[Resenhando-RO] Tribal Fusion Porto Velho – Rondônia

por Esther Demoneah

Tribal Fusion Na Região Norte Resenhando Tribal Fusion no II EITA - Encontro Beradêro em Dança - 22.08.15

O "Encontro Beradêro em Dança" aconteceu entre os dias 21, 22 e 23 de setembro de 2015 no teatro do SESC em Porto Velho, a capital de Rondônia. Várias companhias de dança de estilos variados compareceram para mostrar seus trabalhos bem como para prestigiar seus colegas.



Este vídeo apresenta a minha participação mostrando um pouco dos resultados de estudos e práticas que foram iniciadas nesse mesmo ano a partir do workshop de Janis Goldbard.


Nesse evento, estive representando a "CIA de Dança Kaká Ferreira" a convite do meu professor e mestre da academia  Kaká Ferreira, local em que também faço aulas de zouk e bolero. Como foi meu primeiro solo neste estilo e a primeira coreografia criada inteiramente por mim, reconheço que minha atuação ainda é algo a ser muito polido e melhorado.



O processo de criação até que foi rápido para uma iniciante. Como fiz balé desde pequena e toquei piano a vida toda, tenho  um pouco de intimidade  com os ritmos e quando ouço uma música já me passam  várias sequências de passos na cabeça.  A parte difícil obviamente é colocar em prática para ver se aqueles movimentos imaginados se encaixam bem na música, além de, é claro, praticar bastante para "limpar" os movimentos.

Ainda não tenho muita bagagem e, por conta disso, ainda não sou boa em improvisar, portanto, o que me resta é continuar  estudando para aprender cada vez mais. Amei a experiência e tenho em mim uma certeza que só cresce de que não vivo mais sem a dança e principalmente sem o Tribal Fusion.

Texto – Esther Demoneah
Edição – Rebecca Amor 


















[Entrando na Roda] Boas Vindas

por Aline Muhana

FCBD® Studio Instructors - Professoras do home studio SF - mais conhecido como a "Nave-Mãe"


Olá Pessoal!

É  com grande satisfação que apresentamos para vocês essa nova coluna do blog da Aerith: “Entrando na Roda – conversas sobre ATS®”. Eu, Aline Muhana e Natália Espinosa vamos alternar mensalmente escrevendo sobre temas importantes do universo do American Tribal Style ® e também respondendo a perguntas que eventualmente vocês possam ter!

Nosso objetivo é contribuir trazendo clarificações e dicas importantes para o seu estudo e ensino, estamos abertas a debater temas pertinentes para toda a nossa Comunidade Tribal: alunos (as), instrutores (as), apreciadores (as) e afins. 

Nosso primeiro tema é sobre nomenclaturas. Recentemente, em seu blog “FatChanceBellyDance: Director’s Cut”  (www.fcbdblog.blogspot.com), Carolena Nericcio-Bohlman  nos apresenta Nomenclaturas Oficiais para demonstrar nosso grau de relação com o FCBD® e com a comunidade mundial do ATS®. Aqui está a tradução da lista completa:

  • FatChanceBellyDance®Studio Instructors- “FatChanceBellyDance® Studio Instructor”- Essa designação é reservada somente às instrutoras do Home Studio em São Francisco.
  • GS graduates- “American Tribal Style® Certified”-  Se você completou o seu General Skills, mas não completou o Teacher Training então você é ATS® Certified.
  • TT graduates- “American Tribal Style® Certified Instructor” - Se você completou o GS e o TT, mas não solicitou o status de Sister Studio então você é ATS® Certified Instructor.
  • Sister Studio approved TT graduates- “Sister Studio” or “FCBD® Sister Studio” - Sister Studios são apenas para graduados aprovados do Teacher Training. Você pode mencionar que você tem as certificações GS e TT se quiser, mas não é obrigatório.
  • SSCE participant- “Sister Studio re-certified 2015 (or insert year)” - Uma vez que sua re-certificação tenha sido completada você poderá usar a designação de re-certificação. A re-certificação precisa ser repetida anualmente para ser mantida.
  • SSCE instructors- “Sister Studio Continuing Education Instructor” - Para aquelas instrutoras que foram convidadas a fornecer créditos no programa SSCE através de aulas particulares ou workshops.
  • ATT graduates- “Advanced Teacher Training Certified” - Para os aprovados no programa Advanced Teacher Training.

Carolena nos explica que essa iniciativa surgiu da necessidade de nomear os diversos graus de instrução, à medida que novos cursos (como o SSCE e o ATT) surgiram. Ela também nos convida a utilizar essa nomenclatura em nosso material promocional (cartões, panfletos, propagandas, etc.)

Espero que essas informações tenham sido úteis!  Caso vocês ainda tenham alguma dúvida ou queiram debater sobre esse assunto ou sugerir novos temas entre em contato conosco!



Um grande abraço e nos vemos em breve!

Entrando na Roda – conversas sobre ATS® por Aline Muhana e Natália Espinosa



Entrando na Roda – conversas sobre ATS®
Aline Muhana, Rio de Janeiro -RJ
Natália Espinosa, Campinas -SP

Sobre a Coluna:
Aline Muhana e Natália Espinosa - FCBD® Sister Studios, alternam mensalmente escrevendo sobre temas importantes do universo do American Tribal Style ® e também respondendo a perguntas e sugestões dos leitores

Sobre Aline:
Aline Christina Soares Oliveira, é bacharel em Pintura pela Escola de Belas Artes da UFRJ desde 2004. Desde a sua formatura tem trabalhado em inúmeros projetos artísticos incluindo exposições, performances, espetáculos e filmes de curta metragem. Iniciou seus estudos em dança do ventre em 2007. Especializou-se em Dança Tribal e suas vertentes ( Tribal Fusion e American tribal style®), em diversos cursos, aulas e workshops nacionais e internacionais. Ministra aulas deste estilo desde 2009 e participa de diversos shows e espetáculos como bailarina e figurinista. Coordena o Núcleo de estudos em ATS® na Asmahan EAO e dirige o grupo Zaman Tribal, formado por suas alunas e companheiras de dança. É responsável pelo atelier de trajes e acessórios para dança oriental Nataraja Designs.
Se tornou Professora Certificada e Sister Studio Fatchance Bellydance® em 2012 na Califórnia, representando a metodologia oficial de Carolena Nericcio-Bohlman - ATS®. Atualmente encontra-se cursando o Programa de Educação Continuada de Sister Studios - SSCE"

Sobre Natália:
Natália Espinosa fez sua primeira aula de dança do ventre em 1998, aos 12 anos, e continuou a ter aulas até sair do Rio de Janeiro, sua cidade natal, e se mudar para Campinas em 2010.  Em 2011 começou a ter aulas de Tribal Fusion com Paula Sampaio. No mesmo ano começou a viajar para São Paulo e fez aulas com Gabriela Miranda, Mariana Quadros, Rebeca Piñeiro e fez aulas com Aline Muhana quando ia ao Rio de Janeiro. Tornou-se professora de American Tribal Style® na segunda metade de 2013, ano em fez os cursos General Skills e Teacher Training e que conquistou sua certificação como Sister Studio FatChanceBellyDance®, comprometendo-se assim a ensinar o ATS® da forma como é ensinado no estúdio da criadora do estilo, Carolena Nericcio.

Além de ter estudado com as professoras citadas acima, Natália participou de cursos e workshops de ATS® e Tribal Fusion com renomados professores internacionais, tais como Lady Fred, Samantha Emanuel, Ariellah, Kami Liddle, Kristine Adams, Sonia Ochoa e Rachel Brice, e com os excelentes profissionais brasileiros Kilma Farias, Marcelo Justino, Samra Hanan, Cibelle Souza, Paula Braz, Guigo Alves, Karina Leiro, Bia Vasconcellos, Yoli Mendez, Jhade Sharif, Rhada Naschpitz, Lukas Oliver, Surrendra, Annamaria Marques, Carla Michelle e Crys Eda, entre outros. Em 2015 esteve no primeiro encontro dedicado apenas ao ATS® na Califórnia, o ATS® Homecoming, onde estudou novamente com Carolena e também com outros grandes nomes do estilo. Atualmente, sempre que pode estuda com seus mestres e colegas em eventos, faz aulas com suas professoras Gabriela Miranda, Mariana Quadros, estuda com Aline Muhana e faz aulas de Odissi com Raphael Lopes.

Natália ministra aulas e workshops em várias cidades no estado de São Paulo e também em Belo Horizonte, Minas Gerais, como parte do projeto Conexão Tribal.

[Notícia Tribal] Mapa da Dança da cidade de São Paulo

Fonte: Mapa da Dança

Se você é da cidade de São Paulo, participe dessa iniciativa! Após o seu cadastro, poderá acessar as informações através do seu login e senha.

"O Mapa da Dança da Cidade de São Paulo é uma iniciativa inédita, que nasce de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura, por meio do portal SPCultura, e a publicação virtual Conectedance, com a proposta de dimensionar a dança em toda sua extensão – artística e territorial.
Esta iniciativa pioneira e fundamental pretende contribuir para a criação de uma rede em toda a cidade de São Paulo, que permita compreender os diferentes perfis dos agentes “fazedores” de dança, de todos os segmentos de criação e produção e de todas as localidades, do centro à periferia." (trecho retirado do site oficial)



[Notícia Tribal] Lançamento do Clipe Sex and Blood com Hölle Carogne

A bailarina gaúcha Hölle Carogne (RS) participou do clipe "Sex and Blood" da banda  de gothic rock , Armon.

Confira a participação da bailarina através do vídeo abaixo:

[Notícia Tribal] Dança Tribal no programa Meu MS

As bailarinas de Campo Grande (MS) estiveram divulgando a dança tribal no programa Meu Mato Grosso do Sul, da TV Morena, filiada da Rede Globo.

Clique na imagem acima para assistir a primeira parte da matéria


O primeiro vídeo é uma reportagem  com a bailarina e professora Morgana Shayra (MS) sobre o Tribal Fusion, explicando um pouco sobre a origem e as peças utilizadas no figurino da dança.

O segundo vídeo é uma apresentação de dança tribal com passos de ATS® com a participação de  David Junior e amigos tocando música regional.

Clique na imagem acima para assistir a segunda parte da matéria


Clique aqui para acessar a matéria na íntegra!

[Perdido na Tradução] Episódio 3: "Espera... estou trocando os pés pelas mãos"

por Raphaella Peting


Foto por SelenArt







 Note: The English version of this text is below this post.

Desde o momento que somos crianças pequenas somos ensinados a sempre colocar o nosso melhor pé em frente. Para citar o famoso vaudevillian Will Rogers, "Você nunca tem uma segunda chance para fazer uma primeira impressão". Em meus anos como uma publicista, eu sempre fiz um ótimo trabalho como o mestre das marionetes por trás da cortina. A habilidade de transformar uma primeira impressão em uma que é favorável e duradoura foi o meu forte. No entanto, com respeito a controlar a minha própria imagem, eu tenho uma tendência a ser um pouco desajeitada.

Mesmo com a melhor das intenções, os seres humanos têm uma tendência a colocar-se em situações embaraçosas quando se encontram no novo ambiente. E cara, eu não era diferente. Desde que eu era uma garotinha, eu fui um modelo de embaraço social. Felizmente, eu herdei o encantador senso de humor da minha mãe que eu poderia usar para me resgatar quando eu me metia nesses tipos de situações.  Bem, pelo menos em pessoa. Infelizmente para mim, meu próximo erro seria por escrito, limitando a minha capacidade de controle de danos instantâneos. Semelhante a comediante Lucille Ball, minhas contorções faciais não poderiam ser traduzida por e-mail.

Naquela época, eu tinha estado no Brasil por alguns meses e estava ansiosa de efetuar um esforço para conhecer melhor a comunidade de dança do ventre local. E, embora eu estivesse assustada com a incerteza de como o público brasileiro iria perceber a minha mistura única de Tribal Fusion, eu não permiti que me atrapalhasse.  Uma coisa é certa, eu nunca permiti que o medo fosse um fator de dissuasão em minha vida e eu não ia começar agora. Na verdade, quando eu encontrei-me com medo de tentar algo, desta descoberta de medo parecia intensificar o meu desejo de atingir esse objetivo. E, embora o atributo de auto-confiança sempre foi uma característica de encolhimento em mim, o rebelde dentro estava vivo e bem.

Então, em um esforço para criar algumas conexões e abrir algumas portas metafóricas, fui direto para o meu computador e comecei a pesquisar todos os grandes festivais de dança do ventre no Brasil. Não se preocupe, o momento estranho está chegando. Espere por isso...

Foto por Morena Santos

Embora eu tentasse ser muito cuidadosa em aderir aos próprios costumes culturais, esta é uma verificação de fato que completamente escorregou da minha mente.  Mais especificamente, o processo de candidatura de desempenho.  A prática comum nos EUA para dançarinas interessadas em se inscrever para participar em um festival ou show começa com um pedido por escrito acompanhado da inscrição em si, uma amostra de um trabalho recente (performance em vídeo) e, por vezes, uma cópia do currículo da dançarina com uma foto que vai determinar ou não te colocar no show.

Bem, como eu estava prestes a descobrir, isso não era como as coisas funcionam tipicamente por aqui. Na verdade, apenas perguntar sobre como se pode participar pode ser percebido como um pouco ofensivo, especialmente se você é desconhecido. E, no momento, isso é exatamente o que eu era. Embora eu era bem conhecida nos EUA, eu era praticamente inexistente no Brasil na época.

Lição nº. 1: Sempre tenha fé em sua intuição. É um instrumento extremamente engraçado  e infalível. Então, por que muitas vezes nós o ignoramos? A minha estava me dizendo: "Talvez você deva perguntar qual é o protocolo aqui ... Você sabe, só por precaução!", mas para a minha infelicidade, não fiz.  Por alguma razão, eu decidi ignorar minha intuição, como muitos de nós fazemos com frequência, e continuar com o que eu achava que era a prática comum. Talvez fosse o meu embaraço sobre minha compreensão insuficiente do Português, nesse momento, ou o medo que eu iria interpretar mal a resposta. Eu não tenho certeza.  No entanto, o que eu tenho certeza é que eu preferiria o constrangimento de reprisar o meu personagem como o "idiota da vila" que eu frequentemente abrangia com a minha tentativa inaudível no Português em vez do constrangimento de parecer ignorante ou rude. Embora eu falasse até cerca de 10 frases agora em Português, minha elocução foi nada coerente. Então, eu decidi que ia engolir o sapo e enviar minhas perguntas via e-mail.

Depois de algumas semanas, com quase nenhuma resposta, eu decidi confiar em uma dançarina local, com quem fiz amizade algumas semanas antes, para perguntar se ela poderia me dar algum insight sobre o que eu havia errado. Felizmente, ela estava familiarizada com algumas das diferenças das práticas entre as comunidades de dança do ventre em ambas as regiões e era amável o bastante para explicar meus tropeços desafortunados que eu tinha cometido.  Ela delicadamente me informou que você não pede para participar; você deve esperar para ser convidado. Lembre-se que esta não é uma regra absoluta, mas na maioria das circunstâncias, é o costume geral. Eu estava tão envergonhada! Aparentemente, eu saquei a arma e atirei nas minhas próprias pernas no processo. Eu estava mortificada com o pensamento de ter potencialmente arriscado minha chance de uma carreira de dança de sucesso no Brasil antes mesmo de começar. Cara, eu realmente troquei meus pés pelas minhas mãos desta vez.

Foto por Justin Piwetz

Felizmente, como algumas semanas se passaram, aqueles que me conheceram em pessoa perceberam meus tropeços foram simplesmente tropeços; um erro inofensivo e eles me deram o benefício da dúvida. Logo depois, recebi um convite para me apresentar no meu primeiro evento no Brasil. É uma experiência que vou manter presa no meu coração para sempre; as festividades culturais das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, conhecida como Rio + 20.

Este evento foi muito precioso para mim por várias razões. A primeira era que não só foi o meu primeiro convite da comunidade da dança local, mas este evento em particular foi uma oportunidade para compartilhar minha mistura original da dança do ventre com a grande variedade de públicos brasileiros no atendimento. Por cederem este tipo de plataforma, especialmente como um estrangeiro, considero uma grande honra.

Outro papel importante neste evento jogado na minha vida foi que foi aqui onde eu tinha conhecido algumas brasileiras inesquecíveis; duas que incluem uma fotógrafa fenomenalmente talentosa cujo coração e compaixão com a comunidade de dança do ventre é maior do que Pão de Açúcar em si; e uma empolgada, tribalista sensacional e professora de ATS® que se tornou ao meu anjo da guarda aqui no Brasil.

Então, com isso em mente, devo reiterar um ponto importante que mencionei em meu artigo anterior; a importância do networking e a criação de relações sustentáveis. E este é um excelente exemplo. Por chegar, eu não ganhei apenas uma amiga e confidente, mas um Sherpa, que me ajudou a navegar neste território inexplorado, me ajudando a evitar tantos percalços quanto possível.  Nunca subestime o impacto de um ato de bondade. Nunca pense que isso não vai fazer uma diferença, porque na maioria das vezes, é apreciado mais do que você imagina.  Por exemplo, esse ato de bondade desta pessoa adorável concedeu-me não apenas me ficar afora de erros evitáveis,mas  ela me deu a habilidade de relaxar profundamente e tomar de uma forma mais rica a experiência da cultura brasileira e seu povo, que eu tenho crescido ao conhecer, amar e apreciar ao longo dos últimos anos. Embora eu esteja atenta para nunca expulsar quaisquer nomes específicos em minhas aventuras, se você está lendo isso, você sabe quem você é, e eu agradeço do fundo do meu coração.


Episode 3: “Open Mouth… Insert Foot ”
Foto por Justin Piwetz
From the time we’re small children, we are brought up to always put our best foot forward.  To quote the famous vaudevillian Will Rogers, “You never get a second chance to make a first impression”.   In my years as a publicist, I had always done an excellent job as the puppet master behind the curtain.  To transform a first impression into a favorable and lasting one was my forté.  However, when it comes to managing my own image, I have a tendency to be a bit of a klutz.   

Even with the best of intentions, human beings have a tendency to place themselves in increasingly awkward situations when they find themselves in new surroundings.  And brother, I was no different.  Ever since I was a little girl, I’ve been the poster child for the socially awkward.  Luckily, I’ve inherited my mother’s charming sense of humor and comedic timing to come to the rescue whenever I get myself into these types of situations.  Well, at least in person that is.  Unfortunately for me, my next faux pas would be in writing, thus limiting my ability of instant damage control, as my comedic, Lucille Ball-esque facial contortions could not be translated via email.

You see, I had been in Brazil a few months now and was anxious to perform in order to become better acquainted with the belly dance community here.  And although I may have been scared shitless by the uncertainty of how the Brazilian audience was going to perceive this American dancer’s particularly odd blend of Tribal Fusion, I didn’t let it hold me back.  One thing is for certain, I’ve never allowed fear to be a deterring factor in my life and I wasn’t going to start now.  As a matter of fact, whenever I found myself afraid to try something, that discovery of fear seemed to intensify my desire to go accomplish that goal.   Oddly enough, although the attribute of self-confidence had always been a dwindling characteristic trait of mine, the rebel inside was alive and well.   

In an effort to get myself out there, I took to my computer and began to research all of the major belly dance festivals in Brazil.  Now, here’s where it gets a little hairy.

Foto por Morena Santos
As is to be expected, the performance application process is a bit different down here.  Though I try to be quite careful in adhering to one’s cultural customs, this is one fact check that completely slipped my mind. You see, the performance application process as is common practice in the states usually begins with a written request accompanied by the application itself, a sample of a recent work (performance video) and sometimes a copy of the dancer’s resume as well as a press photo from which they will determine whether or not to place you in the show.  Well, as I was soon to find out, this was not how things typically run down here.  As a matter of fact, it can actually be viewed as somewhat offensive, especially if you’re unknown.  And at the time, that’s exactly what I was. Though I had a following in the US, I was virtually non-existent in Brazil at the time.

Lesson no. 1 kids: ALWAYS trust your gut.  Our intuition is a priceless tool.  So why do we often times ignore it? Mine was telling me, “Maybe you should ask what the protocol is here… you know, just in case!” but to my detriment, I did not.  For some reason, I decided to ignore my intuition, like many of us so often do, and went ahead with what I thought was the common practice.  Maybe it was my embarrassment over my insufficient grasp of the Portuguese language or the fear that I would misinterpret the answer to my question.  I’m not sure.  What I am certain of however is that I would have much preferred the embarrassment of reprising my role as the village idiot I so frequently encompass with my inaudible attempt at the Portuguese language rather than the embarrassment of appearing ignorant or rude.  Although I was up to about 10 phrases now in Portuguese, my elocution was anything but coherent.  So, I decided to bite the bullet and send my inquiries via email.

After several weeks with virtually no responses, I decided to confide in a local dancer with whom I had struck up a friendship a few weeks prior to see if she could give me some insight into what went wrong here.  Fortunately, she was familiar with some of the differences in practices between the belly dance communities in both regions and was kind enough to explain the unfortunate faux pas I had committed. She delicately informed me that you do not inquire to perform; you must wait to be asked.  Mind you, this is not an absolute rule, but in most circumstances that is the general custom.  I was so embarrassed! Apparently, I had jumped the gun and shot my own legs off in the process.  I was mortified at the thought of having potentially hurt my chance at a successful career in Brazil before it had even begun. Boy, I really put my foot in my mouth this time. 

Luckily, in the weeks following, those who came to know me realized my faux pas was simply that; a harmless mistake and gave me the benefit of the doubt.  Soon after, I received an invitation to perform at my first event in Brazil.  It is an experience that I will forever hold dear to my heart; the cultural festivities of the United Nations on Sustainable Development known as Rio + 20.

Foto por Morena Santos
This event was very precious to me for several reasons.  The first being that not only was it my first invitation from the Brazilian dance community, but this particular event was an opportunity to share my unique blend of the belly dance with the wide range of Brazilian audiences in attendance.  To be given that type of platform, especially as an outsider, I consider a huge honor.   

Another important role this event played in my life was that it was at this festival where I had met a few unforgettable Brasileiras; two of whom include a phenomenally talented photographer whose heart and compassion for the dance community is bigger than the Empire State Building, and a sassy, highly skilled Tribalista and ATS instructor who has become my guardian angel here in Brazil. 

So, with that in mind, I must reiterate an important point that I touched on in my last article; significance of networking and creating sustainable relationships.  And this is a prime example.  Through reaching out, I gained not only a friend and confidant, but a Sherpa who has helped me navigate this unchartered territory, helping me to narrowly avoid as many mishaps as possible.  Never underestimate the impact of an act of kindness.  Never think that it won’t make a difference, because more often than not, it is appreciated more than you know. For example, this act of kindness this lovely person has bestowed upon me didn’t just keep me away from avoidable mishaps.  It gave me the ability to relax and profoundly take in a more rich experience of the Brazilian culture and it’s people I have grown to know, love and appreciate over the past few years.   Though I am mindful never to expel any specific names in my whimsical ramblings… If you are reading this, you know who you are, and I thank you from the bottom of my heart.    


[Resenhando-SP] Workshops com Kilma Farias no Espaço Vanna Tribal Bellydance

por Maria Badulaques & Aldenira



Nos dias 15 e 16 de agosto degustamos da mais fina técnica com a dançarina Kilma Farias da Cia Lunay. Como todos sabem, é público e notório, sou apaixonada por Tribal Brasil e poder estudar com nossa querida criadora do estilo foi um prazer nababesco.

Acredito que todos temos um pouquinho (ou muiiiiiiiiiiiiiiiiito) da cultura brasileira em nosso DNA, afinal,como negar as raízes mais intrínsecas do que supomos? É tocar uma batida de maracatu que todas células despertam, assim foi o dia de Tribal Brasil.



A técnica de Kilma impressiona os olhares, não há retoques a serem feitos. Procuramos avidamente acompanhar sua energia e ritmo, afinal Tribal Brasil é febril, pulsante....TE-SU-DAL.  Aprendemos basicamente (opa, não houve nadaaaaaaaaaaaa básico) passos de maracatu, elefante e cavalo-marinho (genteeeeeeeeeeeeee, pinguei horrores) in natura e como fusioná-los com ATS®, bellydance.... ou aquilo que lhe for mais natural e orgânico, no meu caso, o ATS® :)

Após a primeira parte do work, acompanhamos (tentamos) Kilma em uma série coreográfica que envolvia os passos já fusionados. Sinceramente, a palavra para o que senti não pode ser publicada, imagina daí...


Em meio a técnica e um bolinho pelo aniversário de Kilma, a teoria de como surgiu o Tribal Brasil, as fusões dos passos, história do maracatu nos foram contadas a luz da visão de Kilmita, e isso para mim (a parte nerd da dança) é o que conecta meu corpo a expressão do quero passar. Parfait!

Esgotadas, estropiadas, mas muito felizes pelo encontro, sentamos para apreciar um improviso de Miss Farias. Neste momento senti meu coração parar por alguns instantes, a dança realmente me leva a outros patamares existenciais. Como diz uma amiga, viajei, voltei depois e não sei onde fui....Só sei que fui! Três palavrinhas descrevem, mas quem ouviu...ouviu, não dá pra publicar :)



Quando Kilma voltar a Sampa indico a todos que amam a dança a experiência,pois foi algo FODÁSTICOOOOO (eita, escapuliu kkkkkkk).

Kilma, a mulher das mãos que dançam!

Super xeros no pulsante.
Maria Badulaques


_________________________________________________________________________


O que falar desse evento? Ainda estou em transe com tudo que aconteceu nesse final de semana 15 e 16/08/15 aqui no Espaço Vanna Tribal Bellydance.

Há algum tempo venho estudando o Tribal de uma forma geral, incluindo também o ATS®; mas a minha paixão sempre foi o Tribal Brasil, pois venho de cultura nordestina que já tem nas veias todas essas vertentes.



Foi a partir de uma conversa via rede social que eu Kilma Farias tivemos a idéia dela vir ministrar um workshop em São Paulo aqui no meu Espaço, que praticamente abriu as portas esse ano para o mundo Tribal.Foram 7 meses planejando, divulgando e organizando tudo o que precisaria para tal.

A emoção já tomou conta quando fui encontrá-la...Nossa ,estava ali na minha frente a minha referência como bailarina. Ao vivo e a cores!!! Meu ídolo!!! Chorei de emoção....Pode crer!!! Uma mulher simples, muito alegre e com um preparo na dança sem igual.



No sábado, aconteceu o "Workshop de Tribal Fusion" pela manhã e todas as participantes estavam tipo que encantadas. Houve um trabalho intenso de preparação corporal, criação individual e montagem de coreografia trazida por ela. Da mesma forma aconteceu a tarde com o "Workshop de Dark Fusion", onde ela pode tirar as muitas dúvidas que tínhamos em relação a esse estilo.

No domingo, a sala tinha um tom diferente, um colorido, um perfume e muitas flores....Era o Tribal Brasil dando o ar da graça!!! Nossa, que delícia!!! Saber que estava a nossa frente a Mãe do Tribal Brasil explicando como surgiu cada movimento, as junções do que ela já tinha como história corporal e adicionar isso ao Tribal. Surgindo, então, algo nosso...Algo brasileiro....um Tribal Brasil. Isso foi de uma riqueza sem tamanho. Uma manhã de muito aprendizado.



Sinto-me muito feliz em poder ter logo no primeiro ano do Espaço Vanna Tribal Bellydance tê-la aqui como Madrinha, abençoando essa nova empreitada.

Sou muito grata a Gabriela Miranda, Yoli Mendes e Marcelo Justino, meus professores, meus parceiros e meus amigos que foram os primeiros a abrir esse mundo em minha vida também e incentivaram-me a trazê-la. Agradeço imensamente a todos que trabalharam duro comigo montando, desmontando e criando como meu esposo Vandré Nascimento, responsável pelo som, fotos e gravações. E minha amiga Emi Victória que ,desde o primeiro dia, estava na luta comigo. Creio eu que essa foi a primeira de muitas vezes que ela ainda virá....Projetos estão no ar...Muita coisa boa vem por ai....É só ficarem ligados que nossa história está só começando. GRATIDÃO é a palavra que resumi a tudo que estou sentido hoje.




[Notícia Tribal] Vlog Tribalices

O blog Tribalices de Natália Espinosa (SP)  virou um vlog no Youtube! Toda quarta-feira tem vídeo novo no canal. Confira o primeiro vídeo dividido em duas parte com participação especial de Maria Badulaques (SP) sobre músicas de ATS® de uma forma bem descontraída, bem-humorada e dinâmica.






|Blog |  Youtube |

[Notícia Tribal] Tribal Calendar - Tribal Bellydance Events Worldwide


Tribal Calendar é um projeto realizado por Cat e Tina (EUA), que tem por objetivo fornecer informações sobre os festivais e grandes eventos no mundo da dança tribal em todos os países e continentes. O serviço é gratuito, tanto para organizadores quanto para espectadores do evento.  Contudo, as informações são publicadas apenas em inglês.

Informações:


[Notícia Tribal] Aulas on-line com Lava

A bailarina Lava (EUA), divulgou recentemente em seu canal no Youtube um trecho da sua aula on-line sobre o Ribcage Rotation. Você pode conferir o vídeo abaixo:



Informações:
|Site| Fan Page|

Entrevista #37: Hölle Carogne


Nossa entrevistada do mês de setembro é a gaúcha Hölle Carogne de Porto Alegre! Hölle comenta sobre sua trajetória como artista, seus gostos pelo lado obscuro da dança ligado ao ocultismo, e muito mais! Boa leitura!


BLOG: Conte-nos sobre sua trajetória na dança do ventre/tribal; como tudo começou para você? Qual o significado do seu nome artístico? 
Eu lembro que meu interesse na dança do ventre surgiu por volta do ano 2001, quando eu tinha uns 13 anos, por influência da novela O Clone. É engraçado revelar isso, mas acho que muita gente se interessou pela dança por causa da novela. Lembro que na minha cidade (Sapiranga) não tinha aulas e que minha mãe, para me agradar, comprava aquelas revistas sobre dança do ventre que vinham com CDs de música árabe. Meus primeiros flertes com a movimentação deste estilo de dança se deram de forma bem amadora e autodidata, tendo como companheira a minha amiga Paula Knecht que, assim como eu, entrava em contato com a dança na mesma época. Em 2007, iniciei o meu primeiro curso de dança do ventre com a professora e amiga Fernanda Nuray, em uma academia da cidade (não me recordo o nome). Logo depois, entre 2008 e 2009, tive aulas de dança do ventre com a professora Ana Mariela Gottlieb, nesta mesma academia. Foi a Ana que me apresentou de forma elogiosa a Dança Tribal, ao falar que minha movimentação e jeito lembravam uma bailarina deste estilo. Meu primeiro contato visual com o Tribal foi com um vídeo da Rachel Brice de 2008, "Introduction to Tribal Fusion Bellydance with Rachel Brice" (Bellydance Superstars). Lembro de ter me emocionado muito, principalmente com o clima pesado deste trabalho e, a partir deste momento, comecei uma pesquisa por vídeos e artigos (via internet), pois infelizmente não tinha como praticar aulas por falta de professores. Em 2010, me mudei para Porto Alegre e segui por mais um tempo na dança do ventre, tendo como professora a Egnes Gawasy (Obs.: Foi com ela que flertei pela primeira com a movimentação de tribal.). Em 2011, conheci a Bruna Gomes (por indicação da Daiane Ribeiro) e mergulhei de cabeça no Universo Tribal, deixando a dança do ventre completamente de lado. Depois de 2013, passei a ter aulas de tribal com a Fernanda Zahira Razi. Posso então dizer que há uns 8 anos me dedico a aprender e desvendar melhor esta arte (ventre/tribal).

Meu nome artístico vem de muito antes da Dança. Eu sempre assinei meus poemas e outros trabalhos artísticos que desenvolvia (pinturas, desenhos, etc) com este pseudônimo e decidi mantê-lo na dança também, porque é o nome que dou ao meu ego mais sombrio. Hölle, em alemão, significa “Inferno”. Mas quando o escolhi, não foi pelo significado da tradução e sim uma referência à personagem do conto de fadas alemão “Frau Hölle” ou “Mãe Inferno”. Carogne é uma palavra em francês arcaico que significa algo como “corvo”, “carcaça”, “podridão”, “carniça” e que também possui alguns significados pejorativos como “mulher ruim e devassa”, “prostituta”, “cadela”. Resumindo, “Hölle Carogne” é o nome de um dos meus arquétipos mais grotescos e que reneguei por anos. Quando entrei em um contato mais íntimo com a arte, resolvi resgatá-lo e reconhecê-lo, aprendendo e evoluindo com ele.

BLOG: Quais foram as professoras que mais marcaram no seu aprendizado e por quê?
Eu tive poucas professoras nestes 8 anos e consigo lembrar exatamente o jeito especial de ser/ensinar de cada uma. Todas marcaram muito a minha trajetória e me deixaram lindos ensinamentos.

Com a Fernanda Nuray aprendi as bases em danças árabes e muito do conteúdo musical e didático, mas, principalmente, a conexão da dança com o mundo espiritual. A Weber (apelido carinhoso) sempre foi uma pessoa muito ligada ao mundo espiritual, digamos assim, e lembro de detalhes que ela ensinava como quando fazíamos movimento de ondulação com a mão. Ela dizia: "Ao trazer a mão, tentem não contrair/fechar os dedos, porque ninguém quer trazer nada de ruim lá debaixo, né?”

A Ana Mariela Gottlieb, com suas vivências compartilhadas, me ensinou muito sobre auto-estima. Lembro de ela falar: “Se tal parte do seu corpo não é tão bonita, dê ênfase para a parte que é!”,“Se tal movimento não é tão perfeito, mostre aquele que você tem mais segurança!”

A Egnes Gawasy me ensinou muito sobre minha forma sinestésica de aprendizado. Ela teve um olhar clínico e tipicamente virginiano ao perceber que eu aprendia os movimentos mais complexos tocando no seu corpo e sentindo com as mãos como aquele movimento era feito.  

A Bruna Gomes me incentivou muito a superar a insegurança e ir para o palco. Eu lembro que eu era muito chata quanto à técnica e achava que nada estava tão bom e perfeito quanto deveria. Eu achava que teria que aprender muitos movimentos ainda e dominá-los por completo. Então ela me disse: “Você pode ter muitos anos de aprendizado e domínio de técnica que você vai entrar em um palco e ainda vai estar insegura, pois não vai saber interagir com o público. O palco é, também, um caminho para o alcance da técnica.”


A Fernanda Zahira Razi (minha atual professora) me ensinou muito sobre movimentação técnica em si. Muitos dos movimentos que eu não sabia fazer ou que eu achava que sabia foi ela que me ensinou. Ela tem uma maneira exemplar de ensinar, ela te entrega o movimento dissecado, e desenha ele desde a sua origem. Ela tem uma humildade e trata as alunas como iguais, coisa rara na dança. Se você acha que nunca vai aprender um movimento, ela vai lá e, sem mais nem menos, joga na sua cara que você é capaz sim! O que mais me marcou na Fê, e marca até hoje, é a energia visceral que ela emana ao dançar. Lembro exatamente, como se fosse hoje, a primeira vez que a vi dançar... Foi no ensaio do espetáculo Movie-mento (organizado pelo Grupo Masala, na época Bruna Gomes e Zahira Razi). Era o ensaio geral do espetáculo e eu não a conhecia, apenas ouvia falar nela. Ela dançou "Carmem", uma fusão de flamenco, e sério, naquele dia fui arrebatada. A energia dela se misturou pela sala, tamanha entrega. Desde lá, venho admirando toda esta força da natureza que ela emana ao dançar e isso é inspirador!

Gostaria de destacar aqui a Jade Corrêa (bailarina de jazz), que nunca foi minha professora, mas com quem aprendo muito a cada nova interação. Uma bailarina que, além de muito talentosa, tem uma sensibilidade incrível e um olhar artístico muito intenso. É a ela que recorro quando preciso de direção, de dicas, de um olhar poético que se encaixe com minhas idéias! Com certeza é uma profissional que ainda vai me ensinar muito e com certeza é uma amiga que pretendo ter sempre ao lado, dividindo arte!

BLOG: Além da dança tribal você já fez ou faz mais algum tipo de dança? Há quanto tempo?
Eu fiz balé por pouco tempo e de forma bem amadora, quando criança. E hoje, além de tribal, eu flerto com outros estilos. Nunca pude fazer aulas regulares e me dedicar mesmo a mais de um estilo. Mas já pude investir um pouquinho em jazz e dança contemporânea. Espero, em breve, poder expandir mais!


BLOG: Quais foram suas primeiras inspirações? Quais suas atuais inspirações?
Minhas primeiras inspirações no tribal foram a Rachel Brice, a Zoe Jakes e a Sharon Kihara, que seguem inspirando, mas de forma bem menos sedutora que antigamente.

Hoje em dia, quem me inspira é quem traz algo novo, quem me emociona, quem eu vejo que busca algo além de uma estética engessada, que trilha seu próprio caminho, que se comunica de forma visceral comigo.

Dentre minhas grandes inspirações estão Gaia Scuderi, Ivana Caffaratti, Idhun Darkfusion, Violet Scrap, Grace Constantine, Illan Riviere, Piny Orchidaceae e Lelyana Stanishevskaya. Eu me identifico muito também com a energia e propostas da Saba Khandroma e da Aepril Schaile. E também admiro muito a bailarina Joline Andrade, cuja ideologia e linha de pensamento dentro do tribal me agradam bastante.

BLOG: O quê a dança acrescentou em sua vida?
Consciência corporal, disciplina, uma maior conexão com meu corpo, uma forma visceral de expressão e muitas amigas!

BLOG: O quê você mais aprecia nesta arte?
A forma com que ela me conecta com meu corpo e com o todo (Universo), tornando fácil desconectar, transcender... Parece confusa essa frase, mas é bem assim que sinto... Hehehe.

BLOG: O quê prejudica a dança do ventre e como melhorar essa situação? Você acha que o tribal está livre disso?
As pessoas. Hehe. As pessoas gostam de complicar. Tanto na dança do ventre quanto no tribal. As pessoas (e não me incluo fora) são egoístas, dominadoras, competitivas, etc. Trabalhar em grupos/equipes se torna cada vez mais difícil, porque dá a impressão que tudo não passa de uma grande disputa de egos. Como aluna, acho que a falta de profissionalismo nesse meio atrapalha bastante também. Acho, também, que bailarinos de ventre/tribal não são tão valorizados como bailarinos de outros estilos, talvez porque ainda não começamos a exigir nossos direitos. Ex.: Muitas vezes temos que pagar para dançar dentro de eventos das próprias bailarinas e isso, na minha opinião, é um absurdo. Ou a gente recebe convite pra dançar... “Ah, mas é sem cachê e tem que bancar sua própria passagem, hospedagem e alimentação. Não, mas “pêra aê” você está tendo a chance de divulgar seu trabalho, etc, etc.” Quero deixar bem claro que sou a favor da parceria entre bailarinas e artistas para fazerem a coisa acontecer. Muitas vezes dançamos sem receber por que estamos abraçando uma idéia, e isso é bom! Ruim é ver bailarinas explorando bailarinas! Enfim... Pra começar a melhorar, creio que tem que começar de dentro, quando cada bailarina começar a mudar a sua postura, as coisas irão se refletir no todo.   

BLOG: Você já sofreu preconceitos na dança do ventre ou no tribal? Como foi isso?
Nunca. Na verdade, se alguém foi preconceituoso nunca percebi e nem nunca me afetou, felizmente. Minha forma de dançar/expressar é subversiva, então se o preconceito vier, estarei pronta para enfrentá-lo.

BLOG: Houve alguma indignação ou frustração durante seu percurso na dança?
Pequenas frustrações, eu diria. Nada grave. Apenas coisas rotineiras de falta de organização e profissionalismo por parte dos próprios grupos/bailarinos e por uma falta de noção de quem quer que a gente dance, mas não acha justo pagar.

BLOG: E conquistas? Fale um pouco sobre elas.
Nossa, muitas! Em primeiro lugar, os amigos que fiz na dança e que hoje são parte da minha história de vida! Aprendi muito também; sobre mim, sobre ser parte de um grupo, sobre não guardar sentimentos e rancores, sobre mesclar as personalidades para que um trabalho possa ter um pedacinho de cada integrante, sobre amar a minha tribo, sobre dividir. Eu aprendi muito, evoluí muito e o aprendizado pra mim é a maior conquista! Um acontecimento que me marcou muito foi ter sido premiada com terceiro lugar na categoria Composição Livre, em um importante festival de danças da cidade, por um trabalho de dark fusion que fiz. Eu tenho pouquíssima técnica e levei um trabalho bem subversivo e, mesmo assim, fui bastante elogiada quanto à expressão, enredo, interpretação e ousadia. Isso me deixou muito feliz e com vontade de seguir em frente.
BLOG: Como é ter um estilo alternativo dentro da dança? Conte-nos um pouco sobre isso. 
É completamente natural, na minha visão. Creio que antigamente deve ter sido bem mais complicado. Hoje em dia as pessoas já estão mais familiarizadas com as estéticas mais exóticas. Mesmo assim, não é tão raro recebermos olhares estranhos, principalmente de bailarinos do ventre que não interagem com o tribal. Mas acho que é um estigma que vem sendo rompido e que vem ganhando cada vez mais naturalidade na dança e na sociedade em geral.  

BLOG: Como é o cenário da dança tribal em Porto Alegre? Pontos positivos, negativos, apoio da cidade/estado, repercussão por parte do público bem como pela comunidade de dança do ventre/tribal? 
É dividido em alguns pólos, eu diria. Temos o trabalho dos grupos Al-málgama, Zahira Razi e Mandal'Azad. E bailarinas que tem um trabalho mais individual como Izadora Ferreira, Patrícia Nardelli, Karine Neves e eu. Também tem a Roberta Campos, que tem um trabalho muito tribal, mas não usa esta nomenclatura. Creio que cada pólo vai levando à sua maneira. Não vejo muita interação. Mas tenho visto fluir desta forma e sinto que o tribal está crescendo e tomando proporções cada vez mais interessantes. Acho que o público está curioso e aberto. Sou otimista quanto ao crescimento e valorização do tribal.     

BLOG: O seu primeiro grupo de tribal fusion foi o Al-málgama, dirigido por Bruna Gomes. Como foi ser membro desse grupo? Conte-nos um pouco sobre a proposta dele e sobre suas experiências com o mesmo. 









Exatamente. Eu fiz parte do Grupo Al-málgama de 2011 a 2013. Foi onde obtive todas as principais bases de dança tribal, aprofundei meus conhecimentos na área e iniciei minha carreira como bailarina, participando de festivais produzidos pelo próprio grupo, e também, do Festival de Dança de Joinville (nos palcos abertos). Ser membro do Grupo Al-málgama foi muito importante para a minha evolução como bailarina e como pessoa, também. Aprendi muito. Tive ótimos momentos lá e ainda lembro com saudades de muitas coisas. A proposta do Grupo, na minha visão, é uma proposta mais voltada para o Tribal Fusion, com enfoque na expressão e comunicação com o público. Acho a proposta bastante estética também. A Beleza rodeia os trabalhos do grupo, com certeza!

BLOG: Conte-nos um pouco sobre suas principais coreografias. O quê a inspirou para a formulação da parte conceitual e técnica das mesmas, assim como seus processos de elaboração dos figurinos e maquiagens. Como essas coreografias repercutiram na cena tribal? 
Normalmente, o que me inspira a criar um trabalho é a própria música. Ela é, quase sempre, meu ponto de partida. Eu acho que só danço porque amo a música! Desde que comecei a dançar sozinha, realizar meus próprios trabalhos, eu só danço músicas que me emocionam muito. Eu já dancei músicas das quais eu não gostava ou que não me tocavam, e não é muito legal! Sobre a repercussão dos meus trabalhos na cena tribal, acabam chegando até mim apenas coisas positivas. No geral, sou bastante criticada quanto à falta de técnica, mas minha ousadia e transgressão parecem agradar o público.
 Duo Chronus
A inspiração para o Duo Chronus (de Jade Corrêa, Mayara Ahlam e Hölle Carogne) partiu da música "Time" do Pink Floyd. O assunto do enredo é meio óbvio: o Tempo. A partir daí criamos o figurino Steampunk, a make dourada e os desenhos de palco e movimentações que lembram um relógio.



Draconis Contra Omne Conceptus partiu do interesse em unir a dança tribal, o metal e o ocultismo em um único trabalho. Michelle Loeffler e eu criamos o enredo vislumbrando a ideia de “reconhecimento da sombra”.

El Diablo
El Diablo, do Trio Magiar (Andressa Passos, Maicon Ribeiro e Hölle Carogne), teve como inspiração a nossa identificação com o xamanismo e o nosso interesse pela música "El Diablo", da Grace Slick. O enredo foi criado tendo como personagens o buscador e o guia. Os figurinos foram feitos de forma bem artesanal e utilizando vários acessórios da Arcaicah.



A inspiração para O Fim da Raça partiu da música "Promessas do Sol", do Milton Nascimento, porém na versão da banda Soul of Honor. O enredo foi apenas uma forma de manifestar na dança o que fala a letra da música: o desaparecimento e morte cultural dos nossos índios. Foi meu primeiro trabalho solo, é um improviso na verdade, mas é um dos trabalhos que mais gosto. Quero retomá-lo em breve, com seriedade, porque esta proposta me emociona muito.  



Cornibus Ad Inferni também teve seu ponto de partida na música. Eu havia escolhido aquela música para dançar e a letra dela tinha tudo a ver com reconhecimento de sombras. Eu estava há horas querendo viver o meu arquétipo “Hölle Carogne” nos palcos e esta foi a oportunidade. A criação da movimentação se deu de forma bem instintiva, conforme eu ia incorporando mais profundamente esse arquétipo. Algumas partes foram improvisadas. O figurino e a maquiagem foram criados pensando em como seria a estética deste arquétipo. Essa performance foi muito especial, pois nunca estive tão presente em mim quanto nesta manifestação artística.
Cornibus Ad Inferni

Melancolia, Sangue Latino, Canticum Aethere, Sweet Circus Freak e Erotomechanoid também partiram da conexão com a música.

A inspiração para o Duo Solve Et Coagula partiu da minha identificação com a Deusa Éris e o Caos que a permeia. Inicialmente, era uma ideia que pensei em realizar com a Bruna Gomes, para uma participação em uma apresentação da Symphony Draconis. Acabou nunca rolando uma participação na banda e nem um duo meu e da Bruna. Mas o enredo e a proposta ficaram assombrando a cabecinha doentia da Hölle e quando a Izadora Ferreira sugeriu um duo meu com a Luiza Marcon, eu me empolguei para trazer esta proposta à tona, principalmente pensando na nossa cabeleira que é muito parecida. A partir da idéia de enredo, escolhemos uma música que gostávamos e que tinha um clima de “Solve Et Coagula” e criamos os figurinos e arquétipos pensando no Caos que cria e no Caos que destrói. Acho que não poderia ter escolhido ninguém mais perfeito para vivenciar esse enredo comigo. Descobri uma conexão incrível com a Luiza Marcon.



In MagiamVersus também partiu da conexão com a música e foi a forma que escolhi para expressar uma fase que estava vivendo como ocultista.

BLOG: Conte-nos como foi a elaboração das suas videodanças: escolha da proposta, cenário, figurino, movimentos e edição, além do resultado final. Por que você acha a videodança uma forma de comunicação válida e que venha a acrescentar à Dança Tribal? 
Elementarium

A ideia surgiu com o projeto da Mariáh. Eu queria aproveitar essa possibilidade e fazer algo com as amigas. Acabei convidando vários grupinhos, mas apenas uma das ideias frutificou: que foi reunir as meninas do metal e criarmos algo, separando um material que enviaríamos para a Mariáh, e outro com o qual tentaríamos criar nossa própria videodança.



Inicialmente, iríamos representar alguns arquétipos que combinassem com cada uma. Como éramos 5, a Marina Segalla deu a ideia de cada uma representar um elemento da natureza e acabamos escolhendo de acordo com a personalidade de cada uma. A música foi indicação da Marina também. A videodança Elementarium contou com a participação de Michelle Loeffler (fogo), Paula Knecht (água), Luiza Marcon (ar), Marina Segalla (éter) e eu (terra). A movimentação, no geral, foi bem instintiva. Apenas alguns dos movimentos foram estudados tendo como referência o elemento em si. Gravamos todas as cenas sem nenhuma música, em um parque da cidade. Nada foi coreografado ou marcado na música escolhida. A filmagem e a edição foram feitas pelo amigo Felipe De Marchi, que nos entregou um material maravilhoso. 



A videodança La Terre, na verdade, foi uma forma de aproveitar todo o material que filmamos para o meu personagem/elemento e que não foi utilizado no Elementarium. A proposta já estava pronta, então apenas defini a música e enviei algumas ideias para o Felipe. O restante foi tudo com ele. Ainda fico na dúvida de qual resultado me agradou mais! Sugeri para as meninas fazerem o mesmo: uma videodança solo com seus movimentos gravados naquele dia, mas ninguém mais se empolgou. A experiência foi realmente interessante e os resultados ficaram excelentes, na minha opinião. Eu adorei!    

La Terre
BLOG: Além de colunista do blog com a coluna Venenum Saltationes, você também é colunista da revista on-line Ou Seja, além de possuir o blog Paraísos Artificiais. Como é ser blogueira? Como você seleciona os temas a serem abordados nesses sites e  os desenvolve? Descreva um pouco sobre o seu blog e sobre sua participação como colunistas nos outros dois. 
Nossa, que pergunta difícil. Nunca tinha parado para pensar no que é “Ser Blogueira”. Acho que a Hölle blogueira é uma pessoa que gosta de se comunicar com os leitores, se expressar e dividir suas pesquisas. Só isso.

Eu sempre escrevi. Eu não me lembro de não escrever, hehe. Eu criei meu blog pessoal em 2008, para postar os meus textos e poemas, mas eu tinha muita vergonha e insegurança, medo de ser julgada, porque meus textos eram muito pessoais e completamente bizarros. Com o passar do tempo, e com o incentivo de um amigo, eu acabei deixando a vergonha de lado e trouxe o “Paraísos Artificiais” ao alcance do público. Faz um tempão que eu não escrevo. O Blog está completamente abandonado, infelizmente. Eu estou me dedicando mais para a dança e acabo não conseguindo dar conta de tudo. Isso me entristece.

A “Ou Seja” é uma revista on-line, que aborda os mais diversos assuntos. Eu amo este Blog, de paixão. Tem de tudo e é tudo muito bem feito. Eu recebi o convite da linda Lia Ferreira, que idealizou o projeto. Eu escrevo sobre Arte. Tenho total liberdade para escolher os temas e acabo priorizando a arte feita por brasileiros. Posto sobre dança, fotografia, poesia, etc.

No Aerith, como a maioria sabe, tenho a coluna Venenum Saltationes, que aborda o assunto “Dança e Ocultismo”. Eu sou muito fã do Blog e adoro ser colunista. Este é um dos assuntos que mais me interessa na dança e sinto-me honrada em poder dividir minhas pesquisas com os leitores tribais.

Eu acabo selecionando os temas (para ambos os blogs) de acordo com o momento. Algo sempre me chama a atenção e eu começo a pesquisar. É tudo muito instintivo e nada muito planejado. Eu amo ser blogueira!

BLOG: Como você encara a fusão entre metal/rock e dança do ventre/tribal?
No geral, eu gosto bastante. Sinceramente, eu prefiro muito mais as fusões de metal/rock com tribal, do que com dança do ventre. Eu até consigo achar bonitinho um metal bellydance, mas sempre acho tudo muito delicado e meigo. Pra mim, o metal e o rock são músicas intensas e, por isso, exigem força na movimentação. É bem difícil eu curtir pra valer um metal bellydance. Mas já uma fusão de tribal com metal, eu adoro! 

BLOG: Você já se apresentou junto com algumas bandas? Qual a sintonia entre banda(música), bailarina (dança) e público?Como o público underground encara o tribal fusion? Existe alguma banda nacional ou internacional que você gostaria de ter tal parceria?
Infelizmente, nunca me apresentei ao vivo junto com bandas, mas sempre tive vontade. Os trabalhos que realizei com bandas foram dois: o vídeo de dança em parceria com Michelle Loeffler e Felipe De Marchi, cuja trilha sonora é da Symphony Draconis, e a participação no videoclipe da banda Armon.   

In MagiamVersus
Sinceramente, chegam até mim apenas repercussões boas do público underground sobre o tribal. As meninas estão cada vez mais interessadas e os homens apoiam e curtem o nosso trabalho. Não vejo muito preconceito ou assédio por aqui. Os homens do Rio Grande do Sul costumam ser bastante educados e respeitadores, no geral. Nunca tive nenhum problema com o pessoal do metal, mesmo em eventos de metal/rock. Nos outros estados não sei como é esta questão.

Eu sempre quis muito fazer uma parceria com algumas bandas, sim. Mas são coisas que estão apenas na minha cabeça, nunca fiz nenhum contato. Então prefiro não falar nada, porque planos são apenas planos. Não gosto de comentar antes de realmente saírem do papel.

BLOG: Conte-nos um pouco sobre o projeto Draconis contra omne conceptus, criado em conjunto com a bailarina Michelle Loeffler e também com a banda Symphony Draconis. Como surgiu tal idéia e oportunidade? Qual o enredo por trás do vídeo? Qual o ponto de interseção entre as duas formas de manifestação artísticas? Onde elas convergem; onde se complementam? Qual foi a repercussão do público, tanto da música quanto da dança em unir duas manifestações artísticas de forma tão impactante?
Draconis Contra Omne Conceptus

Michelle Loeffler e eu, em parceria com Felipe De Marchi do MTVisualAggression, resolvemos criar um projeto experimental unindo Dança Tribal, Metal e Ocultismo. Escolhemos como trilha para esse trabalho o som da banda gaúcha de Black Metal Symphony Draconis. A trilha do vídeo é um Medley de todos os sons que fazem parte do último CD da banda, chamado "Supreme Art of Renunciation". Os trechos foram mesclados em uma única música, que foi totalmente coreografada por nós, unindo elementos da dança tribal com conceitos do ocultismo, satanismo e sigilos mágickos, temas estes abordados pela Symphony Draconis em suas letras.



O enredo foi cuidadosamente planejado, com o intuito de que a nossa visão sobre o tema ocultismo fosse exposta de maneira acessível, uma vez que trabalha em cima de arquétipos/sombras não óbvios da psique humana. Assuntos como caos, oposição, lascívia, quebra de conceitos e tabus são tratados de forma subliminar, porém, enfáticas. Para a finalização do vídeo foram inseridos símbolos e sigilos mágickos sobrepostos às imagens, a fim de caracterizar melhor o conceito ideológico e, principalmente, imprimir os próprios significados dentro deste trabalho. O Symphony Draconis, mesmo que indiretamente, teve papel fundamental na execução deste projeto, pois além de instigar a criação do mesmo, serviu como fonte de inspiração através da força da sua música aliada à temática obscura de suas letras, as quais contribuíram na criação de vários trechos do enredo. 

A ideia de unir elementos do Metal e do ocultismo à dança sempre me pareceu interessante, pois todos compartilham de uma energia muito próxima. Não somos profissionais da dança, não vivemos disso, o projeto é apenas a experimentação da arte no conceito hedonista, ligado ao prazer de dançar e à identificação pessoal com o tema.

A repercussão do público, tanto da dança quanto do metal, foi positiva. Recebemos muitos elogios e críticas construtivas de ambos os meios. Certamente teve uma visibilidade bem maior do que esperávamos.

BLOG: Em sua opinião, por que a dança tribal pode ser considerada uma dança ritualística? 
Primeiramente, porque ela está repleta de conceitos étnicos e há na sua estrutura muito da religião e identidade de alguns povos. Há muita simbologia inserida na movimentação que usamos no tribal.

Em segundo lugar, porque acho que qualquer coisa pode ser ritualística, desde que você assim deseje.

BLOG: Seus textos sempre são carregados de uma abordagem ligada ao misticismo, ocultismo e magia. Conte-nos um pouco sobre sua ligação com essa esfera. Em sua opinião, a dança é um meio transcendental? 
Minha ligação com essa esfera começou na adolescência, quando desenvolvi um grande interesse pela arte e pelo oculto, assim como me vi estritamente ligada à Natureza e seus mistérios. Tornei-me mística, meio bruxa... Escrevia, dançava, desenhava e pintava. Criava poções e inventava símbolos, amuletos... Sentia uma conexão muito forte com as músicas mais densas e pesadas. Vi-me perdidamente apaixona pelo metal, com suas notas e melodias obscuras. Durante esse ciclo de mudanças e de formação da personalidade (típico da idade) entrei em contato com uma das minhas mais antigas facetas. Um monstro, uma alma errante, um animal faminto, a quem chamei carinhosamente de Hölle Carogne.

Eu venho me conectando com esta esfera a cada nova experiência, a cada novo laboratório. Eu vivo em meio ao Caos e é ele quem me auxilia a enxergar a mim mesma no grande espelho da vida. Ele destrói tudo que sou. Ele desconstrói tudo o que eu havia colecionado como sendo o ideal. Ele disseca toda e qualquer certeza. Eu estou sempre em processo de mutação. Eu estou sempre renascendo. Perdendo-me, para voltar a me encontrar.

Eu também estou muito conectada, dentro do ocultismo, com a idéia do prazer. O prazer, acima de qualquer coisa, é o meu maior objetivo. Eu estou sempre tentando me desconectar e desapegar das coisas, para poder sentir prazer. Parafraseando Spare: "A crença livre de todas as idéias, menos a do prazer..."  

Eu acredito muito que a dança pode alterar nosso estado de consciência e nos fazer transcender. Creio que muitos de nós perderam a conexão com seu próprio corpo, em virtude da vida agitada, da rotina, do foco em outras coisas. A dança, primeiro, cria uma possibilidade de resgatarmos este contato com nosso corpo, e depois nos dá as chaves para entendermos como sair do corpo e entrar em contato carnal com o universo, a terra, o cosmos, o todo, o outro e nosso eu mais obscuro. Enfim, é difícil falar sobre isso, porque apenas acredito e sinto isso acontecer no meu corpo. Não posso provar pra você que isso realmente acontece. Creio que isso é uma experiência muito pessoal, que uns terão (de formas diferentes) e outros não.  

BLOG: Em sua opinião, o quê é tribal fusion?
É uma dança de fusões que tem como base a dança do ventre. É um estilo contemporâneo de dança com muitas possibilidades de criação e em constante evolução.   

BLOG: Sob sua óptica, o quê é dark fusion? 
É uma extensão do Tribal Fusion que priorizada a expressão e a teatralidade, tendo como temas e enredos o lado obscuro da própria existência, que se reflete na dança através da escolha das músicas, figurinos, makes, etc.

BLOG: O quê você mais gosta no tribal fusion? 
A liberdade de expressão. Poder dançar qualquer música, com qualquer figurino, com o enredo que desejar e deixar a criatividade fluir... Isso é demais!

BLOG: O quê você acha que falta à comunidade tribal? 
Talvez um pouco mais do espírito de comunidade e tribo. Menos vaidades e atitudes centradas no ego.

BLOG: Sobre sua carreira, qual/quais seu momento tribal favorito ou inesquecível? 
Eu me emociono só de lembrar... Foi no II Sarau Artístico da Ong Daterra, em São Leopoldo. Eu levei um solo com a música "Sangue Latino", do Secos & Molhados (música do meu coração) e quando comecei a dançar faltou luz, a música parou e eu parei de dançar. Em meio ao silêncio e à escuridão da noite, uma menina saiu do meio do público, pegou o violão e começou a cantar a música. O público todo começou a cantar junto. Eu acabei dançando meu solo de forma bem improvisada, mas muito, muito poética. A Lua estava cheia e alta no céu. No centro, a fogueira. Foi uma noite inesquecível.

BLOG: Como você descreveria seu estilo? 
Completamente experimental, instintivo e interpretativo. Considero-me uma artista esquisita. O "esquisito" me seduz. Meus movimentos estão impregnados de ideologias, de crenças. Meus compassos são pouco convencionais e cheios de misticismo, de oposição, de agressividade. Ocultismo, caos e luxúria são mesclados às minhas criações e retratados de forma crua, orgânica, uterina. 

BLOG: Como você se expressa na dança?
Da forma mais visceral possível. Ao dançar eu tenho a chance de reviver certas experiências e traumas, trabalhando, aceitando e digerindo esses sentimentos. Eu gosto de olhar para o público e contar a minha história, compartilhar as minhas vivências. Entrar em contato com a minha própria forma de dançar é meu maior objetivo. Não busco técnica em primeiro lugar, busco uma forma sincera de expressão. Busco um contato carnal com a terra, já que a minha boca não sabe suplicar. A minha dança vem do ventre e sobe pela coluna. O que busco é o seu ápice, o momento em que ela explodirá em emoção e transcenderá meu corpo físico. O momento em que ela entrará em contato direto com o Universo.

BLOG: Quais seus projetos para 2015? E mais futuramente? 
Sabe, eu não costumo planejar muito. Eu acabo criando e realizando as coisas que meu corpo tem vontade, de acordo com o momento. Muitas vezes eu planejo enredos/ideias em grupo que, aí sim, acabam necessitando de um planejamento maior até realmente saírem do papel. Quero tentar realizar algumas delas em breve. No mais, espero ter contato com novos estilos de dança e expandir minhas experiências corporais/mentais como artista.

BLOG: Improvisar ou coreografar? E por quê? 
Ambos. Acho que as duas coisas são importantes e essenciais para mim. Improvisar é uma forma de testar a minha conexão com a música, trabalhar o ouvido e ver se eu consigo me entregar por completo. Coreografar é estudo, é experimentação, é disciplina. Gosto das duas formas de dançar.

BLOG:  Você trabalha somente com dança? 
Na verdade, eu não trabalho com dança. Nem nunca trabalhei pra valer, infelizmente. Eu levo minhas performances para eventos e dou aulas particulares para conhecidos. Só isso. Eu não sou bailarina profissional. Na verdade, sou bem amadora, autodidata e estou recém engatinhando. Sempre me considerei mais artista do que bailarina. Trabalhar apenas com arte sempre me pareceu uma ideia muito inviável, porque nunca tive uma base financeira para poder investir e fazer as coisas fluírem e sempre tive medo e insegurança também. Mas isso é algo bem aceitável pra mim. Eu nunca pretendi levar a dança como profissão, então, não me sinto frustrada. A dança pra mim é um canal, onde posso sentir prazer e me conectar comigo mesma e com o todo.

BLOG: Deixe um recado para os leitores do blog. 
Primeiramente, eu gostaria de agradecer o convite e dizer que é uma honra dividir um pouco das minhas vivências e opiniões com os leitores do Blog.

Para finalizar, eu os deixo com um trechinho de um texto que escrevi sobre o meu sentimento pelo tribal:

“Insana, opto por cultuar os deuses que se expressam através das mais estranhas contorções, dos gestos mais suspeitos, de visagens e meneios, de magia negra... Que dominam a arte de transcender, mesmo mantendo os pés firmemente aterrados. Que desprendem seus corpos e espíritos, e sendo consumidos pelo fogo, acabam falando muito mais com o corpo, do que com a boca. Que abrem as fissuras da terra e entram em comunicação carnal com ela. Deuses que são como eu, ou como você... Que se escondem dentro de nós... Que precisam apenas de um impulso, de um veneno ou de uma dança para libertarem-se!” 




Contato

E-mail: 
hollecarogne@gmail.com

Website:




LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...