Bindi ou Terceiro Olho

por  Aerith*, Anamaria & Surrendra



Quem nunca se perguntou o que é o enfeite que as mulheres indianas usam na testa?

Sua curiosidade aumentou mais ainda quando viu bailarinas dançando com ele?

Neste post vamos falar do bindi e desvendar o misterioso brilho deste adereço.



A relação entre o bindi e a pineal





A glândula pineal ou epífise tem forma ovóide, semelhante a uma pinha (daí deriva-se o seu nome), do tamanho de um caroço de azeitona e situa-se próxima ao centro do cérebro, posteriormente aos dois tálamos. Sua função está ligada ao ciclo do sono/vigília, ciclos circadianos, secreção de melatonina, relacionando-se com o fotoperíodo e, consequentemente, importante para reprodução animal.

Seus primeiros estudos datam de 300 anos a.C. No âmbito filosófico, podemos mencionar o trabalho do francês René Descartes (1596-1650), o qual atribuía a essa glândula o ponto entre a união do corpo e da alma. Segundo Descartes, a matéria e a consciência/ pensamentos são independentes, isto é, a “nossa consciência individual é separada do corpo e continua a existir mesmo sem o corpo”. Então, o nosso corpo e alma se comunicam de forma estreita, através da pineal, ou seja, é um local único onde toda a informação se converge, sendo considerada a “sede da alma”. 



Atribuía-se a este órgão endócrino funções transcendentais, sendo conhecido também como “terceiro olho”, devido a semelhança desta estrutura com o órgão da visão. Embriologicamente, ela deriva de células neuroectodérmicas do diencéfalo, desenvolvendo a partir de evaginações medianas que deixam o encéfalo anterior, originando a glândula pineal e a neuro-hipófise, possuindo um vestígio óptico. Todavia, sua função, em mamíferos, não possui ligação direta com a visão.  Li e achei interessante esta expressão: “olhos da mente”, pois esta glândula não deixa de ser um tipo de “receptor” da variação luminosa do meio externo. Em muitas espécies de peixes e répteis, contém células fotorreceptoras, por isso, sua constituição é semelhante a dos olhos laterais (córnea, lente e retina), sendo considerados neurologicamente funcionais nestes animais.

Terceiro olho em réptil

Em outras religiões, filosofias ou mitologias, a pineal tem vários significados. Na mitologia egípcia, esta glândula é análoga ao olho do deus Horus ( udyat), considerado o deus do sol nascente, que  simboliza poder e proteção. Existe uma lenda que conta que o deus Seth arrancou o olho esquerdo de Hórus, que acabou sendo substituído por um amuleto. O olho direito representa o sol e a masculinidade; já o esquerdo, representa a lua, simbolizando o feminino, “com pensamentos e sentimentos, intuição, e a capacidade de enxergar um lado espiritual”.


Os praticantes de yoga e hiduísmo consideram este como o “ajna chakra”, que leva ao autoconhecimento. Na Índia é considerado o “olho de Shiva”, o “olho que tudo vê”. Este ponto é responsável pelo desenvolvimento da espiritualidade. Há dois chakras ou centros de energia, um é o frontal localizado um pouco acima das sobrancelhas, ligado à capacidade intuitiva, percepção sutil, “sexto sentido”, clarividência; o outro é o chakra coronário, localizado no topo da cabeça; ambos são identificados com a pineal.

Sobre o bindi


O ponto sobre a testa é considerado um ponto principal neural em um corpo humano desde os tempos antigos. O destaque deste ponto é comumente usado em vários países do sul da Ásia ( Índia, Bangladesh, Nepal, Sri Lanka e República de Maurício) . Em tradições exotéricas também representa o chakra ajna (sexto sentido, terceiro olho ou olho da sabedoria). A área entre as sobrancelhas é um centro de sabedoria e bindi é uma maneira como enfatizar a área do terceiro olho - é um ponto onde você concentrar sua atenção durante a meditação.

No hinduísmo, usa-se o bindi, sinal usado entre os olhos ou no centro da testa. Ele também é conhecido como bindi, na língua Hindi, derivada da palavra  bindu em Sânscrito, que significa “ponto”;  pottu em Tamil; conhecido também como kumkum, mangalya, tilak, sindhoor, entre outros nomes.

Vaishnavites (seguidores de Vishnu) usam uma marca em forma de “V” neste ponto, 
chamada de urdhva-pundra

Bindi tradicional tem cor vermelha ou Bordeaux. É um feito com  Vermilion (“vermelhão” ou Vermelho chinês: sulfeto de mercúrio vermelho brilhante finamente pulverizado) ou uma pasta de sândalo colorido ou cúrcuma colocado cuidadosamente sobre a testa com os dedos até formar um ponto vermelho regular. “Considerado o símbolo sagrado de Uma ou Parvati, o bindi simboliza a força feminina (shakti) é acredita-se que proteja as mulheres e seus maridos.”



Existem muitos tipos de marcas na testa, conhecidos como tilaka em Sânscrito, e cada uma delas representam uma ramificação do hinduísmo.  Alguns exemplos: hindus vaishnavas usam um tilaka em forma de “V” feito de argila branca; tilakas elaborados são usados por hindus em eventos religiosos. A maioria usa um simples bindi, demonstrando que são hindus. 

Os seguidores de Shiva usam o shaivite tripundra tilak, formado por três linhas horizontais
''Os homens não usam o bindi, usam apenas o tilak em cerimônias ou ocasiões próprias. Isso porque as mulheres, por sua natureza mais sensível, conseguem com maior facilidade despertar a kundaline (energia em estado potencial localizada na base da espinha dorsal). Essa energia sobe pelos chakras e une o consciente ao subconsciente fundindo em uma só entidade universal todos os elementos de dualidade. Esse despertar do sexto sentido ou abertura do terceiro olho muito comum nas mulheres que não têm essa energia abafada ou reprimida é conhecido na Índia e no ocidente como a famosa “intuição feminina”, uma qualidade de extrema importância para os indianos.''


Com o tempo, o bindi tornou-se essencialmente uma questão de decoração e hoje em dia este adorno é usado por mulheres e meninas, não importando  a idade, estado civil, crença ou origem étnica. Muitas, inclusive, sequer tem conhecimento do porque da tradição e usam livremente como adorno, ou nem mesmo o usam, provavelmente dada à uma certa ocidentalização da cultura local. Além disso, o bindi não é  mais limitado pela cor nem forma e bindi ornamental auto-adesivos são comumente disponíveis.

No ocidente, o uso do bindi é feito muitas vezes como forma de auto expressão, conotando uma tendência da pessoa à filosofias orientalistas, hippies ou boêmias. Este uso divide opiniões e costuma ser tratado como apropriação cultural, não sendo bem visto por algumas pessoas.



Bindi e o Estilo Tribal


Bindi provavelmente entrou neste estilo de dança quando as raízes de um estilo tribal estavam se formando (Jamilla Salimpour); quando a ideia era adotar elementos étnicos nos trajes, adornos e jóias, principalmente da Ásia. 

Neste momento, no entanto, o caráter de bindi usado para a dança mudou. Sem mais pontos coloridos em pó foram aplicados entre as sobrancelhas, o bindi tornou-se um pedaço sólido de joalheria colada a uma testa por um adesivo.


Hoje em dia, bindis são usados por quase todos os  dançarinos em uma enorme variedade de estilos.

Bindis auto-adesivos são pouco utilizados no estilo tribal, ao invés disso, bindis metal de tamanhos variados com cristais podem ser usados para apresentações estilo.






O mais comum é o uso de bindis maiores, de cores variadas e com aplicações de materiais diferentes como resina, cristais, diferentes tipos de metais, madre-pérola e cerâmica fria. 


Como variantes para outros sub-gêneros de fusão tribal, também compõem  de penas e outros materiais como bindi. 


O bindi é um acessório muito apreciado, mas não é um pré-requisito para um figurino Tribal. É uma questão de gosto de cada dançarino.




Deixamos para vocês um tutorial de como criar seu próprio bindi:





*Neste texto há também a contribuição de Aerith

Estilos de música no ATS®

por Dany Anjos | Nomadic Tribal
Professora de ATS no Espaço Romany
 em São Paulo e integrante do Nomadic Tribal ATS



Muitas são as dúvidas quando falamos de qual estilo de música podemos usar para dançar ATS®, já que o repertório é dividido em movimentos rápidos e lentos, e dançamos improvisando. Que cuidados devemos ter para escolher uma música para nos apresentar? Claro que musicalidade se ganha com muito tempo de estudo, não é fácil, e isso não acontece só no ATS®, mas a criadora do estilo Carolena Nericcio- Bohlman separou bem o repertório de passos e dá dicas que nos ajudam muito na hora de escolher.

Lento e Lento dramático

Uma música lenta é caracterizada por uma melodia suave. Uma canção lenta pode ter o uso só de um instrumento de sopro, por exemplo, ou mais instrumentos;  os movimentos do corpo devem fluir com a música, não é rítmico, geralmente usamos movimentos como o taxeem, bodywave, arm undulation, bellyroll, ribcage rotation e torso rotation.

Vídeo 1, o lento ( até os 2:10):


Podemos confundir o lento quando um tambor é usado, por exemplo; porém se estes estiverem sendo tocados de forma mais lenta,  temos também um lento, isso pode causar muitas dúvidas. Existe uma batida, um ritmo, porém não pode ser considerado como rápido ( isso falando dentro do repertório de passos rápidos do ATS®). Uma boa maneira de tentar identificar isso, é tentar fazer um passo básico  rápido como o shimmie. Se não conseguir executar, é porque essa música é lenta, podemos neste caso usar movimentos lentos mais elaborados, que usam deslocamentos, combos, como por exemplo o Sahra turn ,Wrap around and turn, Reverse turn, entre outros. Também existem músicas de lento dramático que usam outros elementos como acordeon, gaita, snujs e tambores variados.

Vídeo 2, a música começa com um lento dramático até os 3:43, após a musica acelera, se tornando rápida, o uso dos snujs e passos rápidos entram em ação:

  

Rápido

E no rápido, como faço? Na verdade não tem muito segredo, segundo a própria Carolena:

“Rápido, é um pouco mais simples, se você consegue fazer um shimmie ou um básico egipicio, sem sentir que está perdendo o equilíbrio, é uma música rápida.”
(Carolena Nericcio-Bohma)

Alguns ritmos podem ser considerados um médio rápido como o Maksoun, Baladi, Saiid, que  tem 4 tempos; e outras músicas podem ter uma contagem diferente como uma música turca, por exemplo, que geralmente tem 9 tempos. É necessário sentir essas diferenças na hora de escolher. Isso acontece estudando os estilos, ouvir e ouvir, conhecer alguns instrumentos. A musicalidade é muito importante para saber distinguir, ou a escolha pode atrapalhar a dança, e os passos podem não ser executados corretamente, já que temos que seguir uma contagem.

As músicas folclóricas no geral são ótimas para o tribal. Os cds do Helm são uma ótima referência para musicas de ATS®.

Vídeo 3 FatChance com o Helm:


Música oriental arábe

O ATS® tem grande influência árabe, mas e a música clássica árabe? Podemos usá-la no  tribal? Melhor não, pois trata-se de uma música com muitas mudanças no andamento e, usualmente, espera-se que a dançarina demonstre alguma emoção. No ATS®, quando estamos dançando um repertório rápido, demostramos nossa alegria sorrindo, porém não fazemos alguns movimentos, como por exemplo, olhar para cima, para o chão ou lado sem que seja intencional; na maior parte do tempo ficamos atentas a líder e suas senhas, o contato com a platéia é menor, sendo assim, o recomendado é  que as musicas clássicas sejam utilizadas em solos.

Música eletrônica? Pode?

No princípio pode soar estranho dançar ATS® com música eletrônica, mas algumas cabem perfeitamente. Se usarmos sempre com moderação, sim, é possível! Procure usar músicas com diferentes texturas, somente batidas eletrônicas não é apropriado.

Vídeo 4 música com batidas eletrônicas e diferentes texturas:




Aprendiz, sempre!

por Thalita Menezes

Geralmente quando começamos a praticar uma nova modalidade de dança por livre escolha, seguimos com entusiasmo todas as instruções do professor. Podemos apenas aceitar seus comandos, e lembrar de como é difícil e dolorido fazer os movimentos parecerem com os dele, ou então, atentar para os processos de equilíbrio, coordenação, vigor que acontecem em todo nosso corpo e suas respostas.

O aluno pode ser naturalmente questionador, ou tornar-se a partir de incentivos vindos de seu mestre. Quando o aluno tem esse pensamento desde cedo, ele pode vir a se tornar um professor ainda mais sedento, reflexivo, pensador e não apenas executante da dança. A cabeça fica mais aberta para questões mais relevantes e a Dança evolui de forma significativa.

Hoje, como professora de Dança do Ventre e Tribal, pesquiso a respeito dos assuntos que envolvem ambos estilos e procuro relacioná-los com nosso corpo, tempo e sociedade. Sempre me perguntei: “Por que ‘cavalo de pau’?”, “Porque ‘oito maia’?”, “Por que ‘Escorpião’?”. Quando haviam respostas eram sempre do tipo “Não sei, mas parece com este desenho.”, ou então “É por causa da região onde originou o movimento.”... “Enfim, é feito com uma suave flexão de joelhos, lateralização do quadril, meia ponta, etc...”

Quando a gente dança se preocupando apenas com o resultado, ignoramos o verdadeiro sentido da dança, em quem, desde a pré-história, o sentimento de alegria, comemoração e gratidão predominavam sobre qualquer técnica. A dança simplesmente acontecia.


O resultado como justificativa dos meios tem se tornado muito comum em vários estilos de dança e a Dança contemporânea (um jeito novo de pensar a Dança) aparece como alternativa para resgatar a importância do processo como justificativa dos resultados.

Como exemplo, posso citar um exercício que tive a oportunidade de fazer em um Workshop com o professor João Junior (RN) em São Paulo.

Num primeiro momento, o professor-condutor pediu para que os alunos vivessem cada segundo e não se preocupassem em alcançar um padrão de movimento, apenas sentir o gesto natural de seus corpos através de um determinado estímulo. Estávamos todos de olhos fechados deitados ao chão sentindo nossa respiração. Aos poucos incorporávamos um passarinho em nossa bacia. A ave, por sua vez, subia pela nossa coluna fazendo movimentar cada uma de nossas vértebras. Naturalmente estávamos deslocando pelo espaço e nos comunicando com os colegas em cena. A qualidade do movimento que cada um representava dependia da estrutura anatômica do seu corpo, da força de seu passarinho e seu estilo de vida. Tocávamos e sentíamos a influência do outro e do espaço sobre nossa movimentação. Eram movimentos sinuosos, cadenciados, grossos, finos, tortos, retos, rápidos, lentos... Ninguém igual a ninguém e todos movidos por uma intenção. As coisas aconteciam de dentro para fora, dissipando uma energia incrível! Em momento algum o professor citou nomes de movimentos como metas a serem alcançadas, muito menos demonstrou o que deveria ser feito e, mesmo assim, senti e vi tudo aquilo como um prato cheio para sensibilização corporal para os isolamentos presentes na Dança do Ventre e Tribal.

Está aí! Se me falassem agora que a ondulação frontal que executamos com a bacia e o tronco chamasse passarinho, acreditaria fácil!

Professor, o que de fato devemos ensinar primeiro ao aluno? Quais respostas um corpo “cru” e um corpo com experiências dançantes apresentam ao receber o comando de “camelo invertido”? Bailarino, o que sentimos ao fazer cada movimento? Cansaço? Dor? Prazer? Nada? O sorriso que você expressa ao dançar vem de dentro para fora ou de fora para dentro?

Com a ajuda de outros profissionais de Dança do Ventre e Tribal presentes atualmente pelo mundo, vou tentando buscar algumas respostas que nortearão o ensino da dança de acordo com sua verdadeira essência.

Uma das coisas que aprendi com a Educação Física foi o trabalho com pessoas e para pessoas cuidando do corpo e sua educação. Entendi que o corpo, como matéria prima, precisava familiarizar-se com as questões que o faz ser como é: corpo físico, corpo social, corpo sentimental, enfim, corpo dançante. A partir dessa concepção passei a eliminar qualquer preocupação excessiva sobre os detalhes de figurino, execução obrigatória de um movimento que não me simpatizava e com que o outro iria pensar e falar da minha dança. Em contra partida passei a investigar a origem do movimento, a cruzar os olhares e tocar o corpo de quem contracenava comigo e, o mais importante, observar os bailarinos amadores e profissionais de forma impessoal.

Colegas que dançam, podem ou não apresentar um trabalho legal em um dia, mesmo sendo professor há anos e, num ponto de vista avaliativo, tenho o dever de ser verdadeira e auxiliá-lo quando pedir minha opinião. Assim como gostaria de saber a verdadeira opinião de um profissional da dança que certamente tem muito a oferecer. Sabendo ouvir e filtrar as críticas, certamente seremos respeitosos na hora de avaliar, ajudando também o próximo. Não é tarde para reforçar que o aprendizado nunca termina e muitas vezes ele pode estar bem perto de você e acessível financeiramente.

Libertando-se de preconceitos, paradigmas e vaidade, abrimos um leque de possibilidades para trabalhar o nosso corpo de forma física e sentimental, através do toque e da observação. A nossa dança fica mais verdadeira, saudável e única.

Não tenho rixas, muito menos inimigos na dança. Ser discordada ou não ser agradada não me faz “virar a a cara” pra ninguém, simplesmente aumenta minha curiosidade em conhecer novas concepções de um ser cheio de personalidade e peculiaridades.

Defendo a liberdade de expressão que me possibilita ouvir, questionar, brigar pelos meus direitos, ser entendida, ser discordada, investigar, tocar, sentir... Aprender, compartilhar e entender o processo fisiológico, sentimental, anatômico, comportamental e psicológico dos corpos dançantes.

Fico feliz por ver bailarinos e professores de qualidade surgindo a cada momento, pois, além de mais uma fonte de estudo, posso compartilhar experiências com aqueles que também têm os mesmos questionamentos e contribuir com a Dança do Ventre e Tribal do nosso tempo. Para finalizar, gostaria de agradecer a todos os professores, alunos e bailarinos que, mesmo sem me conhecerem, direta e indiretamente, contribuíram para minha formação.


Palavras chaves: aprendizado, experiências, corpo dançante, reflexão, extensão do conhecimento.


Papo Gipsy por Sayonara Linhares


Papo Gipsy
Sayonara Linhares, Florianópolis- SC, Brasil

Sobre a Coluna:

Nesta sessão irei abordar temas relacionados ao universo cigano: cultura, dança, curiosidades e muito mais!!

Sobre a Autora:



Sayonara Linhares começou sua trajetória dentro da Cultura Cigana há mais de 14 anos. É proprietária da Casa Z – Cultura e Dança Cigana de Santa Catarina e professora de dança, pesquisadora incansável desta rica cultura, onde tem como objetivo propagá-la de forma fiel, respeitando seus costumes e tradições. Ministrante do Curso de Aprofundamento de Cultura e Dança Cigana em diversos lugares do país como Curitiba, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, entre outro lugares.

Profissional de Medicina Tradicional Chinesa, praticante de Artes Marciais, participa de espetáculos e desenvolve trabalhos sociais promovendo esta rica cultura.



















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Amostra Steampunk PARTE 1

por Geisiane de Araújo

Steampunk

Como Tribal Fusion Bellydance ganhou impulso, novos gêneros e estilos começaram a ser incorporados no Tribal Fusion, assim como a moda steampunk com seus costumes de música e dança. 

Para quem não conhece, Steampunk é um estilo literário, originado da literatura Cyberpunk, em que consiste a uma era tecnológica movida à vapor. Steam: Vapor; e Punk: que vem do Cyberpunk. Seus adeptos, geralmente chamados de "steamers" ou individualmente"steamer", incorporam principalmente a era vitoriana e a  tecnologia movida à vapor ao seu visual.


Abney Park 



É uma banda de steampunk baseada em Seattle que mistura elementos de industrial dance, world music e letras de influência steampunk. Seu nome vem do Cemitério Abney Park, em Londres. Anteriormente, uma banda gótica, Abney Park transformou sua aparência e som, passando a ser conhecida por alguns como "excelência" de banda steampunk.





The Violet Tribe 



É um projeto de dança underground que mistura música e dança do ventre tribal. Caracteriza-se pela combinação de elementos visual e auditiva; música, letra e dança são elementos iguais e constitutivos do conceito subjacente.





Deadly Nightshade Botanical Society 



É uma banda steampunk fundada por Robert Hazelton (ex - Abney Park) em 04 de agosto de 2007.

Após vários meses de composições, a banda começou a trabalhar em seu primeiro álbum: Clockwork Dreams. A banda está atualmente trabalhando em seu segundo CD e eles adicionaram Robert Gardunia como baixista.





The Clockwork Quartet 



É um projeto multimedia vindos de Londres. Ele inclui música, jogos e um romance gráfico belíssimo disponível em seu site: www.clockworkquartet.com





Cabaret Decadance 



É um projeto teatral com dançarinos e vocalistas que são acompanhados pela harmonização de uma banda de jazz com estilo cigano. Liderados por creatrix e um contador de histórias chamado Clare de Lune. A trupe brinca com a canção totalmente integrada a dança em um estilo slap-stick.



Beat Circus



É uma banda de Boston, Massachusetts, liderada pelo multi-instrumentista / cantor e compositor Brian Carpenter, que tem sido o seu único membro constante desde a sua criação.

Canções da banda são caracterizadas por arranjos exuberantes, instrumentação eclética, e temas líricos de amor, morte, religião e mitologias americanas. A música inspira-se fortemente a partir de vários gêneros diferentes, incluindo música experimental, clássico moderno, cabaret, música de circo, steampunk, entre outros.







Ghawazee

por Sayonara Linhares

Olá meus amigos adoradores das danças do mundo, meu nome é Sayonara Linhares, sou pesquisadora e professora de Danças Ciganas. Feliz 2015 à todos, cheio de muita saúde e muitas Danças, é claro rssss...

Começando nosso ano quero deixar aqui para nosso primeiro contato e estudo um pouco da Dança Cigana que se formatou no Egito que hoje é conhecida por todos como Ghawazee, a qual também faz parte do folclore árabe.

Espero que apreciem e boa leitura, boas pesquisas, bons estudos...


Ghawazee

Nas cidades egípcias, uma dançarina de rua comumente contratadas para festas independente do motivo da festividade é conhecida como ghazia que no plural se pronuncia ghawazee. As ghawazee originais eram ciganas, atualmente, este é um termo genérico que não identifica uma tribo em especial o que acontecia em outras épocas. O papel importante que os ciganos desempenharam na evolução das danças que se diziam profanas foi registrado na língua turca onde os antigos termos que se davam as dançarinas em turco era cengi que deriva de cingene que significa Cigano.

Na língua egípcia, Ghawazee significa "Invasoras de Corações" ou simplesmente "Estrangeiro". É sabido também que os ciganos naquela época vivam na periferia das cidades às margens da sociedade. É que dentro da cultura cigana a sua caminhada pelo mundo chamada de a Primeira Grande Diáspora, onde eles saíram da Índia e se dividiram em dois grandes grupos chamados de:

O grupo Pechen, que se dirigiu à oeste, chegando na Europa através da Turquia e daí chegando a Grécia.

 E o grupo Beni, que se dirigiu ao sul, chegando a Síria, Palestina e Egito. Falaremos sobre esta grande caminhada em outros momentos de nossas postagens.

Mas o grupo Beni foi o grupo de ciganos que foram também para no Egito formando assim a dança que ajudaria a formatar a Dança do Ventre no mundo, isso segundo meus estudos de pesquisa sobre Folclores e Danças Sagradas.

Continuando a história, os ciganos chegaram ao Egito e lá fora se misturando toda a sua carga de cultura de seus países anteriores, como Israel e Índia, com a cultura egípcia, formando assim sua dança única que encantava e roubava corações.

Uma das famílias mais celebres da Dança Ghawazee encontramos a Família Mazin onde "Yousef Maazin, pai de uma das mais famosas ghawazee de hoje em dia, que habitava perto do templo de Luxor, nos lembra que sua tribo era originária da Persa. Ele admitiu que foram expulsos de sua pátria em razão dos roubos que cometiam e de sua má reputação de modo geral. Ele também explicou como encorajavam a vocação artística de seus filhos e filhas a fim de poderem se estabelecer no Egito.”


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Uma família de Ghawazee é composta por músicos que são a maioria homens e as mulheres são as bailarinas. A presença destas mulheres na arte, na música e nos costumes é inegável e atravessa os séculos. Os símbolos tatuados na face, nas mãos e nos pés, tinham o sentido de proteção e eram amplamente difundidos no passado, muito mais do que no presente.

No início do século XVIII, com a chegada de Napoleão ao Egito, buscando por uma nova rota para as Índias, deu-se a primeira expedição organizada a esta parte do mundo. As Ghawazee neste momento eram conhecidas como Banat el Baladi.

Durante várias vezes na história, este povo foi perseguido e, nestas fugas, concentraram-se mais nas regiões do Delta do Nilo (baixo Egito, ao Norte) e na região de Saaid (alto Egito, ao Sul). Por isso, existem 2 tipos de dança ghawazee: 

  • a do Norteno baixo Egito, no Delta do Nilo,  - soumboti, mais antigo;
  • a do Sul
    no
     alto Egito, na região de Saaid (próximos a Luxor e Assuan), com influência Saaid.

As Ghawazee do Sul sofrem influência do Saaid, por isso neste tipo de música ghawazee aparecem o rabeb (que é um tipo de violino, de apenas 1 corda) e mismar saaid (que é mais agudo que o mismar balady). As músicas vem nos ritmos malfuf, masmoudi, falahi e saaid (estes ritmos vão se misturando).


Soumboti




Um tipo de dança ghawazee. É da região de Soumboti (Delta do Nilo-Baixo Egito). Segundo Soraia Zaied, bailarina brasileira de renome no Egito, ela é a 'mãe' da dança do ventre, sendo a primeira versão desta, a base da dança que conhecemos hoje. A dança é muito despreocupada com técnica: quadris muito soltos, pernas mais afastadas, joelhos flexionados, braços muito soltos, e a dançarina quase sempre toca os snujs. O pé sempre tem movimentos de “pipocar” alternado. O quadril é o centro deste tipo de dança, com muitos breaks, encaixes e desencaixes, batidas, shimis. 

A roupa tradicional é uma galabia muito simples, com pouco bordado.

As músicas são folclóricas, também chamadas de soumboti, no ritmo masmoudi (tocado bem mais rápido), falahi ou malfuf tocado rápida.

  
Vestimentas



Esta peça de vestuário folclórico, tem um contexto histórico de cerca de 1000 anos atrás, e era chamada Ghawazee Coats era usado na época vitoriana - final de 1800

A "antiga túnica", nome dado pelos antropólogos, muitas vezes referida como um "beledi vestido" por dançarinos e conhecido também por “galabia”.


Originalmente, era um vestido largo, sem corte, com um simples lenço na cintura que as ghawazees utilizavam em suas atividades diárias. Esse vestido foi popularizado por essas mulheres em suas danças e, como sempre, acabou sofrendo diversas modificações para chegar ao que se tornou atualmente.


  
 Este trage criado por ancestrais dos Banaat Maazin, utilizando contas e franjas , com diversos coloridos.


Acessórios

Os acessórios usados pelas ghawazee para sua dança são:

  •  Snujs: Entre as ghawazee os snujs são tocados improvisadamente enquanto elas dançam. O toque mais utilizado no acompanhamento da música é o “galope”, podendo utilizar a raiz do ritmo que esta sendo tocado para criar improvisações e floreios.


  •  Pandeiro Arabe (Daff): As ghawazee realizam alguns movimentos da dança em enquanto segura o pandeiro próximo ao quadril, acima do ombro ou da cabeça, por exemplo, como um elemento decorativo. Realiza também batidas do pandeiro em diferentes partes do corpo, como mão, cotovelo, ombro, quadril, joelho, tornozelo para marcar as partes mais forte da música, normalmente se faz batidas no pandeiro apenas nos acentos mais fortes da música, e nos outros momentos utiliza-se como elemento decorativo


  •  Bastão: Através de alguns vídeos observamos dançarinas ghawazee usando o bastão em suas apresentações, elas o utilizam de forma alegre e para mostrar suas habilidades com este acessório, podendo dançar em grupos passando o bastão e equilibrando junto ao corpo, como mostra no vídeo das irmãs Maazin.

Ritmos

Os ritmos que compõe a músicalidade das Ghawazee são o Falahi, Malfuf, Baladi, Maksoun, Said.



Espero que vocês gostem deste pequeno texto e que inspirem vocês ao estudo desta dança linda e de raiz.

 Até a próxima


FONTES:


Serpent of the Nile – Women and Dance in the Arab World  por Wendy Buonaventura -  Versão 1998 publicada por Interlink Publishing Group INC – New York. Versões anteriores 1989 e 1994 publicado por Saqi Books – Londres.





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