professoras que mais marcaram no seu aprendizado e por quê? 
A Jannah, minha primeira professora, com quem estudei regularmente por 4 anos, foi e sempre será uma referência para mim. Aprendi a ser professora de dança com ela, e tenho certeza de que se não tivesse começado com uma boa professora teria desistido rapidamente. Ainda na Dança do Ventre, a Jade El Jabel foi uma inspiração muito grande para mim. Ela tem muita personalidade, e abriu meus olhos para muitas coisas. Aprendi muito sobre dança e arte com ela.

No Tribal, a Sharon Kihara foi uma das minhas maiores influências, estudei com ela diversas vezes aqui no Brasil e também tive algumas conversas em particular que me ajudaram imensamente. E finalmente a Lady Fred, com quem fiz aulas particulares e em grupo pela primeira vez em 2008 e que me inspirou muito com sua visão ampla da dança, seu improviso e seu estilo único no tribal. Mas aprendi com todo mundo com quem já fiz aulas, em maior ou menor escala, a gente leva um pouquinho de todo professor que já teve.

BLOG: Além da dança tribal você já fez ou faz mais algum tipo de dança? Há quanto tempo?
Desde criança gosto de dançar e fiz um pouco de ballet e jazz. Depois só copiava coreografia de videoclipe da Madonna. Aos 20 anos comecei a Dança do Ventre e, em seguida, o tribal que me levou a aulas/workshops de flamenco, tango, kathak, odissi, contemporâneo e mais dança do ventre. 

BLOG: Quais foram suas primeiras inspirações? Quais suas atuais inspirações?
Minhas primeiras inspirações para o Tribal foram a Rachel Brice e a Frèdèrique. Atualmente, minha inspiração vem da música, da vida, da arte, de qualquer lugar basicamente. E do movimento em si.

BLOG: O quê a dança acrescentou em sua vida?
Nossa, tanto! Nem me lembro direito como eu era antes da dança, parece que faz uma eternidade. Acredito que comecei a dançar numa idade muito crucial do amadurecimento, então a dança de certa forma moldou minha personalidade adulta. Além disso, fez eu me conectar com o corpo, entender o que é ser artista, o que é dedicação, isso são só algumas das coisas que me lembro assim de cabeça!

BLOG: O quê você mais aprecia nesta arte?
Aprecio imensamente o fato da mulher "fazer uso" do próprio corpo e se enfeitar da maneira que gosta, rompendo com os padrões do que é tradicionalmente considerado feminino para expressar uma força ancestral que não cabe em palavras. 

BLOG: O quê prejudica a dança do ventre e como melhorar essa situação?Você acha que o tribal está livre disso?
Em termos de mercado, o que prejudica a dança do ventre é que qualquer um pode abrir uma escola e "dançar profissionalmente". E o público aceita porque não é educado, porque a dança não ganha espaço fora dos estereótipos da "odalisca". E perdura porque o próprio meio compra isso. Em geral, não exigimos um maior nível de show, melhores lugares para dançar, bons sons, bons palcos, boa iluminação e cachê. Precisa haver mais consideração de bailarina para bailarina, muito ainda acontece na base da troca. Se ainda falta muito essa consideração dentro da classe, como podemos exigir do público? 


BLOG: Você já sofreu preconceitos na dança do ventre ou no tribal ? Como foi isso?
Apenas aquele básico das pessoas acharem que não é trabalho de verdade, que é fácil dançar e se você faz dança do ventre "dança aí então pra gente ver". Mas tudo isso está muito relacionado com a pergunta que respondi acima.

BLOG: Houve alguma indignação ou frustração durante seu percurso na dança?
Acho que todas as frustrações que tive foram relacionados à percepção de que ser um profissional de respeito na dança não implica em conseguir viver dela e em as coisas funcionarem do jeito que deveriam.

BLOG: E conquistas?Fale um pouco sobre elas.
Tive muitas satisfações na minha carreira. Para mim, todo workshop fora de São Paulo é uma satisfação muito grande. Saber que tem gente interessada dessa maneira no seu trabalho, chegar lá e ver pessoas com vontade de aprender, com aquela empolgação e pique de quem está começando. Além disso, tive parcerias com bailarinas que admiro e respeito; já dancei no mesmo show com a maioria dos ícones do estilo tribal; acredito ter sido a primeira brasileira a participar e dançar no Tribal Fest; conheci pessoalmente (entre conversas e aulas) muitas das pioneiras do estilo e das pessoas que fizeram do tribal o que ele é hoje; obtive o status de FCBD® Sister Studio e levei o tribal para muitos lugares exclusivos de Dança do Ventre. Também já dei aulas ou recebi convites para dar aulas em alguns dos melhores espaços de dança. Tudo isso é muito gratificante.

BLOG: Você foi uma das primeiras bailarinas do Brasil a se envolver com o estilo tribal. Como eram as informações sobre o estilo na época em que você começou a pesquisar? Como era visto a dança tribal naquela época e como hoje ela vem se apresentando na cena brasileira?

As informações em português eram praticamente inexistentes. Quando comecei a pesquisar, encontrei um grupo atuando em São Paulo e existia um texto informativo no site desse grupo. Fora isso, não me lembro de ter encontrado mais nada... Praticamente ninguém conhecia o tribal. O tribal começou a ficar mais conhecido aqui com o BellyDance Superstars. Aí com os dvds do BDSS e o Youtube é que foi se espalhando. Mesmo assim, ainda era uma visão bem limitada porque não se sabia nada a respeito do histórico do estilo, de onde havia saído tudo aquilo, como eram as técnicas. Daí, sem saber a respeito do ATS®, achava-se que era apenas uma estilização da Dança do Ventre e que a inventora do estilo era a Rachel Brice rsrsrs. Com o tempo, mais e mais bailarinas e grupos se tornaram acessíveis.

A Sharon veio para o Brasil pela primeira vez e as coisas começaram a tomar mais corpo. Mas ainda demorou muito tempo até que ficasse claro que a origem do Tribal Fusion como conhecíamos era o ATS®. Hoje em dia temos muita informação aqui no Brasil, muita gente que estudou fora,  que tem embasamento técnico e teórico sobre o estilo. Sem contar o Tribal Brasil que já é nossa própria contribuição para o mundo do tribal!

BLOG: Você participou do evento internacional Tribal Fest (EUA),primeiramente, em 2006 apenas para estudo e, posteriormente, em 2008 retornando não apenas para este fim, mas também para dançar no evento. Quais aprendizados e/ou vivências você adquiriu dançando e estudando nos EUA? Qual retorno e repercussão você teve pelo público norte-americano? Estudar nos EUA ajudou-a a entender melhor todo o processo por trás da criação dessa dança?
A primeira vez que fui para o Tribal Fest eu tinha aproximadamente 2 anos de estudo, era tudo muito novo para mim. O festival era bem menor do que é hoje em dia e eu fui como entusiasta do estilo, não era profissional ainda. Não era tão glamoroso quanto eu achava, as bailarinas mais famosas circulando pelo festival como pessoas normais rsrs.

Tribal Fest 2006 - Rachel Brice e Mariana Quadros
Em 2008, o festival já estava bem maior e a resposta à minha apresentação foi bem bacana, não esperava nada e as pessoas vinham me falar que gostaram, elogiar. Foi uma surpresa boa em um lugar com tantos grandes nomes ter esse tipo de recepção. Com certeza ter estudado nos EUA nesses três momentos bem distintos da evolução do tribal (2006, 2008 e 2010) me ajudaram a entender muitas coisas sobre ele. E também o fato de ter acompanhado seu crescimento pela internet desde o começo. Estudar fora ajuda a gente a entender muita coisa, te dá uma visão ampla.


BLOG: Conte-nos um pouco sobre o processo coreográfico da performance que apresentou em 2008 no palco do Tribal Fest 8! Como foi o processo de escolha das músicas, figurinos e passos? Teve alguma mensagem que você quis transmitir? Você pretende retornar ao evento tanto para estudar quanto para dançar novamente? 

Planejei a minha performance com a intenção de levar algo com uma "cara mais brasileira" para o palco. Meu foco nunca foi o Tribal Brasil, mas nessa ocasião fiz questão de usar músicas brasileiras para o meu set, colocar elementos que remetessem ao Brasil no figurino e uma coisinha ou outra na coreografia. Foi a única vez na vida que coreografei um forró! Escolhi músicas brasileiras mas com um toque eletrônico, que era uma coisa com a qual eu me sentia mais á vontade na época. Acho que no final o público reconheceu a influência e ficou com uma carinha diferente das outras performances que estavam sendo apresentadas. Não tenho pretensão de voltar em breve, tem muitas outras coisas que prefiro fazer em termos de tribal e estudo do que voltar ao Tribal Fest. Mas que é muito legal, é!!!

BLOG: Em 2009, você se apresentou, juntamente com Adriana Bele Fusco e com a bailarina superstar Sharon Kihara, no evento Tribal y Fusion. Gostaria que comentasse como foi essa experiência de dançar ao lado de Sharon.


Foi muito gratificante receber esse convite. Ela havia estado conosco dando workshops no ano anterior e sugeriu que dançássemos a coreografia que ela havia passado no ano seguinte no festival. Originalmente éramos eu, a Dri, a Nanda Najla e a Sharon. A Nanda acabou não dançando e fomos nós três. Como a Sharon sempre foi uma das minhas maiores referências, foi uma sensação incrível subir no palco para dançar ao lado dela.


BLOG Você foi uma das primeiras bailarinas do Brasil a se envolver com o ATS®, por que você começou a querer ou ver necessidade em se aprofundar no ATS®? Como eram as informações sobre o estilo na época em que você começou a pesquisar sobre o American Tribal Style®? Como era visto o ATS® naquela época e como hoje ele vem se apresentando na cena brasileira? 
Senti necessidade por entender que no ponto em que eu estava, para dar o próximo passo no meu desenvolvimento como bailarina e professora de tribal, precisaria me aprofundar no ATS®. Tanta coisa começou a fazer sentido apenas depois de conhecer bem o ATS®. Por aqui já tinham algumas pessoas bastante envolvidas com o ATS®, bem antes de mim. Eu estudava pelos dvds mas não tinha ninguém com quem dançar. Meu primeiro contato mais aprofundado com o ATS® foi num workshop no Tribal Fest, em 2008, com a Carolena Nericcio. Fiquei fascinada pela profundidade técnica, estrutural e teórica do estilo. É tudo muito bem pensado, tudo tem um motivo e uma explicação. Depois de passar tanto tempo estudando apenas o Tribal Fusion, em que cada um tem sua técnica e nem sempre tem um porquê, essa mudança foi muito bem-vinda. Esse foi o momento em que sabia que tinha que estudar ATS®.

Acredito que antes era visto como um dos estilos dentro do tribal, e era um pouco menosprezado até. Agora já existe a consciência da sua importância.

BLOG: Em 2010, você obteve sua certificação em ATS® com a criadora do estilo, Carolena Nericcio. Gostaria que nos explicasse melhor sobre o processo de certificação (General Skills/ Teacher Training1 e 2) e como se alcança o tão estimado selo de Sister Studio. E qual importância de conseguir tal certificação, em sua opinião?
1ª Sister Studio do Brasil
Quando fiz houve uma pré-seleção por currículo e havia alguns pré-requisitos para se inscrever nos cursos. Para ser Sister Studio você precisa ter feito o GS e o TT. Após fazer os cursos, se você estiver comprometida a ensinar/praticar o ATS® como você aprendeu no curso e tiver interesse em ser uma representante oficial do estilo, faz um pedido à Carolena, que pode ou não te conceder o status de Sister Studio. E se você fizer besteira pode perdê-lo também. Acho que todo tipo de embasamento possível é importante para o profissional, e levo a sério o que eu faço. Não acho que seja necessário ter certificações para ser um bom profissional, e nem que todo profissional certificado é bom. Mas eles são sempre um ponto de referência, como o DRT para nós aqui no Brasil. No caso do tribal, são os dois cursos formais com formato fechado que temos atualmente: o GS TT e o 8 Elements da Rachel Brice.


BLOG: Como você enxerga a cena tribal hoje, quando todos já tem conhecimento sobre o que é o ATS® e sua importância para o tribal fusion? Na sua opinião, o quê precisa ser melhorado, aperfeiçoado e até mesmo mudado no comportamento da tribalista(o) brasileira (o).
Acho incrível que todos tenham conhecimento sobre o que é ATS® e da sua importância para o Tribal Fusion, e claro que temos alguns excelentes profissionais em ambas modalidades. Mas no geral, acho que ainda falta mais embasamento. Essa dança não é uma dança livre, é uma dança que tem história, que tem raízes e origem. Se tratarmos como qualquer coisa, qual será o futuro do tribal? Não vejo como muito promissor. Se queremos que seja um estilo que é respeitado no meio da dança em geral, precisa desses fundamentos, desse respeito. Se cada um fizer qualquer coisa que der na telha e chamar de tribal, não tem como obter um status de arte mais elevado (que por sinal foi a primeira intenção do tribal – elevar o status da Dança do Ventre). Para isso, falta mais estudo de história, mais estudo de técnica, mais entender dos “porquês" e "comos”, menos opinião e mais estudo.

BLOG: Hoje contamos com diversos recursos de estudos. O próprio FCBD® vem lançando materiais muito bons nos últimos anos. Em relação ao estudo de ATS®, que dicas você daria para aqueles que ainda não podem estudar com uma professora do estilo, mas que gostariam de aprender mais sobre o mesmo, tanto na teoria quanto na prática?

Sinceramente, acho que nesse caso a primeira coisa é aprender a se virar com o inglês. Fica muito difícil estudar sozinha por vídeos e pela internet se você não lê textos em inglês e não entende as instruções dos DVDs. Vale o investimento pra dança e pra vida. 

No site do FCBD® existem diversos recursos atualmente;além dos DVDs, você pode comprar o pacote de aulas online e fazer as aulas com a Carolena, como se estivesse no estúdio em São Francisco. Mas junto com esse estudo autodidata, recomendo ao menos uma professora de dança do ventre para consultar; ou aprender por si só, estudando outra modalidade, como a yoga, por exemplo, alguns princípios de postura e anatomia. É primordial que você pratique de forma que seja segura para seu corpo. 


BLOG: Em 2011 você criou o Pandora Tribal e, posteriormente, em 2013, criou o TiNTi. Como é fazer parte de um grupo de ATS® e   qual a importância que você encara no estudo do estilo?  Conte-nos como surgiu a TiNTi, a etimologia da palavra, seus integrantes, qual estilo marcante do mesmo e se ele sofreu alguma mudança estrutural ou de estilo desde quando foi criado até agora.
Fazer parte de um grupo de ATS® é por em prática o que você aprende na teoria. O ATS® só faz sentido quando em conjunto. Aí é que você entende. Não existe ATS® sem grupo/dupla.

TiNTi
TiNTi é "tilintar" em Esperanto. O nome faz menção ao som dos snujs e escolhi Esperanto por ser a tentativa de uma língua universal, exatamente como o ATS®. Desde o começo somos eu e a Anna Cláudia, escolhemos o nome juntas e mudamos a grafia para algumas letras maiúsculas para fazer uma brincadeira com "TNT" e explosão. Nos divertimos muito dançando e estudando juntas; e somos amigas fora e antes da dança, então isso se reflete no nome e no que criamos juntas quando dançamos. Essa é a nossa diferença de estilo: uma coisa mais leve, não nos levamos tão a sério. Levamos a dança a sério apenas!



BLOG: Em 2015, o Festival Campo das Tribos trouxe, pela primeira vez no Brasil, a criadora do ATS®, Carolena Nericcio, e Megha Gavin, ministrando os cursos TT e GS.  Como foram os preparativos e expectativas para sua vinda? Podemos dizer que foi um marco na história da cena tribal brasileira? Qual mensagem você gostaria de deixar para as novas sister studios?
Estive com a Rebeca durante um bom período dos preparativos e posso dizer que não foram nada fáceis! Sem dúvida foi um marco na cena tribal brasileira e colocou o Brasil, que já estava na rota tribal há muito tempo, mais na rota ainda! Às novas Sisters gostaria de dar os parabéns e lembrar que agora fazem parte do pequeno grupo de pessoas responsáveis por espalhar o ATS® bem bonito pelo Brasil e pelo mundo. Usem esse "poder" de forma consciente e responsável, e lembremos que não podemos parar nunca de estudar! ;-)

BLOG: Você é uma das bailarinas do corpo inicial de tribaldancers e coreógrafa da Cia Dancers South America(DSA),formado em 2010, dirigida por Adriana Bele Fusco. Como surgiu a oportunidade de fazer parte do DSA ? Comente como foi coreografar um grupo tão amplo e diversificado como este. Qual é o processo de criação para as coreografias de Tribal Brasil neste grupo ?
DSA 2010 -  1ª formação
Eu trabalhava com a Adriana há um bom tempo já quando ela teve a idéia para o DSA. Participei de tudo desde o começo, escolhi com ela o elenco para o tribal, escolhemos juntas as músicas e figurinos. Foi uma experiência muito enriquecedora. Foi a primeira vez que coreografei para profissionais, então realmente fiz o que queria, sem ter que me preocupar se elas iam conseguir executar, simplesmente criei! Não sei a respeito do Tribal Brasil, pois quem coreografou foi a Kilma Farias. Fiz as coreografias de Tribal Fusion e precisávamos pensar não somente na coreografia em si, mas em como passar todas as mudanças de formação, desenhos e trocas para o restante do elenco à distância. Isso foi um desafio à parte!

BLOG: Gostaria que comentasse um pouco a respeito do Projeto Lua Nova de Jade El Jabel, que você participa desde 2010, sempre desenvolvendo lindas coreografias.
Projeto Lua Nova 2011de Jade El Jabel
Como falei anteriormente, fui aluna da Jade por uns dois anos. Aí em 2010 ela me convidou para criar para as alunas dela  uma coreografia de tribal para o projeto. Depois comecei a dar aula no Dumuaini (estúdio da Jade) e integrar o projeto nos dois anos seguintes.



BLOG: Em seu blog sempre vi muitos questionamentos relacionados a dança tribal, principalmente desenvolvida em outros países que não sejam o berço da dança, os Estados Unidos. Na sua opinião, traçando tanto um panorama mundial quanto local, em relação ao Brasil, desde que você estuda a dança, o quê melhorou  e o que precisa melhorar? Quais são as indagações e lacunas que o Tribal Fusion ainda perpetua por ser uma dança recente e em evolução?
Vejo uma fase meio confusa para o Tribal mundial. Muitos sabem da importância do ATS® na história do Tribal Fusion, mas muitos ainda se recusam a entendê-lo mais profundamente. Por conseqüência, muitos praticantes têm dificuldade em delimitar essa linha do que ainda é tribal e do que passa a ser somente fusão. Essa resposta só vem com uma compreensão mais abrangente do histórico do estilo, de sua árvore genealógica mesmo, de onde foram vindo as mudanças no ATS® até “virar” Tribal Fusion; e como o Tribal Fusion foi mudando e se afastando cada vez mais do ATS®  e como daí chegamos aonde estamos. Nessa coisa totalmente sem forma, onde muito debate existe, mas se chega a poucas conclusões. Fusões cada vez mais “fusionadas” vão sendo feitas, e pouco de tribal vai ficando. Sendo que um mínimo estudo dos fundamentos do ATS® já clareia tanto essa questão do que é realmente tribal. Resumindo, atualmente vejo muito fusion e pouco tribal.  
BLOG: Já vi algumas indagações em sites estrangeiros da importância que alguns bailarinos sentem das precursoras do Tribal Fusion direcionarem melhor o estilo para não provocar tais confusões com relação a dança. O quê você pensa sobre o assunto? Na sua opinião, por quê  você acha que isso ainda não foi feito?
Acredito que como artistas, as precursoras não sentem essa necessidade. O mesmo ia acontecer com o ATS®, até que a Carolena segurou as rédeas e definiu o estilo para o restante do mundo. Ela podia fazer isso pois foi ela quem criou tudo. O Tribal Fusion tem algumas pioneiras, mas ninguém se posicionou sobre isso para dizer o que "pode" e o que "não pode". Com exceção da Rachel, que sacramentou seu estilo e criou seu formato, o restante não se manifestou a respeito. Mas para mim, o que o olhar destreinado não enxerga, é que as pioneiras do tribal americanas tem o tribal em seu DNA. A memória muscular é uma coisa muito difícil de se mudar completamente, então, se uma das que sabemos serem pioneiras faz uma fusão bem maluca com contemporâneo, na sua memória muscular ainda existem as técnicas do tribal. Portanto, sua execução será tribal. E sua dança também. É somente isso. Isso é Tribal Fusion pra mim.


BLOG: Como é ser blogueira? Descreva um pouco sobre o seu blog.
Comecei meu blog a 5 anos numa tentativa de dividir o que eu estudava, minhas experiências e impressões com outras pessoas. Sempre fui muito atrás de informações e por isso sempre descobri muita coisa. E sempre soube o valor de poder encontrar informações confiáveis. Não sou uma blogueira muito fiel, já deixei o blog praticamente esquecido mais de uma vez, mas esse ano um dos meus compromissos é voltar a escrever semanalmente!

BLOG: Na sua opinião, o quê é tribal fusion? 
Minha opinião continua a mesma a muitos anos: Tribal Fusion é a fusão de ATS® (que é por si só um estilo de fusão, mas com técnicas e princípios muito bem definidos) com outras danças. 

BLOG: O quê você mais gosta no tribal fusion?
Muitas coisas. O resgate de muitos arquétipos femininos numa leitura contemporânea; a liberdade de expressão, liberdade na escolha musical, uma estética própria e influências próprias, sua força. Podemos trazer muito do nosso background para o palco. Ao mesmo tempo, reconheço que essa é sua "ruína",  pois acaba-se por perder as referências sobre o que realmente constitui o estilo. Essa coisa anamórfica é, ao mesmo tempo, o que o torna interessante e imprevisível. Mas mesmo dentro de toda inovação, acho que devemos levar a essência do estilo, senão, como já disse, vira qualquer coisa.
  
BLOG: Como você descreveria seu estilo?
Sempre busquei ter esse DNA tribal no meu corpo, na minha memória muscular, para sentir que o que eu produzo carrega a força que me fez amar o estilo. Já me senti mal por isso, já me senti bem por isso, e hoje acredito que essa é a única maneira para mim. Sempre vou valorizar esse aspecto técnico firmado no ATS®, ainda que eu mude algumas coisas para meu Tribal Fusion, quero poder olhar meu trabalho e ver que tem raiz ali. 


BLOG: Como você se expressa na dança?
Me expresso desde o lugar que escolho para colocar o grampo no cabelo até a maneira que decido usar para agradecer e deixar o palco. Toda escolha na dança é uma forma de expressão. E quando você dá aulas, se expressa dividindo sua paixão e visão de dança e de mundo com os outros. Ah, e me expresso pelo meu blog! 

BLOG: Quais seus projetos para 2015? E mais futuramente?
Em 2015 estou retomando meu trabalho no tribal com força total e, mais futuramente , pretendo expandir o público do tribal, quero levá-lo para novas plateias e novas possibilidades. 


BLOG: Improvisar ou coreografar?E por quê?
Os dois. Ambos são igualmente importantes e enriquecedores, além de se complementarem.


BLOG:  Você trabalha somente com dança?
Atualmente sim.

BLOG: Deixe um recado para os leitores do blog. 
Tente entender o tribal. Entendendo realmente o estilo você terá muito mais inspiração e liberdade para se expressar real e unicamente, de uma maneira que acredito que poucas danças permitem. Se tiverem dúvidas, pode mandá-las pelo Facebook (Mariana Quadros)  ou pelo email (marianaquadros@outlook.com). Ficarei contente em ajudá-los em suas pesquisas!


Contato
E-mail:
 marianaquadros@outlook.com
Website: 



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