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[Resenhando - BA] V Dramofone - Espetáculo de Dança Tribal e outras hibridações

por Mariana Braga Figuerêdo
Salvador, Bahia - Brasil

Cartaz de divulgação
No dia 5 de Julho de 2015 aconteceu mais uma edição do espetáculo Dramofone, a segunda edição realizada neste ano, que tem direção da professora e bailarina Joline Andrade.

´O espetáculo DRAMOFONE leva a uma imersão em universos exóticos e híbridos, através da dança e música étnica e contemporânea, permeando por uma estética antique/retrô´, já começando pelo título do espetáculo, inspirado no Gramofone, uma invenção de 1887.

O espetáculo, sempre realizado em salvador com início em 2013, aconteceu no Espaço Xisto Bahia, e trouxe nesta edição a apresentação das alunas de turma iniciante e intermediária de Joline, apresentação das coreografias criadas para o encerramento do Curso de Formação em Tribal Fusion com Joline Andrade deste ano, e teve como convidado especial a Trupe Mandhala, grupo que eu faço parte.

Roteiro das apresentações
O legal de toda edição do Dramofone é que vemos não só bailarinos, mas também ocorrem apresentações de poetas, atores, cantores, tem música ao vivo, e há uma fusão linda de tudo com o universo da Dança Tribal. É uma troca muito boa de experiências, de conhecimentos, de visões de mundo.

Como de costume, todo mundo chegou mais cedo para passar palco e conseguimos assistir a de quase todos. É no ensaio que geralmente a gente consegue isso porque durante o espetáculo em si nem sempre dá pra assistir todo mundo por conta da correria, troca de figurino e tudo mais (é assim em todo lugar rs). Fiquei feliz de ter assistido a dos demais no ensaio, pois todos foram bem criativos em seus temas. Mais abaixo vou fazer um apanhado geral sobre o que cada um trabalhou em suas coreografias. Quando a gente se deu conta já estava pertinho do espetáculo começar e aí é correr pra se arrumar a tempo e ainda fazer um pouquinho de resenha no camarim, claro! Como de costume, antes do público entrar a Joline convida a todos os artistas para uma grande roda para fazer uma dinâmica meio oração para trazer bons fluidos para a apresentação a seguir.

A casa estava cheia, mas com um público super educado. Não teve barulho, conversa alheia nem celular. Eram só olhos focados no palco para absorver tudo que seria apresentado.

Nós da Trupe fizemos a abertura com a coreografia Volante Tribal, um trabalho lindo de Tribal Brasil.


Trupe Mandhala – coreografia Volante Tribal


A gente já dançou essa coreo com a Kilma Farias no Bailares aqui em Feira de Santana, já dançamos ela em quarteto, até em trio, mas no Dramofone a gente levou uma versão super completa com 7 pessoas no elenco. Uma das apresentações mais lindas desta coreo.

Release: Entre Águias e Gaviões, falcões e Caracarás, espalharam-se pelos sertões adentro, exploradores e percussores de um mito de coragem com aspas ao medo, onde a fome e a seca eram misturadas entre ritmos de passos de alpercatas e tiros, onde se foi intitulado de Volante um exército de justiça pelas próprias mãos nem sempre justas, onde adereços se mesclando com cheiros e cores, tornaram a nossa história atrativa para todo o mundo. Pelas mãos e voz de Bruno Bezerra, artista local da cidade de Feira de Santana, a Trupe Mandhala apresenta o formato da Volante do Tribal, um segmento que representa de uma forma contemporânea uma colagem com estilos de danças populares regionais, com movimentações características do xaxado original, baião e tribal fusion. Uma visão arrebatadora da força que existe em cada um dos nordestinos pela dança que sempre a homenageia com maestria.

Como nesta edição fomos as convidadas especiais, levamos 4 coreografias, além do duo meu e de Vika que foi do encerramento do Curso de Formação em Tribal. Já que comecei com a Trupe, vou falar logo sobre as demais coreos que levamos e depois falarei sobre as outras apresentações da noite.

Outra coreo de grupo que levamos foi a Oráculo de Delfos, quem tem uma temática, música e ambientação bem diferente da Volante.


Trupe Mandhala – coreografia Oráculo de Delfos


Gente, eu AMO todas as coreos da Trupe, mas essa é especial, sempre me deixa arrepiada por tudo que ela é. A coreografia é inspirada na história deste Oráculo situado em Delfos, na Grécia. Havia lá um templo consagrado a Apolo, onde a sacerdotisa Pítia tinha visões e apresentava profecias em total estado de transe (alguns dizem que este transe era provocado por vapores que subiam de uma fenda no rochedo onde o templo havia sido construído). Trouxemos então alguns personagens que representam estas visões, que são delírios de uma sociedade doente, com variados transtornos mentais, e apenas Pítia, a personagem principal vê, e interage com eles. A partir desta explicação, assistir o vídeo vai ter um significado todo especial agora. Outra coisa que adoro é a música, ou melhor, as músicas. A principal é "Aerials" do System of a Down, e a introdução é uma mixagem com vários trechos de músicas de Marilyn Manson e Mike Patton montada por mim. A ideia da música, do figurino e de toda a ambientação é trazer um clima de terror, de pânico, de loucura. E eu que amo essas bandas, o estilo, o terror, fiquei imensamente satisfeita. :D


Trupe Mandhala – solo Viviane Macedo

Esta coreo, criada por Lyara e por Vika, foi inspirada no mito das fiandeiras do destino, ou Moiras. Na mitologia grega, as Moiras eram as três irmãs que determinavam o destino, tanto dos deuses, quanto dos seres humanos. Eram três mulheres lúgubres, responsáveis por fabricar, tecer e cortar aquilo que seria o fio da vida de todos os indivíduos. As Moiras eram: - Cloto (significa "fiar") - segurava o fuso e tecia o fio da vida e atuava como deusa dos nascimentos e partos; - Láquesis (significa "sortear") - puxava e enrolava o fio tecido, e atuava sorteando o quinhão de atribuições que se ganhava em vida; - Átropos (significa "afastar") - cortava o fio da vida, determinando o seu fim.
Vika então neste solo representa a primeira fiandeira, segurando o fuso e tecendo o fio da vida de Sofia, que está em seu ventre e vai nascer em breve.


Trupe Mandhala – Duo Mary Figuerêdo e Viviane Macedo

Este duo foi nosso trabalho de encerramento para o Curso de Formação em Tribal e o tema que escolhemos foi o Urban Tribal. Começamos com a inspiração na Dança de Rua, nas batalhas de Freestyle onde um grupo de dançarinos se reúnem para verem seus colegas mostrarem suas habilidades nas mais variadas técnicas de dança através da improvisação. É comum estes dançarinos ´´tirarem onda´´, fazendo gracinhas para seus rivais, e foi aqui que buscamos trabalhar a nossa expressividade através de brincadeiras onde uma fica desafiando a outra a mostrar sua melhor técnica, mas também trazendo momentos em que as duas se unem, mostrando que na dança, o importante acima de tudo é a união.

Trupe Mandhala – coreografia Makeda – A Rainha de Sabá
Infelizmente devido a um problema técnico não houve vídeo desta coreo, mas ela pode ser vista no youtube, basta colocar na pesquisa o nome acima.

´´A Rainha de Sabá, conhecida entre os povos etíopes como "Makeda", que recebeu diferentes nomes ao longo dos tempos, foi uma célebre soberana do antigo Reino de Sabá (Etiópia). Ao som de Baiana System, na música Pangeia que explora a guitarra baiana e conta a história de Makeda, Lyara inova trabalhando com a linguagem de sinais e movimentos de danças populares realizados de forma diferente do tradicional, tudo muito lento e pausado. Uma delícia de assistir, até porque Lyu arrasa #agenteéfã

Agora voltando para as apresentações das alunas de Jo e das alunas do Curso de Formação, como eu disse lá em cima, todo mundo foi bem criativo explorando temas inusitados.

Tatiane Cassiano trabalhou o tema Stiletto Fusion dançando tribal com um saltão agulha lindamente na cara da sociedade (invejinha, meu joelho podre não aguenta muita coisa de salto).


Luciana Carvalho fez uma coreo inspirada nos movimentos dos felinos. 



Tatiana Freitas fez um solo incluindo posições de yoga no início (é o yoga dominando o tribal no Brasil também) com uma música linda da banda The XX chamada "Tides".

Isadora Moraes trabalhou o tema Dança Dramática, com referência ao Butoh no figurino ao dançar com o corpo todo pintado de branco, e realizou uma experimentação com um tipo de véu wing estilizado, que ela mesma fez, inspirado no figurino de La Serpetine Danse. De acordo com ela, as asas entraram para provocar a sensação de morte e de plenitude, e houve também a influência da Dança Indiana, pois ela conta no solo a história da tentação de Buda através de Yasodhara, que dança como um fantasma que faz uma dança de amor e saudade para o príncipe que ela tanto amou e esperou (Sidartha), mas ele está no caminho da mortificação e ela fica viúva. A dança dela é descrita então como uma dança lânguida, aquática e singela, porém com a energia da lótus (fertilidade). Foi um solo com uma pegada totalmente contemporânea.



Ia Santanche é a mulher das onomatopeias, da expressividade, do yoga, da natureza zen, do teatro, do sorriso solto, do cabelo enorme e laranja, como se estivesse em chamas. Eu particularmente adoro a Ia, me parece sempre uma pessoa muito sincera, alegre, e adoro o fato de ela parecer nunca ´´estar nem aí´´ para nada. Ela não se importa que começou a estudar Tribal agora, ela não tem medo de fazer feio, ela só quer ir lá e mostrar toda essa energia e amor que ela tem pela arte.

A performance super teatral dela se chama Garuda, uma figura mitológica presente nos mitos do hinduísmo, originariamente uma águia. Pássaro solar brilhante como o fogo, é a montaria do deus Vishnu, que é ele próprio de natureza solar. Garuda é também a palavra alada, o triplo Veda, um símbolo do verbo, ou seja, o mesmo que a águia representa na iconografia cristã. Deste mito ela se inspirou para o figurino, e o vôo inspirou sua locomoção no espaço, ela utiliza toda a área da plateia e do palco, correndo entre os espectadores proferindo versos adaptados do "Cântigo Negro" de José Régio. Ela comentou que já tinha esta performance, e aí ela tribalizou o figurino, colocando cores, se inspirando também em Bethânia no Doces Bárbaros, usou postura de yoga e focou nos braços para enfatizar a dramaticidade de suas palavras. Ia me contou que quis aprender Tribal para ampliar o vocabulário gestual dela, focando nas performances do evento Dominicaos, e que com o tempo ela percebeu que os movimentos do Tribal serviam para ampliar a voz também. E eu acho que Garuda reúne isso que ela vem aprendendo.

Texto completo Cântigo Negro - http://www.releituras.com/jregio_cantico.asp

Mariana Noronha inovou ao trazer o músico Leonardo Ogando que tocou Didjeridoo no palco (lindo demais aquilo gente) enquanto ela dançava.  Didgeridoo, ou Didjeridu, é um instrumento de sopro típico dos aborígenes australianos. Ele também tocou pau-de-chuva, clave e chocalhos numa apresentação agradável e poderosa, que deu toda uma atmosfera praticamente mágica à apresentação da Mariana. Parecia que estávamos sendo transportados a algum lugar ancestral, tivemos algumas visões, e depois fomos trazidos de volta.


Cibele Aguiar trabalhou o tema Afro Fusion fazendo uma homenagem à água, onde se inspirou nas lendas de Oxum e de Iemanjá para criar a seguinte história - Diz a lenda que Oxum é a responsável por encher os rios, daí a Cibele pensou como seria se Oxum um dia fizesse greve. Os rios começariam a esvaziar, chegando as águas escassas no mar. Iemanjá vendo isto, resolve ela mesma fazer o serviço, tomando o vaso mágico de Oxum. Mas como o vaso não era dela, foi necessário que Iemanjá fizesse um ritual para poder usar o vaso, e é este ritual que a Cibele apresentou em sua coreografia; Viviane e eu escolhemos o tema Urban Tribal (que já expliquei lá em cima na parte da Trupe); entre outras meninas, algumas que não puderam se apresentar.

Das alunas de Jo, além das que participaram do Curso de Formação, teve apresentação de 3 coreos de grupo,  duas de turmas iniciantes e uma da turma intermediária,  e alguns solos, incluindo outro solo da Tatiana e solo de Ana Caroline Antunes toda uma indiana com um cabelão lindo e movimentos precisos.

Turma Intermediária de Joline (coreografia inspirada em Mardi Love):



Ana Carolina Antunes:


Turma Iniciante 2 de Joline:


A noite foi linda como devida ser. E terá outra edição do Dramofone ainda este ano. Apesar de eu estar no dia recém saída da chicungunya, dei o melhor de mim e fiz o que pude dentro das possibilidades. Fique muito feliz em participar de mais uma edição do Dramofone (a Trupe participa desde a primeira edição se não me engano), e é sempre bom ter a oportunidade e o espaço para mostrar nosso trabalho em Salvador. Obrigada Jo, e vida longa ao Dramofone!!!
Lilililililili 
Foto final com todo elenco

Assista todos os vídeos do V Dramofone:


Confira as fotos e vídeos das edições anteriores http://www.jolineandrade.com/#!dramofonefestival/c1llo

Fique por dentro das notícias das próximas edições curtindo a Fanpage do evento 

´´O Dramofone é um espaço de experimentação onde diversos multiartistas (dançarinos, músicos, atores, poetas e cantores) já fizeram pesquisas de hibridação com a dança tribal.´´ - Joline Andrade




[Notícia Tribal] Primeiros teasers do projeto DUST - ATUALIZADO

Fonte: Dust Dance Film


Alguns teasers do projeto DUST foram divulgados. Este projeto é realizado por Jennifer Faust em conjunto com várias bailarinas famosas da dança tribal. Confira os primeiros teasers abaixo (novos teasers adicionados):















Informações:

| Fan Page | Youtube |

[Notícia Tribal] Dança do Ventre mamãe e bebê no MGTV com Surrendra

A bailarina Surrendra (MG), participou neste mês de uma matéria para o MGTV explicando sobre Bellydance Baby Sling (Dança do Ventre com Crianças). Confira no vídeo abaixo:



Uma parte da matéria feita para o MGTV sobre as nossas aulas de Bellydance Baby Sling (Dança do Ventre com Crianças)Uma aposta de sucesso da Escola de Dança Maiher Menezes e nossa Profª Surrendra BellydanceInformações: 3212-5944
Posted by Esc Maiher Menezes on Terça, 14 de julho de 2015

[Resenhando - PE] Caravana Tribal Nordeste: Travessias Tribais

por Luana Aires

Caravana: o mesmo que comitiva, comboio ou frota. Grupo que segue junto em uma viagem. Conjunto de pessoas que se unem para percorrer grandes distâncias, sejam mercadores, peregrinos ou viajantes. Normalmente associado à travessia de desertos (definições de dicionários online).
Mas,
Que viagem? Que distâncias? Que desertos?
Que ânsias nos levam a percorrer caminhos juntos?
Seguindo os mesmos princípios do ‘nomadismo’ uma caravana se apropria do sentido itinerante, transitório, passageiro e fugaz do viver. Do viver junto aos seus e da partilha. Como já traduzem muitos pensamentos, é no trajeto, no percurso entre o início e o fim que se consolida a existência. Quando esse trajeto não é linear e estável encontramos as sutilizas dessa existência. Dessa maneira, o termo e ideia de caravana não poderia melhor re(a)presentar a tradução do que é a dança tribal. Uma dança nômade, contemporânea e por este motivo atemporal.
Nesse cenário de constante fluxo que desde a origem permeia a dança tribal, muitos grupos do Brasil proporcionam encontros dos mais variados formatos para trocas, vivências e debates sobre o estilo. É neste sentido que a Caravana Tribal Nordeste vem agregar à cena tribal brasileira, em virtude do desenvolvimento da consciência corporal e integração cultural como Projeto de Fusão Tribal em Festival Itinerante
 Logotipo do projeto
Em junho de 2015 a Caravana Tribal Nordeste chegou a sua edição de 5 anos em Recife (PE) marcada profundamente por esse sentimento de encurtar distâncias e dividir as ânsias preconizadas por suas idealizadoras Kilma Farias (PB), Bela Saffe (BA) e Alê Carvalho (PE).

         Nossa caravana, o Studio Lunay, chegou numa manhã de sábado já desperto pelo conturbado trajeto João Pessoa (PB)/Recife (PE) para o primeiro workshop.
 Workshop “Danças urbanas de efeito” com Felipe Dupopping.
         Nesta ocasião em um grupo de 10 pessoas entre alunas, professoras e amantes da dança. A Cia Lunay também participou ministrando workshop sobre composição coreográfica em combos inteligentes.
 Workshop “Danças urbanas de efeito” com Felipe Dupopping.
      Sempre é de grande valia ver todas as turmas de oficinas praticamente lotadas demonstrando o interesse majoritário de pesquisa sobre o tribal. Logo mais, aquela bagunça tão sadia tomou conta dos bastidores entre conversa de almoço, camarim, selfies, aquecimento e tudo o mais que antecipa aquele dado momento da cena. Tão engenhosamente carregado de toda essa efusividade. E nossa, como somos efusivas (risos) !

Horário de almoço compartilhado por integrantes de diversos grupos.

    A Aquarius Cia de Dança mostrou a força de uma produção dedicada desde os registros audiovisuais até a marcação de palco. Nas palavras de uma das produtoras “Foi um encontro entre amigos que há muito tem suas mãos dadas seguras e sustentas (...) Marcou a chegada de novas companheiras, cheias de boa vontade e amor por essa causa. Trouxe àqueles bem amados que já de muito conhecemos e toda uma nova geração esmerada, estudando e se dedicando com afinco; se arriscando sem medo de errar, sabendo que cada tropeço é sim, um passo no digno caminho do eterno aprendizado”.
O objetivo documental e pesquisador da Caravana Tribal Nordeste resume a força desse evento direcionado ao fortalecimento do Tribal Brasil. Além de dar o caráter autêntico da proposta, tal estilo é o suporte e fio condutor do projeto buscando um tribal brasileiro sobre a base de elementos da cultura popular nordestina essencialmente.
Sumariamente, essa edição da Caravana Tribal Nordeste foi uma celebração cênica de união, renovação e sintonia. Cada entrada, das mais de 20, respondia no palco à cada corpo e emoção que emanava da plateia e das coxias.
Somos isso - esse conjunto de pessoas que se unem para percorrer grandes distâncias em comboio, comitiva, em muitos lililililili’s - atrás de sonhos e delírios em agradecimento à nossa travessia do movimento.

Solo de Alê Carvalho - Tragédia n°9 -  experimento 3. Soneto do desapego


“...certas histórias são para ser assim, sem fim! Lembrar quando éramos apenas cinco e hoje ver salas cheias de uma legião Tribal faz perceber mais uma vez que a aliança Aquarius e Lunay só mostra mais força, e a tranquilidade do estar lado à lado dividindo um ideal que se constrói de Arte e se realiza na Dança. A casa é para sempre de vocês!!!” (Alê Carvalho – PE – Aquarius Cia de Dança).



[Perdido na Tradução] Episódio 1: "Dorothy, Você Não Está em Kansas Não Mais"

por Raphaella Peting






Note: The English version of this text is below this post.

Quando recebi as primeiras notícias de meu marido que estávamos nos mudando para o Rio de Janeiro, eu estava tão animada.  Afinal de contas, eu era um boa viajante e Rio de Janeiro estava na minha lista de desejos desde que eu era criança! Eu era uma viajante experiente (ou assim eu pensava), visitando muitas cidades em torno do mundo, incluindo Budapeste, Amsterdã e vivi em Espanha por 6 meses sozinha aos 20. Então, obviamente, eu estava super animada! Até meu marido terminou seu pensamento com a frase, "Aliás, estamos saindo em 3 semanas!". Como você pode imaginar, meu queixo caiu no chão e a emoção rapidamente se transformou em pânico. Agora, não era o fato que eu precisava embalar toda a minha vida, trabalho, etc. neste curto período de tempo que eu tinha, mas estava tão preocupada com a falta de tempo. Foi o fato de EU NÃO FALAR PORTUGUÊS! Pelo menos eu não fiz naquele tempo ... nem uma palavra.

Agora, para a maioria das pessoas, isso não seria uma preocupação significativa. Mas, como alguém que viveu no exterior antes, eu posso te dizer : VIVER em outro país é muito, muito diferente que visitar aquele país, e não conhecer a língua é definitivamente algo para se preocupar! Toda a minha vida adulta, eu trabalhei muito duro para evitar o estereótipo do "ignorante americano ".   Você sabe o tipo: os turistas ou estudantes universitários em férias, que fazem absolutamente nenhum esforço para aprender o idioma local (nem mesmo frases básicas), tratam a cidade como um lixo gigante e têm a expectativa que todos vão atender a eles. Agora, não me interpretem mal, eu não estou dizendo que todos os turistas são assim, mas depois vivendo em um destino turístico popular por quase 4 anos (incluindo 3 estações de carnaval e uma Copa do Mundo), eu estou triste em dizer que o estereótipo é, infelizmente, ainda muito aparente.  E porque este é um estereótipo, meus olhos azuis e mais leve tom de pele, com freqüência trazem comentários rudes e olhares maus para mim durante a temporada turística quando estou pegando o metrô por aqueles que assumem que eu sou uma turista ignorante que não entende o que eles estão dizendo sobre mim ( o que poderia ser um tópico todo por si próprio de como ninguém deve julgar um livro pela capa). Felizmente, eu sou uma adulta e eu sou suficientemente inteligente para ignorar o ódio jogado para mim. No entanto, eu sinto que o tema merecia uma menção honrosa. A única maneira de parar a propagação da ignorância é através da educação. Não há nenhum sentido em reunir ódio com ódio. Além disso, posso simpatizar com seu ponto de vista, que é por que eu vejo a aprendizagem da língua como essencial para respeitar a cultura de qualquer parte do mundo que você decida visitar.



Ok, já comentei bastante de minha tangente ...Vamos voltar à história.  Assim, como o dia da mudança foi firmemente se aproximando, eu estava tentando aprender o máximo que pude de Português. Mas para aqueles de vocês que já tentaram aprender Português do Brasil ou estão familiarizados com as numerosas flutuações de sotaques nas diversas regiões do Brasil, incluindo Rio de Janeiro, você pode imaginar onde esta historia está indo... Aprender a FALAR Português é praticamente impossível.  Agora eu enfatizo "falar", porque em relação à escrita, eu estou sem problema. Mas, falando? Cara, eu estava perdendo essa batalha. E no momento que eu acho que eu estou me acostumando com isso, eu tento entender alguém com um sotaque do norte e eu retorno ao ponto em que eu comecei, tendo perdido toda a confiança. Na verdade, os sotaques soam tão diferentes que podem soar como uma língua completamente diferente.  Em comparação com o idioma Inglês, há alguns sotaques que podem ser difíceis de entender. Por exemplo, a diferença entre um sotaque britânico e um sotaque Cajun (alguém da Louisiana) pode soar como um idioma diferente. E aqui no Rio de Janeiro eles falam "carioca". Como você pode imaginar, foi uma surpresa completa e (como eles dizem nos EUA) "caught me with my pants down". Eu me lembro do meu primeiro dia como se fosse ontem. Lá estava eu, andando no aeroporto com sentimento tão orgulhoso, sendo capaz de ler todos os sinais e descobrindo para onde ir. Mas o que ocorre no momento em que eu estou fora e abro a minha boca? Eu sou como o "idiota da vila".

Esse foi o início de um período transitório doloroso e humilhante. Alguém que tem um diploma em Comunicações de uma das mais prestigiadas universidades dos EUA, recebeu prêmios por seu discurso escrito, trabalhou como uma escritora da canção, reconhecida por sua poesia e até mesmo contribuiu como uma editorialista em vários jornais e revistas agora estava limitada ao vocabulário de uma criança e teve dificuldades de pronunciar ESSAS palavras corretamente ?! Que vergonha!

Não ser capaz de comunicar corretamente é imensamente frustrante e pode ser um inferno de uma barreira quando se tenta assimilar a uma nova cultura. Pode transformar o que seria explorar uma bela e nova cultura em vida em uma bela prisão. E, infelizmente, para essa mulher, isso era o caso.

Nos primeiros meses, eu estava no meu próprio inferno pessoal. Tudo foi uma luta, desde tentar se comunicar com a caixa no supermercado até evitar conversas embaraçosas com o porteiro. Mesmo andar fora para a pequena banca de jornal só para comprar água se tornou uma experiência traumática para mim, me empurrando de volta dentro do meu apartamento minúsculo. Tentar falar com alguém em Português pela primeira vez pode ser muito intimidante no começo. Você erroneamente chega a suposição que eles estão gritando com você o tempo todo, com raiva que o seu Português é horrível. No entanto, depois que você começa a conhecer a cultura brasileira, você começa a perceber que eles são apenas um povo apaixonado que tende a falar com intensidade. Mas, a situação ainda pode ser muito intimidante no começo.

Com muita frequência, eu me encontrei com medo de sair dos limites do meu apartamento mais e mais a cada dia que passava e, eventualmente, senti como uma prisioneira na minha própria casa. Neste ponto, você provavelmente está pensando: "Espere ... E o seu marido? Ele não está lá com você?" E a resposta é 'sim 'e 'não'. Veja, apesar de me mudar para lá com o meu marido, ele trabalhava o dia todo e treinava Jiu Jitsu à noite, voltando para casa só umas poucas horas antes da hora de dormir. Meu rostinho triste foi sozinho a maior parte do tempo nesta nova terra estrangeira sem amigos para conversar ou ter conexões de qualquer tipo.



A praia era meu único santuário de paz. Eu tentei fazer amigos lá, mas as mulheres não queriam nada de fazer comigo. E os homens ... você sabe, eu não acho que a amizade estava na suas telas de radar. Infelizmente, o ciclo constante de rejeição e isolamento causou um período inevitável de depressão, que foi rapidamente exasperado com o fato que eu tinha  ainda  que encontrar um espaço/ estúdio onde eu poderia praticar, porque eu estava constantemente colidindo com os móveis quando tentava praticar no apartamento que era do mesmo tamanho de uma caixa de sapatos. Esse cenário se tornou muito obsoleto muito rapidamente.  Improvisação na dança do ventre  é, e sempre foi, a minha salvação. Infelizmente naquele tempo, eu não tinha nenhum contato de dança no Brasil e nenhum indício onde encontrar um espaço para praticar. E para piorar a situação, logo descobri que SEO não é uma prática comum aqui. As pessoas não só "Google it". Quase todos os negócios aqui são por encaminhamento, especialmente estúdios de dança, academias de Jiu Jitsu e centros de treinamento de Capoeira. Então, como você pode imaginar, a minha paciência tinha acabado e eu estava ao ponto de me transformar em uma louca!

Agora, antes de ficar muito animada antecipando minha cabeça de explodir toda nesta página, vamos tomar um momento e lembrar o objetivo final desta American Horror Story: EVOLUÇÃO. E a evolução nos ensinou  o fato de que se você não evoluir, você deixará de existir. Da minha experiência nesta vida, eu descobri que a paixão é a chave para a sobrevivência. Isto é o que dá a sua vida propósito. E pra mim, isso é dançar. DANÇA é a respiração em meus pulmões e o sangue em minhas veias. Ela é a musa em meus sonhos e fonte de toda a inspiração.

Então, com isso em mente ... Vamos continuar, tá? Agora, como eu mencionei, a minha paciência se esgotou, mas eu ainda tinha uma carta de baralho na manga que, embora me trouxesse nada além de problemas no passado, foi a chave à minha sobrevivência. A única emoção que uma menina siciliana pode sempre confiar é no temperamento explosivo. Como você sabe, a América é um mix gigante de nacionalidades, e eu sou de uma grande família italiana com grandes temperamentos italianos e, normalmente,  a raiva é  uma coisa ruim (e eu não recomendo). No entanto, nesta situação ela me resgatou. Parece que a frustração de viver a minha própria versão do filme "Groundhog Day” tomou seu pedágio em meu sistema nervoso e eu finalmente tinha o suficiente para viver em constante depressão e isolamento. Então, eu adotei a mentalidade do "foda-se!" combinada com a noção de que eu fui a única que poderia quebrar-me fora dessa prisão de minha própria criação.



Eu tomei este novo sentimento de motivação e eu procurei pelas ruas de cada bairro ao redor do meu bairro  por um estúdio de dança do ventre. Eu me sentia como Harry Potter na estação de trem procurando pela Plataforma 9¾. Finalmente, depois de algumas semanas de busca, eu encontrei um em Botafogo. Na minha frente era uma pequena porta pintada do lado de um edifício entre uma loja de hardware e uma farmácia com um pôster de uma dançarina do ventre nele. Eu estava um pouco apreensiva no começo, pensando "Que estranho. Eu não posso nem ver em que eu estou andando".  Mas a perseverança ultrapassou a apreensão e eu respirei fundo, toquei a campainha da porta e o que eu encontrei do outro lado da porta era um estreito corredor com uma escada escura no final. Estava bastante assustada neste momento, meu coração disparado como louco e eu não tinha absolutamente nenhuma idéia do que estava esperando por mim no topo dessas escadas, para não mencionar o que eu vou dizer quando eu cheguei lá dentro. Mas ainda assim, eu continuei.  Depois de subir três lances de escadas em um corredor escuro e úmido, para meu alívio, houve de fato um estúdio (Woohoo!). Ótimo, mas ... e agora? Bem, eu vou te dizer. Eu era capaz de me forçar através de uma conversa comicamente embaraçosa de 15 minutos em Portuñolglese (uma mistura horrível de Português, Espanhol e Inglês) com o diretor do estúdio. Um fato que eu não sabia neste momento, que, naturalmente, adicionado a vergonha da situação pra mim. Como se vê, essa pessoa se tornaria uma amiga muita querida a mim ao longo dos próximos anos, que me apresentou à comunidade simpática e apaixonada de dança do ventre encontrada aqui no Rio de Janeiro, e uma parte do meu coração para sempre; uma comunidade que se tornaria minha família ... minha família Asmahan.

Eu estava envergonhada depois dessa conversa embaraçosa de 15 minutos em Portuñolglese? Com certeza! Mas eu não me importei, porque no momento em que entrei , deixando para trás o apartamento minúsculo, eu fechei a porta atrás de mim e exalei profundamente em uma sensação de doce alívio. Logo depois, uma felicidade agarrou meu coração com tanta alegria de realizar o que parece para a maioria das pessoas uma tarefa "simples". Qualquer sensação prolongada de vergonha tinha desaparecido a partir desta pequena medida de sucesso. E depois, meus olhos estavam inchados de lágrimas de alívio.

Dança é meu oxigênio, e agora eu o tinha de volta. Finalmente, eu poderia respirar de novo; retornar à vida. Só agora, foi o começo de uma vida diferente; cheia de novas aventuras e obstáculos a superar, cada um me trazendo mais perto de quem eu estava destinada a ser; para transformar ... para sobreviver ... e para evoluir.

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When I first received the news from my husband that we were moving to Rio de Janeiro, I was so excited.  After all, I was a big traveler and Rio de Janeiro had been on my wish list since I was a little girl! I had been an experienced traveler (or so I thought), visiting many cities around the world including Budapest, Amsterdam and had even lived in Spain for several months as a single girl in my early 20s.  So needless to say, I was pumped!  Until that is he says, “By the way, we’re leaving in 3 weeks!” As you can imagine, my chin hit the floor and excitement quickly turned into panic.  Now, it wasn’t the fact that I had to pack up my entire life, job, etc. in this short amount of time that had me so concerned about the time crunch.  It was the fact that I DIDN’T SPEAK PORTUGUESE!  At least not at the time… not one word. 

Now, to most people, this wouldn’t be such a big deal.  But as someone who has lived abroad before, let me tell you… LIVING in another country is much, much different than visiting that country, and not knowing the language is kind of a big deal! My entire adult life, I have worked very hard to avoid that stereotype of the “ignorant American asshole”.  You know, the tourists or college students on vacation, who make absolutely no effort to learn the local language (even basic phrases), treat the city like a giant trash can and expect everyone to cater to them?  You know, THOSE guys.  Now, don’t get me wrong, I am not saying that all tourists are like that, but after living in a top tourist destination for almost 4 years (living through 3 Carnival seasons AND a World Cup), I’m sad to say that the stereotype is still going strong.   And being as it is a stereotype, because of my blue eyes and lighter skin tone, I often get harassed while riding on the metro during tourist season by those who assume that I don’t understand what they’re saying about me.  Which could be a topic all on it’s own as no one should judge a book by it’s cover.  All the same, I feel as though it deserved an honorable mention as the only way to stop the spread of ignorance is through education.  There is no sense in meeting hate with hate. Plus, I can sympathize with their point of view, which is why I view learning the language as imperative to respecting the culture of whichever part of the world you decide to roam. 

Anyway…back to the story!  So, as moving day was getting closer and closer, I was trying to learn as much Portuguese as I could, but for those of you who have ever tried to learn Brazilian Portuguese or are familiar with the insane fluctuation of accents in the various regions of Brazil, including Rio de Janeiro, you can guess where this is going… learning how to SPEAK Portuguese feels virtually impossible!  Now I emphasize, “speak” because when it comes to writing, I’m golden.  But speaking it?  Man, I was struggling!  And just when I think I’m getting the hang of it, I try to understand someone from the North region speak, and I’m back at square one having lost all confidence.  In fact, the accents sound so different that it can sound like a completely different language.    Much like the English language, there are a few accents that can be difficult to understand, like the difference between a British accent a Cajun accent (region of Louisiana).  It can sound like a different language.  And here in Rio de Janeiro, they speak “Carioca”.  As you can bet, it was a complete surprise and (as they say in the US) “caught me with my pants down”.  I remember my first day like it was yesterday.  There I was walking around in the airport feeling so accomplished, being able to read all of the signs and figuring out where to go.  But what happens as soon as I get outside and open my mouth? I sound like the village idiot. 

That was the beginning of a painfully humble transition period.  Someone who had a BA in Communications from one of the top Universities in the US, received awards for her speech writing, worked as a song writer, recognized for her poetry and even contributed as an editorialist in several newspapers and magazines was now limited to the vocabulary of a toddler who could barely pronounce her words correctly. 

Not being able to communicate properly is immensely frustrating and can be one hell of a barrier while trying to assimilate into a new culture.  It can turn what would be exploring a beautiful, new culture into living in a beautiful prison.  And sadly, for this girl right here, that was the case. 

For the first several months, I was in my own personal hell.  Everything was a struggle, from trying to communicate with cashier at the grocery store to avoiding awkward conversations with the doorman.  Even walking outside to the little magazine stand just to get some water became a traumatic experience for me, pushing me back inside my tiny apartment.  Trying to speak with someone in Portuguese for the first time can be very intimidating at first.  You mistakenly arrive at the assumption that they are yelling at you all of the time, angry that your Portuguese is awful.  However, after you get to know the Brazilian culture, you soon realize that they’re just a passionate people who tend to speak with intensity.  However, the situation can be quite intimidating at first.

More often than not, I found myself afraid to leave the confines of my apartment more and more as each day passed, and eventually felt like a prisoner in my own home.  At this point you’re probably thinking, “Wait… What about your husband? Isn’t he there with you?” And the answer is “yes” and “no”.  You see, although I had moved there with my husband, he worked all day and trained Jiu Jitsu at night, returning home only a few hours before it was time for sleep.  My sad little behind was alone most of the time in this new foreign land with no friends to talk to or connections of any kind. 




The beach was my only place of solace.  I tried making friends there, but the women wanted nothing to do with me.  And the men... Well, you know.  I don’t think friendship was on their radar screen.   Unfortunately, the constant cycle of rejection and isolation caused an inevitable period of depression, which was quickly exasperated by the fact that I had still yet to find a studio space to practice.  It seems, constantly running into furniture and stubbing your toes, elbows, etc. (you name it, I’ve bruised it) while attempting to dance in your shoebox of an apartment, gets real old real quick.  Improvisational belly dance is and always has been my salvation. Unfortunately at the time, I had no dance connections in Brazil and no clue where to find a space to practice.  And to make matters worse, I soon discovered that SEO is not common practice here.  People don’t just “Google it”.  Almost every business here operates on a word-of-mouth referral basis, especially dance studios, Jiu Jitsu gyms and Capoeira training centers.  So, as you can imagine, my patience had run out and I was about to lose it!

Now, before you get all excited waiting for my head to explode all over the page, let’s take a moment and remember the end game of this American Horror Story: EVOLUTION.  And if evolution has taught us nothing else, it’s the fact that if you do not evolve, you cease to exist.  From my experience in this life, I have found that passion is the key to survival.  It is what gives your life purpose. For me, that is dance.  DANCE is the breath in my lungs and the blood in my veins.  It is the muse in my dreams and the source of all inspiration. 

So with that in mind… Let’s continue, shall we? Now, as I had mentioned, my patience had run out, but I still had one card up my sleeve that although it used to get me into trouble when I was younger, was the key to my survival.  The one emotion a Sicilian girl is never short of is that fiery temper.  You see, America is a one big old melting pot of nationalities, and I come from a big Italian family with BIG Italian tempers, and usually anger as a motive is a bad thing (and I don’t recommend it).  However in this situation it came to my rescue.  It seems the frustration of living out my own version of the movie “Groundhog Day” had taken its toll on my nervous system and I had finally had enough of living in constant depression and isolation.  So, I adopt the “fuck it!” mentality combined with the realization that I was the only one that could break myself out of this prison of my own creation.   

I took this new lease on life and walked up and down the streets of every barrio around my neighborhood searching for a belly dance studio.  I felt like Harry Potter in the train station looking for Platform 9¾.  Finally, after a few weeks of searching, I found one in Botafogo.  I came across a tiny painted door on the side of a building in between a hardware store and a pharmacy with a poster of a belly dancer on it.  I was a bit apprehensive at first thinking, “This is weird.  I can’t even see what I’m walking into”. But perseverance overtook apprehension, so I took a deep breath, rang the buzzer and what did I find on the other side of the door but a narrow hallway with a dark staircase at the end.  I’m fairly scared at this point, my heart racing like mad and I have absolutely no idea what’s waiting for me at the top of those stairs, much the less what the hell I’m going to say when I get up there.  But still, I carry on.  After climbing 3 flights of stairs in a dark and humid corridor, to my relief, there was indeed a studio! Woohoo! Great, but… now what?  Well, I’ll tell you.  I managed to fudge my way through a hilariously awkward; 15 min conversation in Portuñolglese (a horrific concoction of Portuguese, Spanish and English) with whom it turns out was the director of the studio.  As it also turns out, that person would become a very dear friend to me over the next few years and introduce me to the warm, passionate and hilariously open and honest belly dance community found here in Rio de Janeiro and a part of my heart forever; a community that would become my family... my Asmahan family.

Was I embarrassed after that hilariously awkward, 15 min conversation in Portuñolglese? Of course! But I didn’t care too much, because the moment I walked back into that tiny little apartment and closed the door behind me, I exhaled deeply into a sense of sweet relief.  Shortly after, a happiness gripped my heart with such joy from accomplishing what would seem to most a “simple” task.  Any lingering sense of embarrassment had been wiped away by this small measure of success.  Soon after, my eyes swelled up with tears of relief. 

Dance is my oxygen, and I now had it back.   Finally, I could breathe again; return to life.  Only now, it was the start of a different life; full of new adventures and obstacles to overcome, each one bringing me closer to who I was meant to be; to transform… to survive… to evolve.



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