[Resenhando-SC] Espetáculo Fiar Caminhos Tecer Dança - ­ Hajallah, Dança Tribal Beduína

por Aline Pires



No feriado do dia de Tiradentes, dia 21/04, aconteceu o espetáculo Fiar Caminhos Tecer Dança, realizado pela Escola de Danças do Oriente Yasmin Meera. O espetáculo foi o trabalho de conclusão de curso da primeira turma de formação profissional em danças orientais da escola, e contou a historia da dança do ventre desde as danças folclóricas até o estilo Raqs Sharki. A abertura do espetáculo se deu com uma apresentação da dança Hagallah, (também escrito como Hajallah ou Hajjalah), dança folclórica que possui vestimentas pesadas, que lembram um pouco as roupas das danças do Afeganistão. Então escolhi esta parte para resenhar, pois dela vem todo um contexto cultural que foi traduzido para os palcos.



Hajallah deriva da palavra "pular", e é uma dança tribal beduína que normalmente acontecia em casamentos e celebrações de família. Os beduínos são divididos em clãs ou tribos, e são um povo semi-­nômade que vive no deserto, apesar de muitos terem abandonado suas tradições hoje em dia. A Hajallah é dançada por homens e mulheres, e é composta de um coro (ou uma meia lua, ou simplesmente dois grupos divididos), algumas pessoas no centro, e a bailarina também chamada de hajallah, a qual lidera a dança com movimentos mais repetitivos afim de facilitar para que suas seguidoras a acompanhem. Ela improvisa e tira alguém para dançar, pede palmas e as vezes provoca as mulheres que estão esperando sua vez para entrar na brincadeira, ou provoca os homens que estão no outro lado da roda. A posição de hajallah é normalmente revezada, e outras formações diferentes podem ocorrer. Enquanto as formações mudam, é comum as mulheres chamarem os homens para dançar e logo depois colocá-­los para fora, demonstrando que nessa dança o poder é sempre delas. Os principais ritmos usados são falahi, saidi, baladi e maqsoum acelerados; e a dança é caracterizada por movimentos bem marcados de quadril, grandes e soltos, pouca movimentação de braços e pé no chão sempre. Movimentos como básico egípcio, soldadinhos, shimmie “hagallah”, outros shimmies simples, soltos e grandes, redondinhos com mudança de nível, redondinhos com deslocamento e todo um jeitinho “roots” de se dançar.



Monique ao centro liderando neste momento. Vestes pesadas e com cores fortes, nos remetem aos precursores do tribal e suas inspirações folclóricas, como as trupes Bal Anat e Hahbi ­Ru, além da trupe Reda que fazia uma releitura da hajallah para o palco. O sistema de improviso com liderança nos faz lembrar o ATS. Uma curiosidade sobre as roupas das Hajjallas é que elas variavam de acordo com o poder aquisitivo de cada uma, as que tinham mais babados e enfeites demonstravam mais riqueza.

No momento de liderança, a hajallah precisa mostrar carisma e charme, pois no final da noite a mais bela hajallah é eleita pelo publico. As brincadeiras que ocorrem nesta dança foram muito bem traduzidas pelas bailarinas, que de tempos em tempos se olhavam antes de iniciarem juntas algum movimento, ou faziam os famosos gritinhos “iiiieppp” para chamar alguma que estava mais atrasada ou perdida, em uma forma de dizer “vamos todas juntas”.
  

A Hajallah é originalmente dançada sem coreografia, porém para palco acontece de ter momentos de improviso e momentos coreografados. Foi o que aconteceu no espetáculo, onde pude observar que um dos momentos de improviso se assemelhou a um transe encenado pelas bailarinas (foto acima), enquanto isso a música se tornava repetitiva, quase que hipnótica.

Como bons exemplos da dança Hajallah temos a trupe Reda, e também a bailarina Serena Ramzy, com movimentos de quadril grandes e uma personalidade de “líder da tribo”.


 Apesar do espetáculo ter sido voltado para a dança do ventre, acredito que cabe aqui falar sobre uma das danças que faziam homenagem ao sagrado feminino, por ser um assunto de interesse pela comunidade tribal, e por ter ganhado um espaço especial neste espetáculo. A coreografia "Dança do Invisivel I" mostrava as faces da deusa tríplice, representando a donzela, a mãe e a anciã.


Donzela (representada por Julia, à esquerda), mãe (Jaqueline, à direita) e anciã (Valtiara ao centro), juntas empunharam cajados, fizeram alquimia e mexeram poções em um caldeirão ­invisível, claro, ­ mas os movimentos faziam a leitura de um conto bruxólico, enquanto a música era semelhante a um cântico ritmado por um tambor forte que acordava a ancestralidade dentro de nós. Era uma dança com bastante interpretação e teatralidade, com momentos inesperados pelo público, e, por trás de cada movimento, havia um significado profundo.

E com isso encerro a resenha de Abril. :) Abraços!


[Vida com Yoga] O que é Yoga?

por Nayane Teixeira


O significado geral da palavra Yoga é União; o ato de unir a Consciência individual do Ser com a Consciência Universal. Integrar corpo, mente e espírito; união com a natureza, com o Universo.  Mas, quando definimos como união, dá uma leve impressão de algo que está separado. Na verdade, nada está separado, nós é que enxergamos dessa forma, como um véu que separa tudo e que nos impede de ver que tudo está ligado.

Com as práticas de Yoga vamos, a cada dia, encontrando formas de retirar esse véu e enxergar as coisas na sua verdadeira forma, até em nosso dia a dia, observando que tudo é sagrado e que podemos SIM levar nossa espiritualidade pra cada ação do nosso dia.

Os Ásanas são posições psicofísicas, que trabalham corpo e mente. Fortalecendo o corpo e a mente conseguimos eliminar os nós que nos prendem e impedem de nos conectar com nosso verdadeiro Eu, nossa verdadeira essência. Mas o Yoga não é só corpo e sobre esse assunto abordaremos em próximas postagens.

Como disse Sri Aurobindo: “A Vida toda é Yoga”. Não limite o Yoga à prática de uma hora no tapetinho; leve o Yoga pra casa! Yoga é viver consciente em cada ação da nossa vida; consciente do presente de que só podemos fazer a diferença do aqui e agora.


Retalhos de uma História por Ju Najlah



Retalhos de uma História 
Ju Najlah, Cordeiro - RJ, Brasil


Sobre a Coluna:

A coluna conta com pequenas biografias das grandes estrelas da dança oriental. Dançarinas que devem ser estudadas por todas aquelas que estudam a Raks Sharki, pois é através do corpo e da dança delas que podemos realmente ver a riqueza e simplicidade dessa dança. É ali que podemos ter algum acesso registrado à origem da dança, que tanto buscamos, pois aquele corpo que dança é o mesmo que, imerso em sua própria cultura, manifesta seus mais variados aspectos e expressa o que vai na alma daquela bailarina. Através dessas danças aprendemos que uma técnica perfeita faz com que movimentos difíceis pareçam simples de ser executados, aos olhos de quem assiste. É o que foi apresentado por elas que deveria dar a base para o estudo de toda belly dancer. Ao mesmo tempo simples e rico, suave, forte e expressivo.

Sobre a Autora:


Ju Najlah estuda dança oriental desde 2002. É formada em psicologia e especializada em Terapia Através do Movimento pela Fav. Fez aulas de jazz e estuda dança de salão desde 2013.

Sempre muito curiosa e ávida por novos conhecimento investe constantemente em workshops, livros e revistas que possam oferecer um conteúdo de qualidade. Fez aulas com Gamal Seif, Khaled Seif, Haqia Hassan, Hossam Hamzy e Aziza do Cairo, todos egípcios. Com Tufic Nabak (libanês), Marta Korzun (ucraniana), Saida (argentina) e com os brasileiros: Melinda James, Luciana Midlej, Serena Hamzy, Ranaa Al Jalila's, Carlla Sillveira, Mahaila El Helwa, Joelma Brasil, Shalimar Matar, Aryana Rebelo, Suheil, Ju Marconato, Zahra Li, Fabrício Dabke, Aisha Hortale, entre outros nomes da dança do ventre nacional. Ministra aulas de dança do ventre e folclore árabe em municípios da região serrana do Rio de Janeiro.




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[Tribal Brasil] Laban como aliado no Tribal Brasil

por Kilma Farias

    Em 2012, a Cia Lunay passa a trabalhar sob a direção coreográfica de Guilherme Schulze, professor doutor da Licenciatura em Dança da UFPB. Essa nova experiência colocou o grupo em contato com uma forma diferente de pensar o corpo, o movimento e suas narrativas.

    Na época, estávamos no processo de montagem do espetáculo Axial e aceitamos o desafio de pensá-lo através da ótica dos estudos do movimento de Rudolf Laban (1879-1958).

Processo de montagem de Axial, com os núcleos da Lunay PB e PE (2012), sob a direção coreográfica de Guilherme Schulze.

      Jean Baptiste Attila de Varanja, nascido em Pressburg atual Bratislava, conhecido como Rudolf Von Laban, foi bailarino, teatrólogo, coreógrafo, arquiteto, artista plástico, musicólogo, estudioso do movimento, e considerado um dos maiores teóricos da dança do século XX. Possui vasta bibliografia sobre dança com forte inclinação para misticismo e espiritualidade.

     Em seus estudos, Laban identificou quatro Fatores de Movimento – Tempo, Espaço, Peso e Fluência. E os associava como condição de definição do Esforço exercido no movimento, gerando Ações Básicas – flutuar, deslizar, socar, pressionar, pontuar, chicotear, torcer e sacudir.

       Cada Fator de Movimento abre um mundo de possibilidades. O estudo do Espaço, por exemplo, envolve planos, níveis, direções e trajetórias. O estudo do Tempo envolve aceleração, repouso, desaceleração, respiração, ritmo. O estudo do Peso nos traz consciência de eixo, equilíbrio, tônus forte ou fraco. A Fluência nos coloca em contato com uma atitude livre ou controlada.

A montagem de Axial (2012) aliou os estudos do movimento de Laban ao Tribal Brasil e desde então o grupo passou a utilizar seus fundamentos no processo criativo

        Associar cada um desses estudos à construção em Tribal Brasil nos coloca diante de uma dança rica em significados que vão além de uma construção estética para palco. Pois, aliar-se à essa proposta envolve o “pensamento por movimento” que propõe trazer à exterioridade, a subjetividade do sujeito que dança.

         Significar além do significado imediato, além da consciência, nos faz compreender que movimentos, palavras e imagens têm aspectos inconscientes, assim como nós. E isso me faz pensar que movimentos, assim como palavras, são criações nossas. A linguagem é nossa criação; objetos são criações nossas – tudo que foi e será construído pelo homem existiu primeiro em seu imaginário e, por uma inspiração e atendendo a uma dada intenção, se materializou. Por um impulso criativo, a criatura (ou criação) herda a atitude (características) de seu criador.

          Acontecimentos abaixo do limiar da consciência afloram através da intuição. E assim, o bailarino busca esse canal intuitivo para melhor desenvolver sua arte. Apesar de não se perceber esses acontecimentos, eles são absorvidos subliminarmente. A qualquer momento podem brotar do seu campo imaginário (consciente e inconsciente) como uma espécie de segundo pensamento. Isso acontece porque a realidade concreta tem aspectos que ignoramos, pois não conhecemos a natureza extrema da matéria. É impossível conhecer toda a natureza do universo. Nesse sentido, é impossível conhecer toda a nossa psique porque ela também faz parte da natureza.

Quem quer que negue a existência do inconsciente está, de fato, admitindo que hoje em dia temos um conhecimento total da psique. É uma suposição evidentemente tão falsa quanto a pretensão de que sabemos tudo a respeito do universo físico. Nossa psique faz parte da natureza e o seu enigma é, igualmente, sem limites. Assim, não podemos definir nem a psique nem a natureza. (JUNG, 2008, p. 23-24).


        Não podemos definir psique e natureza, mas podemos buscar compreendê-las dentro das nossas possibilidades. Ao se interessar pelos estudos de Jung, Laban correlacionou os Fatores de Movimento:
(Ilustração: RENGEL, Lenira. Dicionário Laban. São Paulo: Annablume, 2003.)
                       
Na tabela acima, podemos perceber que Laban correlacionou o fator Tempo com a Intuição em Jung. É a tomada de decisão, é o “quando agir?”. Em dança, a intuição está intimamente ligada com os estados mentais-espirituais-físicos que o bailarino alcança durante a ação. A intuição vai trazer um sentido de criação, de criatividade, que é capaz de transmutar a realidade e fazer a plateia ir além. Ao falar sobre o corpo cênico e esse estado de presença, Laban diz:

Muita coisa depende dos dramaturgos e coreógrafos e do tipo de peça teatral e balé que apresentam, embora seja um fato que atores ou bailarinos que possuem um sentido realmente criativo de apresentação cênica tenham a capacidade de conferir a uma peça medíocre aquele aspecto revelador que lança luz sobre os recantos mais obscuros da natureza humana. (LABAN, 1978, p.28-29).

Entendo, a partir do raciocínio de Laban, que o corpo cênico vai além da técnica limpa e clara do movimento, uma vez que circulamos e entrelaçamos ininterruptamente referências mnemônicas, imaginárias e perceptivas que resultam numa linguagem singular.

       Numa tentativa de clarificar as relações internas e externas que ocorrem no bailarino em cena, visando o estado de corpo cênico ou presença cênica, proponho o seguinte gráfico.

Nele, o Imaginário se constitui como um espaço onde consciente e inconsciente estão em constante troca e atualização na constituição do sujeito, despertando desse modo uma ação interna latente para um possível movimento.

        Intuição, Inspiração e Intenção constituem-se como ações internas ativas, motivadoras de uma propulsão até se chegar ao Impulso para o movimento, que se estabelece como uma ação ao mesmo tempo interna e externa. Dessa articulação, a ação se exterioriza em movimento como uma atitude; e a dança acontece. Correlacionando o gráfico acima com as ações internas e externas, proponho um segundo gráfico.

O corpo em si traz significações múltiplas por onde perpassam informações conscientes e inconscientes relativas às vivências de cada indivíduo. Essas vivências são constituídas de convergências identitárias que se renovam a todo instante no corpo – entendendo aqui por corpo não apenas o material visual biológico, mas também as emoções, memórias, pensamentos e desejos.
Conforme Gil:
Quando se fala do corpo e, em particular da dança, o fato é ainda mais surpreendente. Séries diferentes ou divergentes de gestos efetuados pelo mesmo corpo num tempo único acabam por se ‘integrar’. [...] Devemos crer que o corpo tenha um tal poder integrador, ou assimilador, que transforme tudo o que dele se aproxima no espaço e no tempo, num todo homogêneo e unificado [...] (GIL, 2004, p. 69-70).
  
Lenira Rengel (2013) nos diz que a mente, a emoção, o pensamento não apenas habitam o corpo como são formados por ele. Dessa forma, pensamento é movimento; pensamento é corpo. Nesse sentido, o corpo que dança traz consigo um universo imagético e perceptivo antes do primeiro movimento traçado no espaço ser visível. 

        Para Laban (1978) o movimento pode ser o mais sutil dos pensamentos. Desse modo, o movimento não liga mente e corpo, mas se percebe como um todo integrado e indissociável. O movimento é o próprio pensamento transposto em ação externa. O corpo cênico em Laban é um corpo consciente, que possui qualidade de movimento em todos os seus Fatores (Fluência, Peso, Espaço e Tempo.)
A busca do bailarino pela conscientização de todo o corpo é a busca por si mesmo, por compreender-se. E a compreensão do homem vem da compreensão do mundo e do outro. Conscientizar é significar. O corpo significa todo o tempo. No palco, essa consciência precisa se fazer ativada para que a comunicação desejada com a plateia aconteça.
 Kilma Farias em Feminino plural: singularidades do corpo (2014). Espetáculo-solo em Tribal Brasil com experimento das Ações Básicas de Laban
Movimentos carregados de corpo-pensamento-memória e identidades em trânsito que encontram sua efemeridade no tempo-espaço de execução. Esse encontro transforma o fenômeno da dança em uma arte inter-relacional constituída através de uma sucessão de eventos que bem poderiam ser comparados a etapas de um rito.
Entendo que, no ritual, o encadeamento de ações que o compõem faz aflorar a espiritualidade, perpetuando determinado modo de compreensão do mundo e de sua forma de estar no mundo, assim como suas implicações filosóficas. O rito atualiza o mito. No campo do estudo das artes cênicas, denominamos esse encadeamento de ações de dramaturgia do movimento. Esta, por sua vez, desperta o corpo cênico que torna visível o invisível, “[...] isto quer dizer que a movimentos internos corresponderão outros externos definindo a energia metacinética do ator e do bailarino [...]” (LOPES, 1998, p. 10).
Dançar é um modo de estar no mundo. Ao mesmo tempo êxtase [1] e racionalidade. “Não apenas jogo, mas celebração, participação [...].” (GARAUDY, 1980, p. 13). Nesse sentido, o Tribal Brasil passa a ser, para além da técnica, uma forma de viver: de perceber e ser percebido. O movimento através do Tribal Brasil traz a experiência de que o espiritual passa pelo corpo físico, revelando através da dança e suas implicações simbólicas, plenas de memória, uma narratividade que se escreve sem palavras no espaço-tempo do corpo.

Referências Bibliográficas

ALVES DOS SANTOS, Rosileny. Entre a razão e o êxtase: experiência religiosa e estados alterados de consciência. São Paulo: Edições Loyola, 2004.
CASSIRER, Ernest. Linguagem e Mito. São Paulo: Editora Perspectiva, 1992.
GARAUDY, Roger. Dançar a vida. São Paulo: Nova Fronteira, 1980.
GIL, José. Movimento Total. O corpo e a dança. São Paulo: Iluminuras, 2004.
JUNG, Carl G. O homem e seus símbolos: concepção e organização C.G. Jung. Tradução de Maria Lucia Pinho. 2 ed. RJ: Nova Fronteira, 2008.
LABAN, Rudolf. Domínio do movimento. São Paulo: Summus, 1978.
LOPES, Joana. Coreodramaturgia: A dramaturgia do movimento. Primeiro caderno pedagógico. Ed. Do Grupo Interdisciplinar de Teatro e Dança, Org. José Rafael Madureira, Depto. de Artes Corporais – UNICAMP.
RENGEL, Lenira. Dicionário Laban. São Paulo: Annablume, 2003.
__________. O corpo e possíveis formas de manifestação em movimento. Disponível em: <http://culturacurriculo.fde.sp.gov.br/administracao/Anexos/Documentos/420100823120040O%20corpo%20e%20poss%C3%ADveis%20formas%20de%20manifesta%C3%A7%C3%A3o%20em%20movimento.pdf > acesso em 19, abril 2016.




[1] “[...] êxtase é um estado de alegria indizível ou de tristeza profunda. Além de estado de excitação física generalizada ou estado de apatia extrema, trata-se de uma comoção psíquica que, dependendo do valor motivacional, exprime sua intensidade no próprio evento.” (ALVES DOS SANTOS, 2004, pg 38).


[Índia em Dia] Danças clássicas e sua influência sobre a arte contemporânea na Índia

por Raphael Lopes


Pandit Birju Maharaj coreografando e ensaiando Madhuri Dixit 

Bom dia leitores,

Quero partilhar com vocês durante as próximas postagens alguns documentários e vídeos riquíssimos sobre as diferentes formas de dança indiana. Começando pelas danças clássicas, também desejo falar mais detidamente sobre a dança teatro e as danças folclóricas, ambas recheadas de um profundo sentido espiritual e social para o bailarino.

A proposta é expandir o vocabulário da bailarina ocidental que afirma quase sempre por repetição e hábito que o seu tribal possui raízes também na dança indiana. Como veremos a seguir, é complicado apontar muitas similaridades na forma, mesmo enxergando claramente muito dos conceitos da primeira terem influenciado, ou melhor, inspirado o Tribal.

As danças clássicas Indianas são:

  • Bharathanatyam
  • Kuchipudi
  • Mohiniyattam
  • Kathakali
  • Odissi
  • Manipuri
  • Kathak
  • Sattriya

Apenas recapitulando: danças clássicas são todas aquelas que possuem repertório tradicional de movimentos registrados na literatura artística (no nosso caso, no Natya Shastra), assim como repertório coreográfico tradicional, bem como preparação corporal e intelectual do bailarino. No caso específico das danças indianas, isso inclui ainda um conhecimento sobre a mitologia e culturas que dão suporte à narrativa cênica, que é dividida em dança expressiva (Abhinaya - narração de histórias) e dança pura (onde o bailarino utiliza o virtuosismo técnico dentro dos intrincados padrões rítmicos, sem ter uma história como foco).

Devdas (2002)
O Kathak é um estilo clássico com um histórico mais diluído em relação à sua ligação aos templos. Desde o seu aparecimento, provavelmente fruto da fusão das danças persas com o código das danças indianas, o Kathak se tornou algo como um entretenimento para reis e mercadores. Os bailarinos também narravam histórias, mas não mais unicamente aquelas que continham o sagrado. Talvez tenha sido o Kathak a primeira dança clássica a flertar com o público, e adquirir um caráter mais artístico e performático. Isso se evidenciou com o surgimento de Bollywood, onde originalmente os musicais eram fortemente marcados pela presença do kathak.

No documentário abaixo, de 1971 (narrado unicamente em inglês), podemos ter uma idéia da riqueza desse estilo, que de alguma forma se encontra presente nos spins do Tribal. 


No vídeo abaixo vemos uma releitura "bollywoodiana" do Kathak no blockbuster Devdas, filme relançado em 2002 que conta com a assinatura coreográfica do Pandit Birju Maharaj.


Até o próximo encontro,

Namaskar!!!

Karine Neves (RS) - Resenhando

Coordenação Região Sul - Núcleo RS:
Karine é médica veterinária formada pela UFRGS em 2007 e, desde 2008, dedica-se à profissão em sua clínica em Porto Alegre/RS. Mas o amor aos animais divide espaço em seu coração com a dança, que chegou bem antes que a veterinária na sua vida, aos 6 anos de idade, quando iniciou sua formação em ballet clássico. Em 2006 começou a estudar dança do ventre com Egnes Gawasy. Mas foi em 2008 que seus olhos brilharam ao conhecer a dança tribal, seguindo os passos da mestra Daiane Ribeiro e posteriormente Karina Iman. Em 2010 fez o 1º Curso Extensivo de Dança Tribal com o Grupo Masala, composto por Fernanda Zahira Razi, Daiane Ribeiro e Bruna Gomes. Em 2011 começou a dar aulas de dança do ventre/fusão no Studio Al-Málgama, onde também fazia aulas regulares com Daiane Ribeiro e Bruna Gomes, e onde permaneceu como aluna e professora até 2013. Nesse ano inaugurou o próprio espaço de danças, onde até o momento ministra aulas de dança do ventre e Tribal. Karine apresenta um forte estilo ritualístico, e por ser filha e neta de bailarinas de dança cigana, também deixa transparecer essa influência em seus trabalhos. Sua grande paixão atualmente é o Tribal Brasil, o qual pesquisa a fundo desde 2014, e do qual é precursora na região Sul. Em 2015 foi convidada a palestrar sobre o tema no 1º Encontro VentrePoa. Para agregar e ajudar a construir uma dança com consistência, Karine também fez aulas de dança indiana, zambra, flamenco, sapateado, yoga, pilates e dança moderna.

Atualmente é integrante da 1ª turma do Curso de Formação em Tribal Brasil, por Kilma Farias (PB), criadora do estilo.

Para Karine a dança tribal é acima de tudo uma forma de autoconhecimento, de sentir-se conectada, seja com a sua “tribo”, seja com a natureza, com o que chamar de Deus ou consigo mesma.



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[Resenhando-RS] Espetáculo Entremundos

por Karine Neves



No dia 9 de abril foi apresentado no teatro do Sesc em Porto Alegre o espetáculo ENTREMUNDOS, do grupo Zahira Razi. 

O roteiro, criado há mais de três anos, nasceu como resultado de um processo de autoconhecimento e vivências dentro da espiritualidade da sua idealizadora, Fernanda (Zahira Razi).


Zahira Razi
ENTREMUNDOS surpreendeu, não só pela autenticidade da proposta, mas, principalmente, pela visível entrega e sintonia do elenco, e pela emoção que conseguiu transmitir em cada uma das 12 coreografias, transcorridas sem pausas entre uma e outra. Desde o início do espetáculo, tudo o que apresentaram, desde a trilha sonora, o cenário, os figurinos, recursos cenográficos, até as expressões muito bem trabalhadas das bailarinas, criaram a atmosfera perfeita para que conseguíssemos captar a essência de cada sentimento. No final, como não poderia ser diferente, a plateia aplaudiu de pé, totalmente encantada.

"EntreMundos é desnudar-se das coisas mundanas e atravessar os próprios portais, mas ainda assim, estar no mundo."


Foto de Cerise Gomes


"Não há despertar de consciências sem dor. As pessoas farão de tudo, chegando aos limites do absurdo, para evitar enfrentar a sua própria alma. Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão." (Carl Jung)

Esta citação nos traz grandes questionamentos, por acordar demônios da humanidade sobre a escuridão do mundo e a morte. Faz-nos restabelecer uma necessidade de crenças para compreender a natureza interna e externa, observar que não estamos em um único mundo e que de fato interagimos com mundos e dimensões paralelas além da nossa compreensão.


Foto de Cerise Gomes

 Ficha Técnica:
- Elenco:Aline Araujo Gonçalves, Ana Maria Sanches, Cristina Camilo, Daniela Generoso, Fernanda Zahira Razi, Hölle Carogne, Lucile Bier, Marina Segalla, Michelle Loeffler, Sibele Faller, Simone Andára, Simone Rios, Jonas Sá, Olímpio Micelli e Pablo Medina.
- Roteiro: Fernanda Zahira Razi
- Coreógrafa: Fernanda Zahira Razi
Participação da montagem coreográfica: Hölle Carogne, Lucile Bier e Michelle Loeffler
- Direção Geral: Fernanda Zahira Razi
- Iluminação: Leandro Gass- Baci
- Áudio: Luana Garcia


Foto de Cerise Gomes
O Espetáculo:
1. O Linear dos Mundos
2. A Anciã
3. A Invocação dos Mistérios
4. Seres Encantados - Todos os mundos em uma só visão
5. O Despertar - O encantamento o despertar do ímpeto
6. A Criação - Potencialidade geradora
7. A Ilusão - A negação de tudo o que se é através da superficialidade
8 .O Conflito - Quando não há mais omo negar a dualidade
9. As Sombras - Demônios internos e externos em descontrole
10. A Apatia - Quando a vulnerabilidade nos cerca
11. O Resgate - A consciência através da sabedoria
12. Poder Pessoal - Dançando com a sombra
































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